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ReligiãoNovos mártiresCresce nos Estados Unidos movimento em O crime horroroso ocorreu em Nowshera, no Paquistão, na semana passada: uma família de nove pessoas, incluindo dois bebês, foi morta a golpes de enxada. Como os assassinos deixaram escrita com sangue a frase "Fim da magia negra em Nowshera", a polícia acredita que os membros da família foram chacinados por ser cristãos, minoria ínfima entre os 120 milhões de muçulmanos do país. A idéia de que cristãos são perseguidos por causa da fé soa inusitada às vésperas do terceiro milênio, com o comunismo morto e enterrado mas episódios como o de Nowshera estão alimentando uma formidável mobilização nos Estados Unidos. O movimento, de origem conservadora e ancorado na tese básica de que pelo menos 200 milhões de cristãos são perseguidos em 70 países, a maioria deles de muçulmanos, mostrou vigor no domingo 15, quando mais de 50.000 igrejas e templos participaram do Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida. Gente demais para ser ignorada. Tanto que no mês passado o presidente Bill Clinton sancionou a contragosto a lei que obriga o governo americano a adotar ações contra países denunciados por perseguição religiosa. A campanha que irrita a diplomacia americana por "criar uma hierarquia artificial de direitos humanos", segundo a secretária de Estado, Madeleine Albright nasceu dos setores duros do fundamentalismo cristão, que batalham pelo ensino da teoria da criação divina nas escolas públicas, mas já mobiliza igrejas protestantes tradicionais e também os católicos. Reunir sob a mesma bandeira confissões que divergem profundamente em outros assuntos, como aborto e homossexualismo, é quase um milagre ecumênico, sobretudo por se basear numa tese de comprovação duvidosa, de que há uma ameaça em escala mundial à fé cristã. Igrejas queimadas O cristianismo tem mais seguidores do que qualquer outra fé no planeta. As perseguições localizadas, no entanto, são incontestáveis. O exemplo mais brutal ocorre no Sudão, onde o governo fundamentalista islâmico promove uma guerra de extermínio contra a população cristã e animista do sul. No Paquistão, há casos de igrejas queimadas e pessoas presas por blasfêmia contra o islamismo. Só nas últimas duas semanas, a China prendeu 140 evangélicos que teimavam em rezar em templos não autorizados pelo governo. Para complicar, são comuns os casos de cristãos perseguidos por cristãos, sobretudo onde o movimento evangélico rouba fiéis de igrejas tradicionais. Por iniciativa da Igreja Ortodoxa, a Rússia proibiu novas seitas cristãs. As perseguições costumam decorrer de uma complexa mistura de rivalidades tribais, políticas, econômicas e religiosas. Em geral, países que impedem a liberdade de culto também violam outros direitos humanos. Essa dificuldade de caracterizar a perseguição aos cristãos é uma das razões que mantêm o movimento confinado às fronteiras americanas. No início do mês, depois de ler sobre a campanha na Internet, o pastor luterano Gilvan de Azevedo levantou o assunto na reunião do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, Conic, que reúne a Igreja Católica Apostólica Romana e congregações protestantes históricas. O impacto foi mínimo. "Devemos ter cuidado com essa campanha", diz o secretário-geral do Conic, o luterano Ervino Schmidt. "Todos os credos devem ser defendidos. Não apenas os cristãos."
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