Airbus
vence a Boeing
Empresa
européia supera concorrente
americana no mercado de superjatos
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| O
novo 747: liderança de trinta anos está seriamente
ameaçada |
Nas
últimas três décadas, a empresa americana Boeing
manteve uma liderança tão folgada no mercado de superjatos
que seu principal produto, o 747-400, também conhecido como
Jumbo, se tornou sinônimo de avião de grande porte.
Esses tempos de velocidade de cruzeiro acabaram. A concorrente européia
Airbus está comemorando um acordo de 8,6 bilhões de
dólares com a Singapore Airlines. Uma das maiores operadoras
de rotas comerciais do mundo, a Singapore resolveu comprar 25 unidades
da principal jóia da coroa da Airbus, o modelo A3XX. Esse
projeto nasceu justamente para atropelar a rota dos 747 da Boeing.
Com uma configuração interna onde cabem 522 passageiros,
uma miniacademia de ginástica e até um cassino, o
transatlântico aéreo da Airbus ainda não saiu
da prancheta. Os primeiros devem ser entregues só a partir
de 2006. É uma aposta tão ambiciosa que muitos julgavam
difícil viabilizá-la comercialmente. O anúncio
da Singapore é o primeiro sinal de que o negócio tem
futuro. Já existe uma expectativa de que, em breve, outros
clientes em potencial, como a British Airways e a Lufthansa, também
anunciem sua preferência pelo A3XX. Com isso, a previsão
de encomendas desse avião até 2009 já é
de 86 unidades, contra 82 do 747X, a nova e mais incrementada versão
do Jumbo da Boeing. "Estamos perto de uma grande virada", comemora
Noël Forgeard, o principal executivo da Airbus.
Os
europeus precisam gastar 11 bilhões de dólares para
fazer decolar a linha de produção do A3XX e vender
665 unidades do projeto nos próximos vinte anos. Os executivos
da Boeing espalham que essa conta tem poucas chances de fechar.
Eles calculam que o mercado de superjatos comportará espaço
para, no máximo, 350 aviões do tipo nos próximos
anos. Por isso, adotaram uma estratégia de investimentos
mais conservadora. Apenas anunciaram uma remodelação
do Jumbo, batizando-o de 747X. A entrega das primeiras unidades
deve ocorrer a partir de 2005, a um custo de 200 milhões
de dólares. Além de projetar no horizonte um mercado
muito menor do que o imaginado pela Airbus, a empresa americana
acha que os concorrentes enfrentarão outros problemas graves.
Para comportar pousos e decolagens do gigantesco A3XX, os aeroportos
precisam investir milhões de dólares em reformas nas
pistas. A incrível capacidade de passageiros do avião
também limitará seu uso somente nas rotas muito movimentadas.
Fora desse circuito, informa a Boeing, o Airbus é prejuízo
na certa. Por fim, enquanto os concorrentes europeus criaram uma
espécie de camisa-de-força, canalizando uma fortuna
para o projeto do superjato, os americanos estão preferindo
reduzir custos na linha de produção. Se o futuro do
mercado de aviação demonstrar que esse tipo de economia
é mais importante que o investimento em novas tecnologias,
a Boeing pode recuperar em breve a liderança no ar.
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