Ninho gigante

Cientistas descobrem na Patagônia ovos com
embriões de um dos maiores dinossauros da Terra

Uma descoberta sensacional, revelada na semana passada, ajuda a desvendar um pouco mais o mundo dos dinossauros — os gigantescos e misteriosos seres vivos que povoaram a Terra até cerca de 65 milhões de anos atrás. Paleontólogos anunciaram ter achado na Patagônia argentina ovos fossilizados de saurópodes, um tipo de dinossauro quadrúpede, com cauda e pescoço longos, cabeça pequena e pernas atarracadas. Com o tamanho de ovos de avestruz, eles têm entre 70 e 90 milhões de anos. No seu interior havia restos de embriões, como fragmentos de ossos, dentes e pedaços de pele. Os dentes, em formato de lápis, indicam que são de alguma espécie de titanossauros, da família dos brontossauros, os maiores dinossauros que já existiram. Eram, portanto, parentes do braquiossauro, bicharocos com 13 metros de altura, 20 de comprimento e peso equivalente ao de oito elefantes africanos. Seriam, contudo, de um tipo um pouco menor, que na idade adulta atingia no máximo 15 metros de comprimento.

A paleontologia, ramo da ciência que se dedica a estudar os fósseis, é uma das áreas do conhecimento que mais têm ajudado a esclarecer o passado da Terra. Uma parte considerável das descobertas está relacionada aos dinossauros. Graças a escavações em vários lugares do planeta, os cientistas têm encontrado evidências que começam a revelar um pouco mais como era a vida desses animais. Há quatro meses, por exemplo, pesquisadores que trabalham em escavações num lago seco na província de Liaoning, na China, identificaram restos de um dinossauro chamado de Caudipteryx zoui, que viveu há 140 milhões de anos. Com pernas longas e cauda plumada, misto de dinossauro com pássaro, ele se tornou o sinal mais evidente de que as aves podem ter-se originado da evolução desses répteis pré-históricos. Há duas semanas, a National Geographic Society, fundação americana voltada para o estudo das ciências naturais, concluiu a montagem do esqueleto de um novo tipo de dinossauro descoberto no ano passado em Níger, no centro-oeste da África. Batizado de Suchomimus tenerensis, era um bípede maior em tamanho que um Tiranossauro rex e dotado de uma cabeça semelhante à do crocodilo. Pelos seus dentes, curvos no formato e relativamente frágeis, os pesquisadores concluíram que esse animal de aspecto terrível era inofensivo para os outros seres terrestres: alimentava-se de peixes.

Grandes lagartos — Antes da descoberta anunciada na semana passada, ovos de dinossauros já haviam sido localizados em escavações na China e em países da África, da Europa e das Américas. Nenhum deles, contudo, era de saurópodes, como os encontrados na Argentina. Mesmo nos lugares onde foram achados muitos fósseis desse tipo de dinossauro, não havia sinal algum de que eles se reproduziam como répteis. Isso fez com que muitos cientistas defendessem a idéia de que os saurópodes teriam sido os primeiros mamíferos da Terra. Agora se sabe que eles punham ovos como qualquer um dos grandes lagartos de seu tempo. Os louros da descoberta cabem aos cientistas do sítio paleontológico de Auca Mahuevo, em Neuquén, uma região do Deserto da Patagônia. Ali, eles depararam com um verdadeiro depósito de ovos de saurópodes. Mal podiam caminhar sem tropeçar em algum. "Por todo lugar que olhávamos havia cascas de ovos", diz um dos coordenadores da pesquisa, Luis Chiappe, paleontólogo do Museu Americano de História Natural.

Uma das coisas que espantaram os cientistas foi o estado de conservação dos ovos e dos seus embriões. Pela primeira vez, foi possível ver como era a pele de um dinossauro em estado embrionário: uma camada rugosa que lembra o couro do crocodilo. Supõe-se que o lugar onde eles se encontravam foi atingido por uma enxurrada. Mumificados dentro da lama, teriam sido preservados por tanto tempo. A descoberta em Neuquén poderá ainda esclarecer outros detalhes nebulosos a respeito da existência dos saurópodes. Os cientistas imaginavam, por exemplo, que esses megadinossauros eram animais sedentários. O achado na Patagônia, porém, indica que, provavelmente, eles fossem animais nômades. "Ainda não há evidências suficientes de que os dinossauros agiam mesmo desse modo", diz o paleontólogo Kenneth Carpenter, do Museu de História Natural de Denver. "Mas é muito possível que eles migrassem para fazer ninhos e procriar."




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