Chuva de luzes

Meteoros da cauda de um cometa produzem show no céu

Na madrugada da última terça-feira, milhões de pessoas em todo o mundo fizeram vigília para acompanhar um espetáculo que só vai repetir-se daqui a três décadas. Durante horas, o céu ficou salpicado de riscos luminosos. Era uma chuva de meteoros avistada quando a cauda do cometa Tempel-Tuttle passou pela órbita da Terra. As partículas liberadas pelo cometa entraram na atmosfera terrestre a uma velocidade de 250.000 quilômetros por hora. Dependendo do local onde estava o observador, foi um show inesquecível, que se repetiu nas noites seguintes. Nas Ilhas Canárias, na costa oeste africana, foram avistadas mais de 2.000 faíscas no céu no intervalo de uma hora. Ainda assim, não chegou aos pés do espétaculo ocorrido na última vez em que esse cometa cruzou a órbita da Terra, em 1966. Naquele ano, em alguns pontos do planeta foram registrados 150.000 meteoros por hora.

Fantasmas cósmicos — Cometas são corpos errantes no firmamento. Uma teoria muito aceita pelos cientistas diz que são lixo espacial remanescente da formação do Sol e seus planetas, 5 bilhões de anos atrás. Milhões desses fantasmas cósmicos costumam ficar inertes na chamada Nuvem de Oort, uma região gelada e escura situada nos limites do sistema solar, além da órbita de Plutão. De vez em quando, o puxão gravitacional de um planeta ou mesmo de uma estrela vizinha faz com que um deles se precipite em direção ao Sol, descrevendo uma longa órbita elíptica que o faz viajar entre os planetas. À medida que se aproximam do Sol, os cometas liberam quantidades colossais de partículas de poeira e gelo, produzindo a cauda luminosa que os caracteriza. Alguns, no entanto, são tão velhos que já perderam a maior parte da massa. Tornam-se objetos quase invisíveis. Esse é o caso do Tempel-Tuttle, cuja cauda é formada por partículas tão dispersas que só brilham quando se chocam com a atmosfera de um planeta.

"Os minerais da poeira do cometa que vemos como riscos de luz têm o tamanho de um grão de areia e diferentes composições químicas", afirma Domingos Bulgarelli, astrônomo da Fundação Planetário do Rio de Janeiro. Para quem está na Terra, eles não oferecem risco porque o atrito com a atmosfera pulveriza as partículas. No espaço, a situação é outra. "As partículas podem furar um satélite ou alterar circuitos eletrônicos", diz o astrofísico Ramiro de la Reza, do Observatório Nacional. Técnicos do mundo todo se precaveram e manobraram os 600 satélites que estão em órbita para longe do perigo antes da "chuva".




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