Pequenas
florestas
O jardim tropical sai do quintal
e invade todos
os cantinhos bem iluminados dos apartamentos
Bel Moherdaui
Luis Roberto Pereira
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Pedro Rubens
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Pedro Rubens
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Árvores e bromélias na varanda, palmeiras e bromélias no banheiro,
e outro tanto na sala: quanto mais cara de trópicos, melhor
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Um
novo tropicalismo dissemina-se pelo país. Como na versão
musical, não tem preconceitos e mistura elementos nativos
a outros, alienígenas. Alguns dos mais conhecidos: palmeiras,
bambus e bromélias, muitas bromélias. Eles compõem
a receita básica dos jardins internos, que, acompanhando
a tropicalização do paisagismo nos últimos
tempos, estão fincando as árvores e flores da mata
dentro das casas. Em Holambra, cidade a 140 quilômetros de
São Paulo que é a maior produtora nacional de flores,
a procura por bromélias, a estrelíssima das últimas
temporadas, mais que dobrou em um ano: a cooperativa local vende,
em média, 10.000 vasos por semana da planta, originária
da Mata Atlântica. No departamento de árvores e afins,
as palmeiras metade nativas, metade cultivadas aqui, mas
originárias da Ásia e África têm
a companhia de pitangueiras e jabuticabeiras. Misturem-se a isso
os bambus (de preferência o grande, sinuoso e orientalíssimo
mossô), as orquídeas e as helicônias (outra favorita,
parecida com a bananeira, que dá flores esplendidamente coloridas),
forre-se a superfície do jardim com uma boa camada de seixos
e o resultado é um estilo tipicamente brasileiro de decorar
com o verde, um neotropicalismo vegetal.
Composto com algum critério, o mais modesto canteiro ganha
personalidade, combina com ambientes de decoração
moderna e ainda por cima tem estirpe da qual se orgulhar. "O jardim
tropical é uma característica do paisagismo brasileiro.
Começou na década de 30, com o mestre Burle Marx",
diz Silvio Soares Macedo, professor de paisagismo da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, a FAU.
"Se não chega à importância das consagradas
escolas francesa e inglesa, é reconhecido como uma nova forma
de expressão nos trópicos." Feitos com plantas resistentes,
fáceis de manter e adaptadas ao clima da maior parte do país,
os jardins tropicais são perfeitos para os espaços
cada vez mais reduzidos das grandes cidades. Proliferam, assim,
nos apartamentos os cantinhos plantados nas sacadas, na sala,
até nos banheiros, onde uma plantinha hoje em dia é
indispensável. Por causa da moda, as plantas nativas agora
têm tratamento vip nos viveiros e não lembram em nada
as samambaiazinhas raquíticas de antigamente. "Antes, a pessoa
comprava uma planta no vendedor da esquina e reclamava que ela não
ia para a frente. Claro que não ia. Ela tinha sido arrancada
ali mesmo e plantada num vaso, sem raiz! Tanto quem planta quanto
quem cultiva tem hoje muito mais consciência", afirma o paisagista
paulista Roberto Riscala.
Mas nem tudo são flores ou consciência
na onda dos jardins tropicais que se espalha pelas casas mais caprichadas.
Por causa dela, matas nativas são vasculhadas em busca de
flores, e nessa caça as bromélias, das quais o Brasil
tem 1.700 das cerca de 3.000 espécies conhecidas, são
as vítimas preferenciais. Por lei, só o comércio
de bromélias cultivadas em viveiros é permitido; extraí-las
da mata é ato punível com apreensão da planta
e multa que pode chegar a 50.000 reais. Obviamente a fiscalização
é mínima e a extração de mudas nativas
corre solta. Quanto mais exótica e rara a espécie,
maior a procura, e algumas estão sob ameaça de extinção
ou quase, como a magnífica Alcantarea imperialis,
que chega a 4 metros de altura. Pior: só encantam o comprador
na hora, pois, no vaso, morrem logo. "Uma planta do mato dentro
de casa, se durar um mês, é muito", avisa o juiz carioca
Elton Leme, que pesquisa bromélias há 25 anos e é
membro da Sociedade Brasileira de Bromélias. Com tantas opções
de plantas cultivadas, nem é preciso fazer uma bobagem dessas
para ter em casa um pequeno esboço de floresta.
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