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| Foto: Divulgação/DAPTF | |
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| O raro Thoropa miliaris (1), a pequena Hyalionobatrachium eurygnathum (2) e o arisco Paratelmatobius lutzi (3), todos endêmicos da Mata Atlântica; e o colorido sapo atelopus (4), da América Central: declínio mesmo em reservas naturais aparentemente preservadas | |
Um estranho fenômeno tem sido objeto de preocupação dos cientistas em várias regiões do planeta. É o desaparecimento acelerado de algumas espécies de anfíbio, em especial os sapos. De todos os grupos do reino animal, o dos anfíbios, que inclui aproximadamente 5000 espécies de sapo, é um dos mais ameaçados. Um terço das cerca de 500 espécies mais bem estudadas está em perigo. A situação é mais crítica na Austrália, onde, das 208 espécies nativas, oito já se extinguiram e outras 27 enfrentam graves problemas para sobreviver. A ameaça atinge também os sapos brasileiros, especialmente os que vivem na Mata Atlântica.
Entre os ecologistas, o sapo não tem o mesmo prestígio de um mico-leão-dourado, um urso panda ou uma tartaruga marinha. Assim, é difícil encontrar uma ONG que tenha o destino dos anfíbios entre suas maiores preocupações. Apesar disso, o futuro dessas espécies afeta diretamente o dos seres humanos. Seu desaparecimento em determinado local é um termômetro da deterioração ambiental. A degradação afeta os sapos antes de atingir pássaros, répteis, pessoas. "Devemos ver o declínio dos sapos como um alerta de que desastres maiores estão a caminho", afirma John Wilkinson, que coordena um esforço global para estudar o assunto na Universidade Aberta de Milton Keynes, na Inglaterra.
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Hylodes
asper: sua vida depende dos riachos |
| Fotos: Ivan Sazima |
Pele vulnerável O Brasil é o país com maior número de espécies de sapo conhecidas, cerca de 500. Só na Mata Atlântica estão cerca de 160. "Como a região tem grande variação de altitude e clima, cada espécie se adaptou a um rio, lago ou poço", explica a bióloga Vanessa Verdade, da Universidade de São Paulo. O Phyllomedusa ayeaye, por exemplo, só existe em um riacho perto de Poços de Caldas, em Minas Gerais. Na Praia de Boracéia, litoral paulista, há 64 tipos de sapo. A maioria corre o risco de desaparecer em razão do desmatamento e da poluição das águas. "Qualquer corte nas árvores reduz o sombreamento, a umidade do solo e destrói o habitat dos sapos", diz Jaime Bertoluci, da Universidade Federal de Minas Gerais. O Paratelmatobius lutzi era facilmente encontrado sob os seixos nos riachos do Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro. Há dez anos ninguém acha mais um único exemplar dele.
A pele permeável é o que torna os sapos mais vulneráveis à poluição. Além da sensibilidade à contaminação química da água, causada por pesticidas e fertilizantes, eles sucumbem ao excesso de radiação ultravioleta emitida devido à redução da camada de ozônio. Isso explicaria o fato de algumas espécies estarem desaparecendo em reservas naturais aparentemente bem preservadas, como o Parque Nacional Yosemite, nos Estados Unidos. Na Reserva Florestal Monteverde Cloud, da Costa Rica, 90% das espécies se extinguiram ou estão ameaçadas. "O excesso de radiação solar faz com que os animais nasçam com deficiência imunológica, o que os torna mais suscetíveis a ataques de fungos e bactérias comuns", diz Bertoluci.
Alexandre Mansur
Copyright © 1998, Abril
S.A. |