Morada verde

Casa inaugurada no Rio mostra como é possível
explorar madeira sem destruir a floresta

Fotos: Oscar Cabral

A casa e o carvão ecologicamente
corretos: promissor

Uma casa feita com madeiras nobres da Amazônia, como o angelim-pedra, o quari-quara e a guariúba, está sendo inaugurada nesta semana em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. Planejada em módulos pré-moldados, ela pode ser montada em menos de um mês. O preço é semelhante ao de outras pré-fabricadas. A diferença é que ela é 100% ecologicamente correta. Toda a madeira usada tem o selo do Conselho de Manejo Florestal, FSC, um órgão internacional. "Isso garante que a madeira não foi extraída de forma predatória, mas é resultado de um plano de manejo que permite a regeneração da floresta", afirma o arquiteto João Bird, autor do projeto. A Casa Z, como foi batizada, não é só correta por fora. Tudo dentro dela é certificado, os bancos, o piso, as divisórias, até o carvão para churrasco. Esses artigos são os pioneiros de um mercado incipiente mas muito promissor, que lucra ao oferecer aos consumidores a garantia de que seus produtos não são frutos da destruição das florestas.

Até agora, apenas catorze empresas brasileiras mereceram o selo. Mas outras 62 já se candidataram. Com a pressão dos ecologistas e consumidores preocupados com o meio ambiente, acredita-se que esse número vá crescer. Há grupos de compradores nos Estados Unidos, na Inglaterra, Alemanha, Espanha, Holanda e Áustria que só importam produtos de madeira com o selo. A MW, que faz pisos de madeira amazônica certificada, começou a operar há três semanas e já exporta para cinco países. Em dois meses, os hipermercados europeus só vão comprar carvão certificado. A Plantar, maior fabricante de carvão do Brasil, ganhou o selo em setembro. Também em razão do carimbo verde, a Duratex tornou-se fornecedora exclusiva de aglomerados de madeira para a Inglaterra. No ano que vem, a rede de lojas Tok & Stok lança uma linha de móveis certificados. "Hoje o selo é um diferencial", afirma Walter Suiter, secretário executivo do FSC no Brasil. "Amanhã, quem não tiver está fora."

Alexandre Mansur

Basta seguir a lei

Corte seletivo na
MIL: rodízio garante
a regeneração
Foto: Ana Araujo  

Todos os produtos da Amazônia que ganharam o selo verde têm a mesma fonte: a Madeireira Itacoatiara, MIL. Ela é a única da região que conquistou a aprovação de auditorias internacionais. Detalhe: seu único mérito é cumprir à risca a legislação brasileira. Sua área de 50.000 hectares é dividida em 25 lotes. Cada ano, a empresa explora um deles, deixando que o restante se regenere. O plano de manejo lhe garante mercado comprador fixo mesmo com preço 15% mais alto.

O projeto da empresa agora é lançar novos tipos de madeira no mercado. As serrarias comuns trabalham com duas a seis espécies. "O resto é jogado fora ou vira aglomerado", diz Tim van Eldik, gerente florestal da MIL. Atualmente, a empresa vende 22 das 66 espécies de sua mata. Quer chegar a quarenta nos próximos meses. Além de reduzir a pressão sobre a floresta, a diversificação vai tornar conhecidas espécies nobres como o uxi-torrado, uma madeira vermelho-escura, bonita e resistente.




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