Geral Fotografia

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Pesquisa revela hábitos sexuais da população mundial
A anorexia não atinge somente as meninas
A exposição das fotógrafas da National Geographic
A nova geração de robôs
O dia do personal trainer
Brasileiro é sucesso no skate nos EUA
Os problemas do melhor cozinheiro do mundo
Ibama organiza o abate de 15 000 búfalos em Rondônia
Acordo pode acabar com a farra da música grátis na web
Airbus ultrapassa a Boeing no mercado dos superjatos
Jardim tropical dentro do apartamento
Nova cirurgia regenera coração enfartado
A volta do cancêr de Mário Covas
Neozelandês que teve mão implantada quer decepá-la
A primeira grande pesquisa sobre a internet no país
O Brasil da Montblanc ao Porsche
Depois da GM, agora é a Fiat que faz recall
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

O mundo na visão delas

As fotógrafas da National Geographic,
que serão tema de uma exposição em
São Paulo: uma trajetória feita de
perseverança e sensibilidade

 
clique nas fotos para ampliá-las
Beverly Joubert
Maria Stenzel
A foto noturna de Beverly Joubert, em Botsuana, flagra o exato instante em que uma leoa faminta crava os dentes em um filhote de elefante (1994) Para fotografar o mar da Antártica em processo de congelamento, Maria Stenzel acompanhou uma expedição científica por dois meses em um navio quebra-gelos (1996)

A revista americana National Geographic, cuja edição brasileira foi lançada recentemente pela Editora Abril, que publica VEJA, é um dos bastiões da excelência fotográfica. Os profissionais que produzem suas imagens não acertam por acaso, o que é uma maneira de dizer que dificilmente erram. Seus registros são tão impecáveis do ponto de vista técnico que até fazem pensar que a fotografia é mesmo uma forma de arte – lorota inventada por semiólogos franceses e críticos americanos. Atualmente, dos setenta fotógrafos que colaboram regularmente com a publicação, catorze são mulheres. Elas são minoria numérica, mas estão em pé de igualdade com seus colegas no que se refere à qualidade do trabalho. É a conclusão que se tira da exposição Fotógrafas da National Geographic, que será inaugurada em São Paulo no dia 1º de novembro e depois rodará outras capitais até o final de janeiro. A mostra é baseada no livro de mesmo título que acaba de sair nos Estados Unidos e será publicado no Brasil em dezembro. Ao todo, a exposição reúne 55 fotografias de 22 profissionais. A maioria continua a alimentar a National Geographic, outras deixaram de colaborar na revista e algumas já faleceram – entre elas, Dickey Chapelle, que morreu enquanto flagrava cenas da Guerra do Vietnã.

O fotojornalismo foi uma das áreas em que o sexo feminino mais demorou a entrar. Lançada em 1888, a National Geographic só publicaria uma foto assinada por mulher em 1914. Foi o retrato de uma menina japonesa, feito por Eliza Scidmore. Até a década de 40, as mulheres se limitavam a retratar personalidades, tipos humanos e paisagens – nada que exigisse muito esforço físico ou envolvesse risco de vida. A eclosão da II Guerra, e a conseqüente necessidade de mão-de-obra para registrar cenas do conflito, permitiu que as fotógrafas ultrapassassem a barreira do preconceito e mostrassem sua competência em momentos que exigiam adrenalina máxima. É digna de nota a coragem de Margaret Bourke-White, na época já uma profissional experiente, que pulou de pára-quedas com um câmara na mão, a fim de captar a visão aérea de uma batalha.

 
Sisse Brimberg
Carol Beckwith
A imagem invernal da Praça Vermelha, em Moscou, com a catedral de São Basílio ao fundo, é de autoria de Sisse Brimberg (1998) Um nativo da tribo africana Ewe, no Togo, é flagrado num momento de transe. A foto é assinada por Carol Beckwith e Angela Fisher (1995)

A exposição será acompanhada por palestras de fotógrafas cujos trabalhos constam da mostra. Elas deverão fazer um relato de suas experiências mais marcantes e também das dificuldades que costumam enfrentar quando saem a campo. Ainda é complicado para uma profissional da imagem trabalhar em certas partes do mundo. Nos países islâmicos, onde o sexo feminino é tratado com desprezo, muitas vezes elas são alvo de insultos nas ruas e não podem colocar os pés em determinados recintos. Mesquitas, por exemplo, são vetadas a mulheres. Ainda assim, a National Geographic continua a escalar fotógrafas para missões nessa região. Com isso, reafirma a confiança em seu trabalho e procura obter uma outra perspectiva de certos fenômenos sociais e religiosos. Os editores da revista acreditam no que comumente é chamado de "olhar feminino". Ou seja, de que, por terem vivências e repertórios diferentes dos masculinos, as mulheres são capazes de fabricar imagens mais sensíveis. Pode-se dizer que a teoria do "olhar feminino" encontra respaldo nas fotos que retratam a dor humana ou a comunhão familiar. Em geral, são melhores do que as que saem das câmaras dos marmanjos. Um exemplo é um retrato de autoria de Maria Stenzel, que traz uma adolescente queniana descansando instantes depois de ter seu clitóris cortado numa cerimônia pré-nupcial. Em determinadas situações, no entanto, é uma vantagem ser fotógrafa, e não fotógrafo. Um homem jamais poderia registrar o interior de uma comunidade de gueixas, no Japão, ou de um harém saudita, da forma que fez Jodi Cobb.

 
Dickey Chapelle
Jodi Cobb
Na antológica imagem de Dickey Chapelle, de 1962, crianças vietnamitas tampam seus ouvidos por causa do barulho dos morteiros. Dickey faleceria três anos depois, em meio ao conflito. Morreu trabalhando A paixão polinésia pela dança e o apetite dos turistas por diversão combinam-se neste show de fogos em uma praia do Taiti. A foto foi feita por Jodi Cobb em uma de suas várias viagens à Polinésia Francesa (1997)

 

 

Pequena galeria

Algumas das profissionais que atualmente compõem
o seleto time da revista americana

 
Jodi Cobb é a única fotógrafa contratada pela National Geographic. Ela contribui com a revista desde 1977 e já trabalhou em mais de cinqüenta países. É especialista em Oriente Médio e Ásia
Hien Huynh
Kim Gooi
A carreira fotográfica de Maria Stenzel começou em 1991 na revista. Em menos de uma década, realizou mais de uma dúzia de ensaios, inclusive na Antártica
O trabalho da fotógrafa Karen Kasmauski, estampado na revista desde 1984, cobre uma grande variedade de temas – de argumentos científicos a retratos da sociedade japonesa e americana
Jesus Lopez
Don Belt
A dinamarquesa Sisse Brimberg já publicou mais de vinte ensaios na National Geographic nas últimas três décadas. Seus trabalhos mais marcantes foram realizados na Escandinávia
Colaboradora regular da revista desde 1978, Annie Griffiths Belt pode ser considerada uma das mais profícuas fotógrafas da equipe. Ela já produziu ensaios em Israel, Jordânia e interior da Inglaterra
Wade Davis

 

Saiba mais
Dos arquivos de VEJA
  A descoberta do planeta Terra

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco