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É permitido matar

Ibama decide exterminar mais de 15 000
búfalos em reserva ecológica de Rondônia

 
Paulo Jares

Manada selvagem: as fêmeas serão abatidas primeiro

Os técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tomaram uma decisão drástica na semana passada: condenaram à morte 15.000 búfalos que vivem numa reserva biológica no Estado de Rondônia. São animais que escaparam de uma fazenda de pecuária experimental há trinta anos e se tornaram selvagens. A decisão, inesperada num órgão cuja missão é proteger a fauna e a flora nacional, explica-se por dois motivos. Primeiro, o búfalo é um animal doméstico de origem estrangeira e, portanto, sem direito à proteção. Segundo, porque as manadas estão destruindo o habitat de dezenas de espécies nativas, entre elas a onça-pintada e o cervo-do-pantanal. O plano é organizar expedições de caçadores interessados em matar os búfalos e exterminá-los completamente.

A decisão da matança foi tomada como último recurso, já que fracassaram todas as tentativas feitas até agora para expulsar os búfalos da Reserva Biológica do Guaporé. Os animais estão espalhados em 600.000 hectares de paisagens muito diversificadas, com áreas inundáveis típicas do Pantanal, da Floresta Amazônica e do cerrado. A estimativa é de que serão necessários até dez anos para acabar com a manada de búfalos. Os critérios para abate serão precisos. "Não vai ter nenhum aventureiro dando tiros de calibre 38 nos animais", explica Fernando Dal'Ava, coordenador da Divisão de Fauna e Flora do Ibama. Primeiro, os caçadores especializados em animais de grande porte atirarão contra as fêmeas. Depois, será a vez dos machos e, no fim, dos filhotes. Além de matar os búfalos, os participantes dessas caçadas, recrutados em clubes de tiro e caça, terão de esquartejar e salgar a carne dos animais no próprio local, para que ela possa ser consumida. A intenção do Ibama é doar tudo às populações carentes da região.


Luis Veiga

Ilhéu com par de tejus em Fernando de Noronha: lagarto trazido do sertão


O mesmo tipo de abate com fins ecológicos pode repetir-se em outros santuários naturais do país. O Arquipélago de Fernando de Noronha é um desses lugares. Lá, um tipo de lagarto trazido do semi-árido nordestino prolifera vertiginosamente, sem ter nenhum predador. Acredita-se que o réptil, chamado teju, esteja se alimentando de ovos de tartaruga marinha e de aves, pois o bicho come tudo o que tem pela frente. Eles foram levados para Fernando de Noronha para combater os ratos que infestam o lugar, mas não deu certo porque os répteis caçam de dia e os ratos só saem à noite. Não se sabe ainda quantos tejus existem nas ilhas, mas estudos em andamento indicam que a densidade populacional desses répteis é maior do que qualquer outra no continente. No Parque Nacional de Brasília, a apenas 9 quilômetros da capital, a praga ecológica são os 3.000 cães selvagens que tomaram conta da área. Descendentes de cães domésticos que fugiram para o mato, boa parte desses animais nunca teve contato com o homem e agora dizima antas, capivaras, veados e tatus do local. Os vigilantes do parque já estão autorizados a atirar caso sejam atacados e os pesquisadores estão esterilizando os animais. "Por enquanto não queremos acabar com eles", diz Elmo Monteiro, gerente do parque. "Mas precisamos fazer algo antes que só sobrem planta e cachorro por aqui."

 
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