Salada infernal

Danceterias apostam em malabaristas, atores
e fumaça gelada para animar a noite

Paciornik, na Rave
de Curitiba: música
tecno e atabaques
Foto: Ricardo Almeida  

Em outros tempos, danceteria era sinônimo de luzes faiscantes na pista, música no último volume e agitação febril. Agora, os empresários do ramo começaram a criar atrações para aumentar o interesse do público. Performances de atores e atrizes, instalações, shows circenses e novas tecnologias, como a injeção de ar gelado nas pistas de dança, procuram criar um clima mais agitado, por vezes extravagante, para animar a festa. Não se trata exatamente de uma novidade. Como ocorre em boates de Londres e Nova York, muitas casas já se tornaram famosas por promover eventos, algumas vezes estranhos. Era o caso da Madame Satã, famosa discoteca dos anos 80 em São Paulo, que mantinha no salão de entrada uma moça de seios desnudos mascando e cuspindo no público pedaços de repolho. Hoje, esse tipo de chamariz está ressurgindo em um número maior de danceterias de todo o país, a começar pela própria capital paulista.

No clube Lov.e, pode-se assistir a shows relâmpagos, protagonizados por atores e atrizes (como a ex-Pantanal Luciene Adami), humoristas e drag queens. A música tecno que impera na danceteria dá lugar a shows de mímica e pequenas apresentações, que são acompanhadas de exposições de bijuteria e moda e instalações de artistas plásticos. No também paulistano Club B.A.S.E., bailarinos e atores participam das noites de black music ao vivo com apresentações e encenações mudas. "As pessoas não querem só dançar", diz a hostess do Lov.e, Mônica Saldan. "Elas querem é se divertir." Não é apenas em São Paulo. Na última festa de aniversário da Rave, em Curitiba, que recebeu 7.000 pessoas, dois artistas circenses se equilibravam em pernas de pau de 5 metros de altura, enquanto dez malabaristas do grupo Cirkoluz faziam demonstrações com objetos fosforescentes, utilizando luz negra e criando formas virtuais. A música era acompanhada pelos atabaques, tambores e pratos do percussionista Rodrigo Paciornik, irmão do pintor Marcelo Paciornik, que também já aproveitou as noites dançantes da Rave para fazer uma exposição.

The Pool: pista
de dança
com piscina
  Foto: Rubens Cavallari/Folha Imagem

Fumaça gelada — No Rio de Janeiro, a moda agora é a instalação de fliperamas junto às pistas de dança. A Bunker, em Copacabana, aberta há três meses, dispõe de cinco desses aparelhos para os notívagos que preferem mais jogar do que dançar. A The Pool, danceteria recém-inaugurada em São Paulo que tem o ator Miguel Falabella entre seus sócios, apostou na idéia de que depois de dançar a clientela pode perfeitamente querer dar um pulo na sua piscina. Na Kony's, em Curitiba, a atração é uma nova parafernália chamada turbo air, um maquinário que despeja uma névoa seca a 15 graus negativos entre as 1.000 pessoas que costumam lotar o lugar. O efeito é obtido graças a um tanque de gás carbônico, mantido em estado líquido a 62 graus negativos e que vira fumaça ao ser lançado na temperatura ambiente. O turbo air foi utilizado pela primeira vez nas danceterias de Cancún, no México, como auxiliar do ar-condicionado, para refrigerar o ambiente. Para completar a encenação, um malabarista em trajes típicos mexicanos faz acrobacias com os copos, enquanto distribui tequila gratuita para manter os ânimos aquecidos.

Raul Juste Lores




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