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Banidos do paraíso

Igreja Católica proíbe a gravação
de cena
da novela Laços de Família
em seus altares

Marcelo Camacho


Gianecchini e Carolina: os personagens não acham igreja para se casar

No capítulo de quarta-feira passada da novela Laços de Família, da Globo, a personagem Camila (Carolina Dieckmann) reclamou a certa altura de ter passado uma tarde inteira procurando igreja para o seu casamento com Edu (Reynaldo Gianecchini). E a procura da menina está mesmo para lá de difícil. É que a Igreja Católica resolveu fechar as suas portas para o casalzinho. Não na ficção, mas na vida real. O autor da trama, Manoel Carlos, queria que a cerimônia fosse gravada no tradicional Outeiro da Glória, na Zona Sul carioca, ou na Candelária, no centro da cidade. Só que a Arquidiocese do Rio se negou a dar permissão. Isso porque, segundo a assessoria do cardeal-arcebispo dom Eugênio Sales, Laços de Família "tem problemas de valores morais e violência". Mesmo sem ser consultada, a Arquidiocese de São Paulo também entrou no qüiproquó. "Não emprestaríamos nossas igrejas para essa novela", diz monsenhor Arnaldo Beltrami, porta-voz do arcebispo dom Cláudio Hummes. Ele acha que a trama de Manoel Carlos está cheia de maus exemplos.

De fato, há personagens polêmicos. Uma prostituta simpática, Capitu, trabalha para sustentar o padrão classe média da família. Um cafajeste bon vivant, Danilo, vai engravidar a empregada. Helena e Camila, mãe e filha, disputavam o mesmo homem, Edu. A menina, que está gr&da, é quem vai se casar com ele. Os padres não gostam de nada disso. Para a Igreja Católica, vale lembrar, sexo só pode ocorrer depois do casamento. Mesmo assim, com fins de procriação. Se fosse para levar a ferro e fogo, toda e qualquer novela brasileira deveria ser censurada pela Igreja, já que sexo é um dos principais ingredientes nas tramas de todas as emissoras. Para as autoridades católicas, porém, Laços de Família não é uma novela qualquer. "Ela tem a palavra 'família' no título, mas está esculhambando essa instituição, tão importante para nós", explica monsenhor Beltrami, que aconselha os católicos a fazer uma leitura crítica do folhetim, seja lá o que isso for. Curiosamente, a novela tem mais poder de incomodar do que a inobservância dos preceitos religiosos na vida real. A atriz Isabel Fillardis, por exemplo, casou-se grávida de seis meses, duas semanas atrás. Onde? Na Igreja da Candelária, uma das que tiveram suas portas fechadas para as gravações da Globo.

Católico e ex-seminarista, Manoel Carlos acha que a Igreja resolveu pegar uma carona no sucesso de seu trabalho, que está com a excelente média de 45 pontos de audiência. A Globo diz que respeita o direito da instituição de não ceder seus espaços. Mas resolveu bater perna atrás de uma alternativa. O diretor Ricardo Waddington encontrou uma igreja que não é ligada à Arquidiocese do Rio e vai gravar lá as cenas do casamento de Edu e Camila, previsto para ir ao ar daqui a um mês. Mas seria preciso um torturador da Inquisição para fazê-lo divulgar o endereço do lugar.

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