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Novas vítimas

Anorexia é coisa de menina, certo? Errado.
A doença agora também ameaça os meninos


Antonio Milena

Sanabria: menos 26 quilos em cinco meses


A anorexia, doença comum nas adolescentes que sonham com medidas esqueléticas de top model, agora faz vítimas também entre meninos de 13 a 18 anos. Embora seja um fenômeno incipiente – a proporção é de um caso masculino para nove femininos –, ele já preocupa os médicos. Fixados no padrão do macho enxuto e musculoso, festejado nas academias de ginástica e veiculado em programas como a novela Uga Uga, os rapazinhos anoréxicos começam a autotortura do jeito tradicional: submetendo-se a regimes. Primeiro, deixam de ingerir certos alimentos, em especial os mais gordurosos. A etapa seguinte é suprimir uma das refeições. Passado pouco tempo, não comem mais nada. O apetite desce a zero e a simples idéia de um almoço dá náuseas. Sem se alimentar direito, passam mal enquanto malham nas academias. É um perigo a mais.

Uma das características da doença, e que dificulta sua cura, é a incapacidade de a pessoa aceitar que está excessivamente magra, quase no limite da subnutrição africana. Apesar dos alertas de parentes e amigos, ela não consegue ter uma dimensão real da própria imagem no espelho. Para incredulidade de quem a cerca, diz até que precisa perder ainda mais peso. "Só me sentia bem com o estômago vazio. Quando minha mãe começou a perceber que eu não comia nada, passei a sumir de casa durante as refeições. Para ficar longe, arrumei até um emprego", conta o estudante paulista Franco Sanabria, de 17 anos, que emagreceu 26 quilos em cinco meses. Muitas famílias demoram a se dar conta do problema, porque alguns dos sintomas que acompanham a anorexia, tais como aversão ao próprio corpo, depressão e tendência à reclusão, são interpretados de início como aspectos normais da adolescência. "É comum pensar que se trata apenas de uma fase passageira", afirma o médico Salvador de Rosis Busse, do grupo de atendimento a transtornos alimentares da Universidade de São Paulo. O tratamento ideal envolve uma equipe composta de endocrinologista, nutricionista e psicólogo. Terapia é fundamental para devolver ao jovem a auto-estima. Nos casos mais graves, é necessária a internação do doente. Não só para que ganhe peso mas também para evitar que, numa crise depressiva, ele tente o suicídio. Estudos americanos mostram que 20% dos pacientes têm recaídas. Para 10%, a anorexia revela-se fatal.

 
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