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Ameaça de opressão

Megaempresas põem em risco a
pouca concorrência que ainda
existe no mercado do petróleo

Denise Ramiro

Até pouco tempo atrás, a fusão entre empresas que operam numa mesma área parecia ser um sinal evidente de progresso. Quanto maiores as companhias operando em escala global, menores seus custos e maior sua eficiência – o que redundaria em mais fartura de produtos e redução de preço. Agora a coisa já não parece tão simples. Há uma discussão sobre as vantagens e desvantagens das megacorporações para o bom funcionamento da economia mundial. Na semana passada, dois desses supernegócios foram anunciados. Um deles é o casamento entre as titãs espanholas Iberdrola e Endesa, que operam com geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, gás, água e telecomunicações e têm investimentos na América Latina. Valor do negócio: 13 bilhões de dólares. O outro, mais impressionante, uniu duas das maiores petrolíferas do mundo, as americanas Chevron e Texaco, que passaram a formar uma corporação avaliada em mais de 100 bilhões de dólares. Com essa fusão, o universo das empresas produtoras de petróleo fora do mundo árabe ficou restrito a cinco gigantes. Restam quatro outras de tamanho razoável, a Petrobras entre elas.

Para se concretizarem, as fusões ainda dependem da aprovação dos organismos que policiam a concorrência no mercado nos Estados Unidos e na Europa. E o humor desses organismos não anda muito bom. Nos Estados Unidos, com o processo contra a Microsoft, produtora de programas de computador, por abuso de poder econômico, a resistência a companhias grandes demais aumentou muito. Na Europa, o preconceito contra essas gigantes é enorme. Nos últimos dez anos, treze fusões foram desfeitas por ordem da Comissão Européia. O momento é especialmente ruim para casamentos de petrolíferas. Isso porque o preço do petróleo disparou nos últimos meses. O planeta, cuja economia depende muito do óleo, está refém da Opep, o cartel dos exportadores de petróleo controlado pelos árabes. Se do outro lado se formar uma rede de acordos entre empresas do Ocidente, a competição no campo petrolífero estará virtualmente encerrada.

Para se ter uma idéia do problema, a Texaco mantém vários acordos comerciais e de refino com a Royal Dutch/Shell e a árabe Aramco nos Estados Unidos, o que forma uma rede de poder muito maior do que se percebe observando os números da empresa. A Chevron-Texaco ocue; a quarta colocação no ranking mundial dos produtores de petróleo e gás. Controlará campos no Mar do Norte, no Golfo do México, na África e no Brasil. As cinco maiores produtoras do mundo fornecem cerca de 15% do óleo consumido no mundo. Os árabes têm 40%. O pesadelo é a hipótese de se ter de comprar petróleo a conta-gotas, a preço de diamante, para movimentar fábricas, transportar produtos e pessoas e aquecer casas no duro inverno do Hemisfério Norte. Há uma única vantagem no agigantamento das companhias que extraem petróleo fora do Oriente Médio. É que resta muito pouco óleo em locais de fácil acesso. O custo da extração em mares profundos é muito alto e não é uma empreitada compensadora para empresas pequenas. "Vistas desse ângulo, as fusões até que são positivas. Especialmente porque o mundo será menos dependente da ciclotimia dos árabes. O problema é garantir que não haja abusos", diz Edmilson dos Santos, professor do programa de energia da Universidade de São Paulo.

 

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