Geral Tecnologia

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Pesquisa revela hábitos sexuais da população mundial
A anorexia não atinge somente as meninas
A exposição das fotógrafas da National Geographic
A nova geração de robôs
O dia do personal trainer
Brasileiro é sucesso no skate nos EUA
Os problemas do melhor cozinheiro do mundo
Ibama organiza o abate de 15 000 búfalos em Rondônia
Acordo pode acabar com a farra da música grátis na web
Airbus ultrapassa a Boeing no mercado dos superjatos
Jardim tropical dentro do apartamento
Nova cirurgia regenera coração enfartado
A volta do cancêr de Mário Covas
Neozelandês que teve mão implantada quer decepá-la
A primeira grande pesquisa sobre a internet no país
O Brasil da Montblanc ao Porsche
Depois da GM, agora é a Fiat que faz recall
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Robo sapiens,
uma nova geração

Componentes eletrônicos mais baratos
dão impulso às pesquisas robóticas
e ajudam a criar o futuro

Bia Barbosa

 
Fotos Peter Menzel
Na Sally Corporation, empresa americana sediada na Flórida, o objetivo é criar um rosto artificial perfeito, capaz de reproduzir as expressões humanas. Alguns modelos, como este à direita, já sincronizam o movimento dos olhos e da boca com os sons que emitem. Pesquisas semelhantes estão sendo feitas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e na Universidade de Ciência de Tóquio, com máquinas que podem conjugar até nove expressões diferentes, que vão da alegria à surpresa ou à raiva. Os pesquisadores acreditam que conferir atributos humanos às máquinas é essencial para que elas sejam bem-aceitas pelas pessoas. No Japão (foto menor), os cientistas fabricaram um robô capaz de aprender movimentos apenas vendo os seres humanos executá-los. É o DB, ou Dynamic Brain, uma máquina idealizada por engenheiros e neurologistas, que já aprendeu a dançar e até alguns truques de malabarismo.

A realidade é muito diferente dos sonhos dos pioneiros nos anos 50 e 60, que esperavam ver na virada do século XXI as ruas e casas repletas de seres de metal, como nos desenhos da família Jetson. A robótica está realmente entre nós, mas de forma bem mais discreta. Há grande quantidade de máquinas novas, que podem ser programadas por computador ou monitoradas por controle remoto para realizar operações de complexidades variadas – mas nenhuma delas capaz de falar, como Rosie, a empregada de aço dos Jetson. Ainda assim, há uma geração de equipamentos que fazem pequenas maravilhas. Aspiradores de pó automáticos criados pela sueca Electrolux estão sendo testados em barbearias e residências. Movem-se pelo ambiente procurando as áreas mais sujas e aspirando com maior ou menor vigor conforme a quantidade de poeira e resíduos. A alemã Kärcher começa a vender dentro de três meses seu RoboVac, um aspirador de pó capaz de calcular o grau de sujeira e regular de acordo com ele sua capacidade de sucção. Na Alemanha, os técnicos desenvolveram um pequeno robô capaz de locomover-se dentro de tubulações de esgoto para inspeção. Esses são apenas alguns exemplos mais práticos e grosseiros da nova geração de máquinas espertas.

O que se espera de um equipamento robótico de última geração é que seja capaz de captar informações do ambiente em que está e com base nelas tomar decisões autônomas. Essa era a característica mais fascinante do carrinho enviado a Marte pela Nasa, a agência espacial americana, há três anos. O veículo foi capaz de se desviar dos obstáculos e tomar certas decisões, como tirar fotos. Na maioria das vezes, contudo, para o equipamento ser útil basta que obedeça com rigor ao comando explícito do operador humano. Apenas um mês atrás, um robô cirurgião realizou a primeira operação a distância do Hemisfério Sul. Tratava-se de um procedimento simples – uma laparoscopia para eliminação de varizes na bolsa escrotal em um rapaz de 17 anos. O inusitado era estar o paciente instalado numa sala de cirurgia do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e o médico no hospital Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos. Usando um computador portátil, com teclado e mouse normais, o médico comandou de longe o robô cirurgião.

