Japão

Um raio de sol

Após dez anos de crise, a economia japonesa
começa a dar sinais de recuperação

Eliana Simonetti

Finalmente chegam boas notícias da terra do sol nascente. Depois de dez anos de crise econômica que culminaram com dois anos de recessão, a produção industrial aumentou 3,2% em junho, em relação a maio. Como no primeiro trimestre do ano a economia japonesa cresceu 1,9%, os economistas começam a acreditar que o país está dando sinais firmes de recuperação. O Fundo Monetário Internacional já está apostando num crescimento de 0,2% neste ano. Não é uma taxa estrondosa, mas, se se considerar que em 1998 o PIB japonês encolheu 2,5% e que a previsão para 1999 era de nova queda na produção, os números recentes são animadores. No Brasil, há um indicador interessante de que o tempo no Japão está esquentando. A arregimentação de dekasseguis, descendentes de japoneses, para trabalhar no Japão estava praticamente paralisada desde o início do ano, mas no último mês dobrou o volume de anúncios de emprego nos jornais que circulam entre a colônia.

O Japão resistiu muito na hora de redesenhar suas empresas em resposta às novas exigências da globalização. Pois bem: elas estão se reestruturando. Segundo uma velha tradição nipônica, os empregados tinham uma fidelidade canina às empresas e jamais eram demitidos. Agora, as companhias estão se livrando dos empregados desnecessários e de divisões pouco lucrativas. Assim, as empresas do Japão tendem a ficar mais produtivas. No campo das expectativas, a população já dá sinal de menor ansiedade em relação ao futuro. Prova disso é a última estatística sobre consumo. Ela mostra que os trabalhadores gastaram 3,9% mais em maio do que em abril. Esse é um dado importante, já que metade do PIB japonês é produzida para o consumo interno. Quando os japoneses vão às compras toda a economia se agita.

Nos dois últimos anos, o governo japonês gastou cerca de 700 bilhões de dólares para reativar a economia e impedir uma quebradeira geral. Instituições financeiras estatais emprestaram dinheiro para pequenas e médias empresas, bancos e grandes corporações. O governo implementou um programa de investimentos em infra-estrutura. "Demorou um pouco, mas a política começou a fazer efeito e a tendência de crescimento deve manter-se firme", diz o economista Paulo Yokota, especialista em economia asiática.

 

OS EFEITOS

Se o Japão continuar crescendo, o mundo vai melhorar

Nos Estados Unidos, Europa e América Latina

O Japão é, apesar da crise, o maior aplicador de dinheiro no mundo. Ienes investidos em títulos do Tesouro americano sustentam parte do déficit dos Estados Unidos. O Eximbank japonês empresta dinheiro para países em desenvolvimento, por meio de acordos com o Banco Mundial. Nos últimos meses, os investimentos japoneses andavam tímidos. Poderão voltar a crescer.

Nos países asiáticos

O Japão é a economia mais forte do Oriente. A Rússia, que vende petróleo e minérios para os japoneses, será favorecida por um crescimento no Japão. Países como Coréia e Tailândia, cujas indústrias produzem partes de equipamentos montados no Japão, também serão beneficiados.

No Japão

O aquecimento da economia deve provocar aumento na procura por imóveis e conseqüente alta nos preços. Como muitos dos empréstimos feitos pelos bancos a empresas estão garantidos por imóveis, que se desvalorizaram tremendamente nos dois últimos anos, espera-se também uma recuperação dos balanços de instituições financeiras. Os bancos carregam 700 bilhões de dólares em empréstimos podres.

 
 

 




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