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Foto: Aspen Skiing
Co.![]() Bandeira brasileira em Aspen: há quinze anos, só ricos e famosos iam esquiar lá |
| Foto: Zig Koch |
Em dezembro, quando os termômetros ao sul do Equador começarem a registrar temperaturas bem acima de 30 graus Celsius, milhares de brasileiros estarão desencavando do armário pesadas roupas de lã, gorros, luvas e até sapatos especiais para neve. O destino dessa gente encasacada é Aspen, a mais badalada estação de esqui dos Estados Unidos. A cidade, que na década passada começou a ser descoberta pelos brasileiros mais endinheirados, é hoje um dos destinos mais procurados nas viagens ao exterior durante as férias de verão. O preço dos pacotes oferecidos pelas agências de turismo caiu bastante nesse período e já é acessível a uma parcela da população que antes nem sonhava passar férias num lugar desses. Um pacote de sete dias, com passagem aérea, hotel, café da manhã e alguns passeios, sai em média por 1.300 dólares, quase o mesmo preço de um programa similar na vizinha Bariloche, na Argentina, ou no Valle Nevado, no Chile.
Depois da Austrália, o Brasil é hoje o
país que mais manda turistas para Aspen, uma charmosa
cidadezinha de construções vitorianas encravada no meio
das montanhas do Estado do Colorado, a 4.000 metros de
altitude. Nesta temporada, que começa em dezembro e vai
até fevereiro, as operadoras de turismo estimam que
15.000 brasileiros estarão voando em busca da neve fofa
da região. É o triplo de cinco anos atrás e 25% mais
que no ano passado (veja quadro ao lado). Esses
números são uma surpresa. Há quinze anos, Aspen já
era a queridinha dos americanos, mas pouquíssimos
brasileiros se aventuravam por lá. O apresentador de
televisão Luciano Huck foi um dos que conheceram Aspen
naquela época. Ainda criança, ia com os pais esquiar
nas pistas, que estão entre as melhores do mundo.
"Quase não tinha brasileiro", lembra.
"Agora é uma invasão."
O interesse da classe média pela estação começou em 1993, quando a Aspen Skiing Company, a companhia que administra o turismo na região, decidiu fazer uma agressiva campanha de divulgação no Brasil. Foi a partir daí que os brasileiros começaram a perceber que esquiar nos Estados Unidos não era um programa só para ricos e famosos. Ao contrário. "Há acomodações para todo tipo de turista, da mais simples à mais luxuosa, mas tudo com o maior conforto", garante Heloísa Levy, dona da Interpoint, uma das maiores operadoras de turismo de São Paulo.
Para agradar à brasileirada, a pequena cidade já mudou até seus hábitos. Os restaurantes, que antigamente fechavam por volta das 21 horas, passaram a ficar abertos até tarde da noite. As empresas contrataram instrutores de esqui que falam português ou pelo menos tentam. Além dos americanos, que fazem cursos rápidos do idioma, há muitos instrutores argentinos e chilenos que trabalham por lá e se viram com um desajeitado portunhol. O brasileiros também fazem a festa das 3.000 lojas da cidade, onde é possível encontrar de tudo. "Eles compram muito mais que qualquer outro turista", afirma Maureen McDonald, da Aspen Skiing Company.
Consuelo Dieguez
Copyright © 1998, Abril
S.A. |