O primeiro lugar encontrado pelos robôs no mundo real foi no chão das fábricas, a partir do final dos anos 50. Braços mecânicos começaram por substituir os operários em tarefas repetitivas, pesadas e muitas vezes realizadas em condições perigosas e insalubres. A vantagem industrial é evidente: os robôs custam menos e são mais precisos que a mão-de-obra humana nessas tarefas específicas. O sucesso na fábrica foi tão espetacular que muita gente previu uma rápida transição para a casa das pessoas. Isso nunca ocorreu. A fantasia da inteligência robótica continuou a ser isso mesmo, uma fantasia.

Ainda assim, nos últimos cinco anos uma série de iniciativas em laboratórios e institutos de pesquisa de vários países produziu algumas máquinas que, mesmo vagamente, podem assemelhar-se a ações coordenadas por alguém que pensa. No curso da pesquisa que resultou num livro recém-lançado nos Estados Unidos, intitulado Robo Sapiens, o fotógrafo Peter Menzel, autor das fotos que ilustram esta reportagem, esquadrinhou mais de cinqüenta empresas e laboratórios no Japão, na Europa e nos Estados Unidos. Neles identificou 67 projetos ambiciosos de robôs, todos eles funcionando. Há desde pequenas aranhas feitas de sucata eletrônica e custo inferior a 1 dólar até robôs que lembram astronautas, cujo preço está na casa do milhão. Alguns impressionam pela capacidade de imitar as expressões do rosto humano. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, tem pronto um robô (apelidado de "Cog") que observa os movimentos humanos e os imita. Ele tem sensores e pequenos computadores nos joelhos e tornozelos que orientam os movimentos. Com isso, os cientistas tentam reproduzir os reflexos típicos de um ser vivo, sem sobrecarregar o computador central, localizado na "cabeça".

O mercado da robótica industrial é relativamente miúdo. Movimenta apenas 4 bilhões de dólares por ano, metade das vendas anuais de CDs musicais. Mas ninguém duvida de que se trata de um negócio de futuro. No momento, centenas de cientistas dos Estados Unidos, Japão e Europa estão empenhados na pesquisa de robôs mais eficientes. Um dos alicerces dessa explosão na pesquisa robótica é a fartura de componentes eletrônicos resultante do desenvolvimento da indústria de computadores. Também conta, e muito, o salto de qualidade dos equipamentos de segurança, com seus sistemas de sensores a raio laser e infravermelho. Até poucos anos atrás, quem trabalhava com robótica precisava criar tudo, da estrutura metálica aos chips e componentes. Hoje, a quase totalidade deles pode ser comprada numa loja especializada. Essas vantagens fizeram o custo cair e permitiram investir na procura de máquinas capazes de realizar novas tarefas. A Universidade Waseda, um centro de excelência em robótica no Japão, gastou 370.000 dólares para projetar e fabricar o Wabian, um robô com 1,83 metro de altura que caminha sobre as próprias pernas. Ele é capaz de reproduzir com precisão os movimentos humanos e até dançar. Seu defeito: nenhum movimento é espontâneo, mas resultado de programas de computador.

 
Muito comuns nas linhas de montagem, as máquinas dotadas de braços mecânicos já começam a chegar aos hospitais, como o robô alemão Da Vinci (acima, sendo testado em um cadáver nos Estados Unidos), que realiza cirurgias cardíacas por controle remoto, em vários países europeus. A grande vantagem é a precisão com que cortes e manobras são feitos, sem que seja necessário abrir todo o tórax do paciente. Outro aparelho que começará a ser vendido em breve é a prótese inteligente, uma perna automática capaz de perceber o tipo de terreno que pisa e dosar o grau de absorção de impactos e a resistência no ponto em que é adaptada ao membro mutilado. Criada no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, pelo pesquisador Hugh Herr (no alto à esquerda), que perdeu as duas pernas num acidente de alpinismo, a prótese é a perfeita perna biônica, que funciona de modo similar ao membro humano. Outras maquinetas, estritamente funcionais, inspecionam esgotos sem cabos ou controles remotos, como o Kurt I (no alto à direita), robozinho alemão desenhado no Centro Nacional de Tecnologia da Informação de Bonn para se locomover em tubulações. Guiado apenas por sensores de raio laser, ele segue um mapa armazenado em sua memória eletrônica. Custa 30 000 dólares cada um e tem a vantagem de alcançar locais inacessíveis a veículos mais antigos, que operam com cabos.

 

Saiba mais
Rádio Veja
Dos arquivos de VEJA
  Amigo cibernético

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco