Um
som milionário
Acordo entre a indústria fonográfica
e o site MP3.com pode acabar com
a farra da música grátis na web
Xico Buny
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Por 30 milhões de dólares, a NMPA, a entidade americana
que cuida dos direitos autorais de 150.000 músicos, fez um
acordo histórico na semana passada. O serviço de internet
MP3.com finalmente aceitou pagar às gravadoras pelo direito
de distribuir músicas on-line. Foi uma vitória dos
defensores da idéia de que a internet não revogou
os direitos autorais dos compositores. Por enquanto, o pacto só
não foi ratificado pela Seagram. As outras quatro grandes
gravadoras, Warner, Sony Music, BMG e EMI, aceitaram a quantia oferecida
pelo MP3.com. Para que entre em vigor, o contrato terá de
ser assinado ainda por cerca de 700 agentes representantes dos milhares
de músicos associados à NMPA. "Pela primeira vez,
a comunidade artística recebe uma boa notícia da internet.
O acordo atual é um marco nas relações dos
criadores com os canais de distribuição on-line",
disse Edward Murphy, presidente da NMPA. Do lado do MP3.com também
havia motivo para comemorações. Sem um acerto com
a entidade de defesa dos músicos, o serviço on-line
corria o risco de pagar uma multa quase dez vezes maior caso fosse
condenado no processo que corre na Justiça de Nova York.
O acordo engaveta o processo. Ele também libera para distribuição
no site da MP3.com cerca de 1 milhão de canções,
entre elas as de Madonna e da banda Metallica, os artistas que mais
estrilaram contra a farra da música de graça na internet.
A batalha foi ganha. Mas há muita guerra pela frente. O verdadeiro
front do conflito provocado pela distribuição on-line
gratuita de músicas gravadas no formato MP3, que tem qualidade
de CD, é outro serviço: o já legendário
Napster. Por enquanto, as gravadoras não sabem sequer como
avaliar o dano que o Napster lhes causa. Perto dele, o MP3.com é
uma operação inofensiva. Antes mesmo do acordo com
as gravadoras, o serviço só permitia que os usuários
tivessem acesso a músicas cujos CDs eles tivessem antes comprado
nas lojas. Ou seja, havia algum tipo de controle que exigia uma
compra. Totalmente grátis, o Napster é teoricamente
uma operação que não pode ser controlada. A
razão é simples. Ele não guarda músicas
em seus computadores centrais. O Napster simplesmente facilita que
milhões de pessoas em todo o mundo troquem entre si músicas
que têm gravadas nos próprios PCs. Numa analogia, ele
funciona apenas como um galpão em que colecionadores se reúnem
para permuta de selos ou moedas raras. Bem, através do Napster
e de dezenas de programas semelhantes, quase 2 milhões de
canções circulam livremente na rede, fora do alcance
das leis de defesa dos direitos autorais. No jargão da internet,
o MP3.com é uma operação B2C, sigla em inglês
para business to client, ou seja, um serviço
centralizado que distribui conteúdo pela rede. O Napster
é o que se chama P2P, em inglês peer to peer,
ou "de colega para colega". Justamente por ser uma ação
entre amigos, o Napster hipnotiza os adolescentes de todo o mundo.
Seu criador, Shawn Fanning, um americano que mal completou 19 anos,
ganhou o status de herói da juventude.
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