A lição
de Covas
O
governador enfrenta o câncer
novamente e não
esconde do
eleitor que a doença é grave
Rodrigo
Vergara
JJ. Leister/AE
 |
| O
governador de São Paulo, Mário Covas, ao saber
do nódulo: "Vou à luta" |
Os médicos especializados no tratamento do câncer dizem
que, num primeiro momento, os pacientes costumam entrar em estado
de choque quando são informados de que a doença voltou.
Alguns falam em interromper o tratamento. Outros tentam esconder
o quadro da família. Há os que se fecham em casa,
entram em depressão profunda. Essa fase inicial pode levar
dias, semanas ou até meses. Foi diferente com o governador
de São Paulo, Mário Covas. Ele já havia demonstrado
grande disposição em 1998, quando enfrentou um grave
tumor na bexiga. Na terça-feira da semana passada, depois
de receber a notícia de que o tumor voltou, os médicos
disseram que sua primeira frase foi: "Vou à luta". Em seguida,
ele mandou que todas as informações fossem dadas aos
jornalistas. Dois dias após ter sido informado da doença,
Covas fez questão de tratar do assunto de forma bem-humorada
em uma cerimônia na sede do governo: "Eu esperava uma festa
mais alegre por aqui. Eu não vou morrer, não, façam
o favor de botar um sorriso na cara", disse.
O
nódulo cancerígeno situado na bexiga do governador
era de uma espécie que ataca principalmente os fumantes,
vício que Covas carregou por quarenta anos. O órgão
foi retirado e reconstruído com tecido do intestino. As chances
de cura foram estimadas em 30%. O novo tumor foi localizado no reto,
colado à nova bexiga. Já se sabe que surgiu por causa
de resquícios do nódulo anterior. A agressividade
de um tumor é medida em quatro graus. O grau um é
o menos perigoso, o quatro, o pior deles. O câncer que afeta
o governador é do mesmo tipo do anterior, grau três.
Só depois que todos os exames forem feitos, os médicos
poderão definir o tratamento mais adequado para a doença.
Segundo
especialistas, a cirurgia seria a melhor opção de
tratamento para o governador. Nesse caso, seria preciso retirar
a parte contaminada do intestino e emendá-lo. Há casos
em que a emenda é impossível, o que condena o paciente
a usar uma sonda para evacuar. Se o câncer tiver atingido
a nova bexiga, o órgão deve ser retirado de vez. A
urina, então, seria desviada para o intestino ou para uma
sonda. A cirurgia é mais arriscada em pessoas de idade avançada
(Covas tem 70 anos) e com histórico cardíaco (o governador
é safenado). A quimioterapia, outro tratamento clássico,
aparentemente não é a mais adequada ao governador.
Entre 1998 e 1999, após a cirurgia que extirpou o câncer
na bexiga, Covas foi submetido a três sessões de quimioterapia.
Ela consiste em injetar no organismo substâncias que atacam
qualquer tipo de célula que se multiplica velozmente. O problema
é que as células que agridem o organismo já
resistiram a essas armas, o que reduz a eficácia de um novo
ataque. Covas disse que só decidiu uma coisa. Vai se tratar
em São Paulo. "Não faz sentido, ainda mais para o
governador do Estado, ir para o exterior quando se tem aqui centros
de excelência."

Saiba
mais |
|
|
|
|