Micros de pulso

Os relógios já fazem tarefas de computador

Ruputer, da Seiko:
micro com teclado
na tela de cristal líquido
Foto: Divulgação  

O pulso humano é a nova fronteira dos computadores. Obedecendo à lei do encolhimento progressivo dos produtos tecnológicos, eles agora começam a caber dentro dos relógios. Ou melhor, são estes últimos que estão ganhando novas funções, graças ao desenvolvimento da informática. Uma geração de relógios computadorizados está saindo das fábricas. A maior parte deles ainda é vendida apenas no Japão, o país que mais inventa esse tipo de novidade. Mas alguns já começam a chegar por aqui. O primeiro é o Casio Wrist Remote Controller, que vem com calculadora e controle remoto de TV e videocassete. Para fazê-lo funcionar, basta programá-lo de acordo com o código do televisor, identificado no manual do fabricante. Custa 149 reais. No Japão, a Casio já lançou outro modelo, o PCX, que faz o papel de uma agenda eletrônica, capaz de guardar dados como nomes e telefones. Pode ser conectado a um computador para troca de informações e até arquivar endereços de e-mails.

Também no Japão, está à venda desde abril o Ruputer, da Seiko, um microcomputador de pulso. Com um miniteclado virtual na tela de cristal líquido, ele é capaz de processar textos, arquivar imagens e rodar alguns joguinhos mais simples. Guarda 40.000 palavras e, ligado a um telefone celular, permite que se entre na Internet. Custa 330 dólares. "O Ruputer pode ser usado em qualquer lugar e não é preciso carregá-lo feito uma maleta, como acontece com os notebooks", diz Shuji Ohtawa, o homem que desenvolveu o modelo para o fabricante. A Citizen preferiu projetar relógios para tarefas mais específicas. Fez o Hyper Aqualand para mergulhadores, que informa temperatura e profundidade da água — além das horas, é claro. Seus dados podem ser transferidos para um computador.

Outro fabricante, a Polar, que já havia inventado um relógio para contar os batimentos cardíacos, aprimorou o modelo. Agora ele é também capaz de calcular o número de calorias gastas por seu dono durante uma determinada atividade, de forma a ajudá-lo a controlar o peso. Até empresas de telecomunicações estão fazendo protótipos de aparelhos para o futuro: a NTT japonesa desenvolve um modelo que funciona como um telefone, discado pela voz. A Ericsson está criando um relógio capaz de receber e-mails e mensagens de celulares, como um pager. A dificuldade para o desenvolvimento desses aparelhos é sua capacidade de memória, ainda pequena, o rápido consumo das baterias e o preço. Sem contar outro empecilho, mais difícil de resolver. Os relógios podem diminuir ainda mais de tamanho e tornar-se máquinas cada vez mais complexas, mas ainda não se sabe como será possível encolher também as mãos dos usuários para que consigam utilizar seus diminutos comandos.




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