O mundo na visão delas
As
fotógrafas da National Geographic,
que serão tema de uma exposição em
São Paulo: uma trajetória feita de
perseverança e sensibilidade
clique
nas fotos para ampliá-las
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Beverly Joubert
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Maria Stenzel
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| A
foto noturna de Beverly Joubert, em Botsuana, flagra o exato
instante em que uma leoa faminta crava os dentes em um filhote
de elefante (1994) |
Para
fotografar o mar da Antártica em processo de congelamento,
Maria Stenzel acompanhou uma expedição científica
por dois meses em um navio quebra-gelos (1996) |
A revista
americana National Geographic, cuja edição
brasileira foi lançada recentemente pela Editora Abril, que
publica VEJA, é um dos bastiões da excelência
fotográfica. Os profissionais que produzem suas imagens não
acertam por acaso, o que é uma maneira de dizer que dificilmente
erram. Seus registros são tão impecáveis do
ponto de vista técnico que até fazem pensar que a
fotografia é mesmo uma forma de arte lorota inventada
por semiólogos franceses e críticos americanos. Atualmente,
dos setenta fotógrafos que colaboram regularmente com a publicação,
catorze são mulheres. Elas são minoria numérica,
mas estão em pé de igualdade com seus colegas no que
se refere à qualidade do trabalho. É a conclusão
que se tira da exposição Fotógrafas da National
Geographic, que será inaugurada em São Paulo no
dia 1º de novembro e depois rodará outras capitais até
o final de janeiro. A mostra é baseada no livro de mesmo
título que acaba de sair nos Estados Unidos e será
publicado no Brasil em dezembro. Ao todo, a exposição
reúne 55 fotografias de 22 profissionais. A maioria continua
a alimentar a National Geographic, outras deixaram de colaborar
na revista e algumas já faleceram entre elas, Dickey
Chapelle, que morreu enquanto flagrava cenas da Guerra do Vietnã.
O
fotojornalismo foi uma das áreas em que o sexo feminino mais
demorou a entrar. Lançada em 1888, a National Geographic
só publicaria uma foto assinada por mulher em 1914. Foi
o retrato de uma menina japonesa, feito por Eliza Scidmore. Até
a década de 40, as mulheres se limitavam a retratar personalidades,
tipos humanos e paisagens nada que exigisse muito esforço
físico ou envolvesse risco de vida. A eclosão da II
Guerra, e a conseqüente necessidade de mão-de-obra para
registrar cenas do conflito, permitiu que as fotógrafas ultrapassassem
a barreira do preconceito e mostrassem sua competência em
momentos que exigiam adrenalina máxima. É digna de
nota a coragem de Margaret Bourke-White, na época já
uma profissional experiente, que pulou de pára-quedas com
um câmara na mão, a fim de captar a visão aérea
de uma batalha.
Sisse Brimberg
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Carol Beckwith
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| A
imagem invernal da Praça Vermelha, em Moscou, com a catedral
de São Basílio ao fundo, é de autoria de Sisse Brimberg (1998)
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Um
nativo da tribo africana Ewe, no Togo, é flagrado num momento
de transe. A foto é assinada por Carol Beckwith e Angela Fisher
(1995) |
A exposição
será acompanhada por palestras de fotógrafas cujos
trabalhos constam da mostra. Elas deverão fazer um relato
de suas experiências mais marcantes e também das dificuldades
que costumam enfrentar quando saem a campo. Ainda é complicado
para uma profissional da imagem trabalhar em certas partes do mundo.
Nos países islâmicos, onde o sexo feminino é
tratado com desprezo, muitas vezes elas são alvo de insultos
nas ruas e não podem colocar os pés em determinados
recintos. Mesquitas, por exemplo, são vetadas a mulheres.
Ainda assim, a National Geographic continua a escalar fotógrafas
para missões nessa região. Com isso, reafirma a confiança
em seu trabalho e procura obter uma outra perspectiva de certos
fenômenos sociais e religiosos. Os editores da revista acreditam
no que comumente é chamado de "olhar feminino". Ou seja,
de que, por terem vivências e repertórios diferentes
dos masculinos, as mulheres são capazes de fabricar imagens
mais sensíveis. Pode-se dizer que a teoria do "olhar feminino"
encontra respaldo nas fotos que retratam a dor humana ou a comunhão
familiar. Em geral, são melhores do que as que saem das câmaras
dos marmanjos. Um exemplo é um retrato de autoria de Maria
Stenzel, que traz uma adolescente queniana descansando instantes
depois de ter seu clitóris cortado numa cerimônia pré-nupcial.
Em determinadas situações, no entanto, é uma
vantagem ser fotógrafa, e não fotógrafo. Um
homem jamais poderia registrar o interior de uma comunidade de gueixas,
no Japão, ou de um harém saudita, da forma que fez
Jodi Cobb.
Dickey Chapelle
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Jodi Cobb
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| Na
antológica imagem de Dickey Chapelle, de 1962, crianças vietnamitas
tampam seus ouvidos por causa do barulho dos morteiros. Dickey
faleceria três anos depois, em meio ao conflito. Morreu trabalhando
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A
paixão polinésia pela dança e o apetite
dos turistas por diversão combinam-se neste show de fogos
em uma praia do Taiti. A foto foi feita por Jodi Cobb em uma
de suas várias viagens à Polinésia Francesa
(1997) |
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Pequena
galeria
Algumas
das profissionais que atualmente compõem
o seleto time da revista americana
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mais |
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