Quem faz mais
Pesquisa
de fabricante de camisinha revela
os hábitos sexuais da população mundial

Ricardo
Amorim
Os
ingleses da Durex só pensam naquilo. Um dos maiores fabricantes
mundiais de preservativos, todo ano eles fazem uma pesquisa global
para escarafunchar a vida sexual dos habitantes do planeta. O estudo
visa descobrir quem são os maiores amantes, com que idade
as pessoas se iniciam nos prazeres do sexo e, claro, quem mais usa
camisinha. Em sua última edição, divulgada
na semana passada, a pesquisa dá aos americanos o título
de campeões no quesito freqüência. Os conterrâneos
de Bill Clinton mantêm, em média, 132 relações
sexuais por ano. Os brasileiros ficaram em quinto lugar, com 113,
atrás de russos, franceses e gregos. Estudos do gênero
costumam provocar polêmica e muita discussão tanto
pelos resultados quanto pelos métodos utilizados. Especialistas
concordam que, quando o assunto é sexo, a tendência
é sonegar, exagerar ou falsear as informações,
o que prejudica a interpretação. "Fatores culturais,
sociais e religiosos têm de ser levados em conta em trabalhos
desse tipo. Na tentativa de buscar um resultado mais confiável,
chega-se a descartar 20% das respostas", ensina o professor e sexólogo
Wiliam Peres, da Universidade Estadual Paulista.
Apesar
da ressalva, Peres confirma que a pesquisa dos ingleses apresenta
números parecidos com os que se conhecem no Brasil. Um deles
diz respeito à idade com que os jovens começam a vida
sexual. A média mundial aferida pela Durex é de 18
anos, mas em dezesseis dos 27 países analisados a iniciação
se dá antes disso. Entre os adolescentes brasileiros, a perda
da virgindade acontece aos 16 anos e meio, um mês mais tarde
que entre os americanos. Outro dado revelador para os pais: 42%
dos entrevistados no Brasil disseram ter tido a primeira relação
antes de completar 16 anos. No extremo oposto, apenas 1% dos chineses
experimentou o sexo com a mesma idade. A média chinesa de
iniciação sexual é de 21 anos e 11 meses. A
tendência geral é pela maior precocidade. Os adolescentes
de hoje têm a iniciação sexual dois anos mais
cedo que os jovens de uma década atrás.
Quarentões
e adolescentes seguem hábitos sexuais bastante diferentes,
e o divisor de águas, no caso, pode ser o advento da Aids
a permear as relações. A pesquisa identificou que
60% das pessoas modificaram o comportamento sexual por causa da
ameaça da doença, mas metade dos adultos acima dos
45 anos não mudou seus hábitos. Os dados referentes
ao uso da camisinha, o método anticoncepcional mais popular
e eficiente preventivo contra o HIV, corroboram a constatação
anterior. Enquanto 24% dos maiores de 45 anos de idade não
utilizam nenhum contraceptivo, a taxa é de apenas 8% entre
os jovens de 16 a 20 anos. O estudo revelou que estes estão
mais preocupados com o sexo seguro também em relação
à variação de parceiros. Os com mais de 45
anos transaram com dez pessoas diferentes, enquanto entre os menores
de 20 anos a média é de apenas cinco. Pode ser apenas
uma questão de tempo. Com o passar dos anos, os jovens de
agora certamente aumentarão sua lista de conquistas. Mas
pode ser também uma fuga da promiscuidade, outro fator relacionado
com a Aids.
O
que aparentemente não mudou foi a fonte de informação
sobre sexo. Um quarto da população mundial ainda aprende
o que sabe sobre o assunto com os amigos. Entre os brasileiros,
a taxa é de um terço. "Isso mostra que os esforços
das autoridades, pais e professores em promover a educação
sexual ainda não atingiram os jovens", avalia o sexólogo
Peres. Além dos hábitos, a pesquisa também
perguntou qual o homem e a mulher mais sexy do mundo. Neste quesito,
constatou-se que há gosto para tudo. As chinesas e nigerianas
acham o dentuço Ronaldinho mais sensual que o bem-apanhado
Brad Pitt. Já as indianas dividiram seus votos entre o rechonchudo
tenor Luciano Pavarotti e o 007 Pierce Brosnan. Os brasileiros elegeram
Demi Moore como sua musa, com 28% dos votos. Já as brasileiras
escolheram Tom Cruise, com 22%, seguido de perto por Mel Gibson,
com 19%. As preferências nacionais mostraram-se afinadas com
o resto do mundo. Tom Cruise foi considerado o mais sexy do planeta
e Jennifer Lopez faturou o título entre as representantes
femininas, empatada com Madonna.
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