O look radical

Roupas para atividades como alpinismo e
trekking viram moda entre jovens urbanos

Casaco de supplex
e calça power stretch:
secagem rápida e
proteção climática

As roupas e acessórios que surgiram nos últimos anos para praticantes de esportes radicais, como o alpinismo, o rappel (descida de cachoeiras por meio de cordas) e o paragliding (um pára-quedas dirigível), estão caindo no gosto de um público maior. Botas de trekking, mochilas ergonômicas, óculos de alpinismo, que não quebram nem embaçam, camisetas que secam mais rápido, calças feitas para ser raspadas na pedra ou blusões invulneráveis ao clima mais agreste estão se tornando comuns nas grandes cidades. Na maior parte das vezes são utilizados por adolescentes que gostam de parecer prestes a embarcar numa expedição. Ou, no mínimo, querem vestir alguma coisa diferente. "Nosso público é formado em 80% por gente que não pratica esporte algum", diz Nelson Pudles, proprietário da Mont Blanc, uma das principais confecções brasileiras de roupas para aventureiros. Criada em Curitiba há treze anos, a empresa hoje vende 400 mochilas e 700 peças de roupa de alpinismo ao mês para 27 lojas em todo o país.

Casaco anorak:
fibras especiais
contra frio, vento
e umidade
  Fotos: Egberto Nogueira

Como aconteceu a partir da década de 70 com o surfe, cujos bermudões e camisetas estampados passaram a ser envergados por garotões que não têm nenhuma intimidade com as ondas, o que se compra agora não é a facilidade para praticar um esporte, mas um estilo. Claro que por isso se paga mais caro. Uma bota de trekking, com solado especial e couro antiumidade, não custa menos de 250 reais. As calças de power stretch, feitas para esquentar alpinistas em escaladas no gelo, caíram no gosto das adolescentes que desejam modelar o corpo e aquecer também o coração dos rapazes. Custam em média 120 reais. "A calça de alpinismo seca muito rápido, não precisa passar e é linda", afirma a estudante carioca Marina Cintra Peixoto, 19 anos, dona de quatro modelos. Marina nunca praticou alpinismo na vida.

Para alpinismo: óculos
que não quebram
nem embaçam
Mochila de cordura,
para escaladas:
super-resistente
Botas de trekking:
mais procuradas
para uso urbano

O público do mercado de outwear, como são chamadas as roupas tecnológicas para esportes ao ar livre, é crescente e varia bastante. "Vendo para crianças usarem na escola mochilas de cordura, casacos anorak para motoqueiros e calças de supplex para adolescentes", diz Justo Cordeiro, dono da loja Half Dome, em São Paulo. Cordura é uma lona sintética ultra-resistente. Anorak é um modelo de casaco com tecido superleve, à prova de vento e umidade. Supplex é um tecido sintético mais leve que o moletom, que esquenta e seca rápido. A onda se estende aos calçados. Em desfiles de moda de griffes como Gucci e Prada, é freqüente ver modelos calçando sandálias papete, criadas para o rafting (descer rios em botes de borracha). A Snake, de Curitiba, vende ao mês mais de 1.000 pares de botas para alpinismo, paragliding e outros esportes em suas 75 lojas no país inteiro. "Nos últimos dois anos nossas vendas quadruplicaram", conta o gerente de produto da empresa, Carlos Roberto Rodrigues. "O pessoal usa muito botas de paragliding, que são coloridas, até para dançar." Empresas como a Hering criaram linhas com camisetas, blusões e bermudas inspiradas no visual aventureiro. "Vendemos 200.000 peças de outwear por mês, 20% mais que no ano passado", contabiliza o gerente de produto Fernando Fallgatter. "Esperamos novo salto desse tamanho para o ano que vem."

Cristina Ramalho




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