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A realidade é muito diferente dos sonhos dos pioneiros nos anos 50 e 60, que esperavam ver na virada do século XXI as ruas e casas repletas de seres de metal, como nos desenhos da família Jetson. A robótica está realmente entre nós, mas de forma bem mais discreta. Há grande quantidade de máquinas novas, que podem ser programadas por computador ou monitoradas por controle remoto para realizar operações de complexidades variadas mas nenhuma delas capaz de falar, como Rosie, a empregada de aço dos Jetson. Ainda assim, há uma geração de equipamentos que fazem pequenas maravilhas. Aspiradores de pó automáticos criados pela sueca Electrolux estão sendo testados em barbearias e residências. Movem-se pelo ambiente procurando as áreas mais sujas e aspirando com maior ou menor vigor conforme a quantidade de poeira e resíduos. A alemã Kärcher começa a vender dentro de três meses seu RoboVac, um aspirador de pó capaz de calcular o grau de sujeira e regular de acordo com ele sua capacidade de sucção. Na Alemanha, os técnicos desenvolveram um pequeno robô capaz de locomover-se dentro de tubulações de esgoto para inspeção. Esses são apenas alguns exemplos mais práticos e grosseiros da nova geração de máquinas espertas. O que se espera de um equipamento robótico de última geração é que seja capaz de captar informações do ambiente em que está e com base nelas tomar decisões autônomas. Essa era a característica mais fascinante do carrinho enviado a Marte pela Nasa, a agência espacial americana, há três anos. O veículo foi capaz de se desviar dos obstáculos e tomar certas decisões, como tirar fotos. Na maioria das vezes, contudo, para o equipamento ser útil basta que obedeça com rigor ao comando explícito do operador humano. Apenas um mês atrás, um robô cirurgião realizou a primeira operação a distância do Hemisfério Sul. Tratava-se de um procedimento simples uma laparoscopia para eliminação de varizes na bolsa escrotal em um rapaz de 17 anos. O inusitado era estar o paciente instalado numa sala de cirurgia do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e o médico no hospital Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos. Usando um computador portátil, com teclado e mouse normais, o médico comandou de longe o robô cirurgião. O primeiro lugar encontrado pelos robôs no mundo real foi no chão das fábricas, a partir do final dos anos 50. Braços mecânicos começaram por substituir os operários em tarefas repetitivas, pesadas e muitas vezes realizadas em condições perigosas e insalubres. A vantagem industrial é evidente: os robôs custam menos e são mais precisos que a mão-de-obra humana nessas tarefas específicas. O sucesso na fábrica foi tão espetacular que muita gente previu uma rápida transição para a casa das pessoas. Isso nunca ocorreu. A fantasia da inteligência robótica continuou a ser isso mesmo, uma fantasia. Ainda assim, nos últimos cinco anos uma série de iniciativas em laboratórios e institutos de pesquisa de vários países produziu algumas máquinas que, mesmo vagamente, podem assemelhar-se a ações coordenadas por alguém que pensa. No curso da pesquisa que resultou num livro recém-lançado nos Estados Unidos, intitulado Robo Sapiens, o fotógrafo Peter Menzel, autor das fotos que ilustram esta reportagem, esquadrinhou mais de cinqüenta empresas e laboratórios no Japão, na Europa e nos Estados Unidos. Neles identificou 67 projetos ambiciosos de robôs, todos eles funcionando. Há desde pequenas aranhas feitas de sucata eletrônica e custo inferior a 1 dólar até robôs que lembram astronautas, cujo preço está na casa do milhão. Alguns impressionam pela capacidade de imitar as expressões do rosto humano. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, tem pronto um robô (apelidado de "Cog") que observa os movimentos humanos e os imita. Ele tem sensores e pequenos computadores nos joelhos e tornozelos que orientam os movimentos. Com isso, os cientistas tentam reproduzir os reflexos típicos de um ser vivo, sem sobrecarregar o computador central, localizado na "cabeça". O mercado da robótica industrial é relativamente miúdo. Movimenta apenas 4 bilhões de dólares por ano, metade das vendas anuais de CDs musicais. Mas ninguém duvida de que se trata de um negócio de futuro. No momento, centenas de cientistas dos Estados Unidos, Japão e Europa estão empenhados na pesquisa de robôs mais eficientes. Um dos alicerces dessa explosão na pesquisa robótica é a fartura de componentes eletrônicos resultante do desenvolvimento da indústria de computadores. Também conta, e muito, o salto de qualidade dos equipamentos de segurança, com seus sistemas de sensores a raio laser e infravermelho. Até poucos anos atrás, quem trabalhava com robótica precisava criar tudo, da estrutura metálica aos chips e componentes. Hoje, a quase totalidade deles pode ser comprada numa loja especializada. Essas vantagens fizeram o custo cair e permitiram investir na procura de máquinas capazes de realizar novas tarefas. A Universidade Waseda, um centro de excelência em robótica no Japão, gastou 370.000 dólares para projetar e fabricar o Wabian, um robô com 1,83 metro de altura que caminha sobre as próprias pernas. Ele é capaz de reproduzir com precisão os movimentos humanos e até dançar. Seu defeito: nenhum movimento é espontâneo, mas resultado de programas de computador.
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