As fitas e o interesse público

Mendonça de Barros:
irregularidades
nos bastidores
Foto: Ana Araujo  

Na semana passada, VEJA publicou, em primeira mão, trechos das duas fitas do grampo no BNDES enviadas pelo governo para investigação na Polícia Federal. Na segunda-feira, ao tentar explicar-se, o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, distribuiu uma nota com acusações a VEJA. São afirmações que a revista repudia.

O ministro acusa VEJA de utilizar fitas obtidas por escuta ilegal dos telefones do BNDES.

No momento em que a revista ouviu e transcreveu as duas fitas, elas já haviam sido remetidas do Palácio do Planalto à Polícia Federal, onde estão sendo oficialmente investigadas. As fitas são portanto documentos que instruem processo na PF.

Segundo a nota de Mendonça de Barros, a reportagem de VEJA "induz o leitor a considerar como ilegítima a ação desenvolvida pelo presidente do BNDES e o ministro das Comunicações".

A matéria de VEJA não fez julgamento do trabalho do BNDES ou do ministro, considerando que as próprias declarações gravadas de Mendonça de Barros são suficientemente eloqüentes quanto a isso.

O ministro alega que as conversas foram editadas de forma a sugerir que teria havido favorecimento do consórcio liderado pelo Banco Opportunity.

VEJA limitou-se a reproduzir os diálogos na forma como aparecem nas fitas. Deixou isso muito claro a seus leitores ao explicar que os trechos reproduzidos fazem parte de um conjunto que teria, supostamente, 27 fitas diferentes. A revista também informou que as gravações continham "longos espaços em silêncio, sugerindo que pode ter havido trechos apagados".

VEJA cumpriu sua função de divulgar informações de evidente interesse público. Conforme se depreende do conteúdo das fitas e também do depoimento de Mendonça de Barros ao Senado, na quinta-feira, o ministro agiu de forma absolutamente irregular — por melhores que fossem suas intenções. Após o depoimento, muitos senadores governistas sugeriam sua demissão.




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