Edição 1868 . 25 de agosto de 2004

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Televisão
Liberdade, enfim

Uma nova tecnologia promete livrar
os
espectadores da escravidão dos
horários da TV

A maioria dos espectadores de televisão é escrava dos horários das emissoras. Mesmo a posse de um videocassete não costuma ser mais que uma alforria parcial: são poucos os que se dispõem a programar o aparelhinho dia após dia, para gravar suas atrações prediletas. Agora, uma nova tecnologia que começa a se popularizar pelo mundo, inclusive no Brasil, promete uma libertação total. O DVR – sigla em inglês para gravador de vídeo digital – permite que o espectador crie uma programação personalizada, misturando as atrações de diversos canais. O pioneiro dessa inovação é o TiVo, serviço surgido em 1999 e que virou até verbo nos Estados Unidos. Quando alguém diz que "TiVou" um programa, quer dizer, por exemplo, que programou seu aparelho para gravar todos os episódios de um seriado ao longo do mês. O TiVo ainda não chegou ao Brasil, mas equipamentos similares despontam no mercado. Desde o começo deste ano, a operadora de TV por satélite Sky oferece um sistema do gênero. A novidade chegará aos assinantes de cabo em novembro, quando a TVA deverá lançar, a princípio na cidade de São Paulo, o seu serviço de DVR.

Nos Estados Unidos, 9,5 milhões de pessoas possuem DVRs e seu uso já produz mudanças comportamentais. Como tem sempre à disposição os programas que lhe interessam, o espectador vê mais televisão. Além disso, a audiência dos canais tende a se pulverizar, pois as pessoas podem selecionar o melhor de cada um deles. Pesquisas indicam que os pais passaram a ficar mais tempo diante da TV com os filhos, pois agora se pode assistir aos programas infantis em horários alternativos. Além de gerar novos hábitos, o DVR impõe desafios aos canais. Conceitos como o de horário nobre, por exemplo, tornam-se fumaça, já que cada espectador é capaz de inventar o seu. Também implica mudanças na maneira como a TV se financia por meio da publicidade. Como se pode pular os comerciais – o TiVo tem até uma tecla para isso –, os canais e anunciantes terão de encontrar novas formas de atingir o público.

Mas os recursos do DVR vão muito além (veja quadro). Pode-se programá-lo para gravar qualquer atração com um mês de antecedência. Ao contrário dos velhos videocassetes, não é complicado: basta selecionar o programa num menu na tela do televisor. Se o espectador se atrasar para ver um jogo, pode recuperá-lo do início, mesmo com a partida em curso. Ao atender o telefone durante a novela, é só dar pausa e voltar a vê-la mais tarde, do ponto em que havia parado. O aparelho memoriza ainda os gostos do espectador. Por exemplo: se a pessoa é fã do seriado Sex and the City, o DVR rastreia e grava tudo o que for relacionado ao programa. No Brasil, a novidade ainda engatinha. Estima-se que a Sky, que cobra 1.500 reais pelo aparelho e 20 reais mensais pelo serviço, contabilize cerca de 2.000 usuários. A tendência inexorável, no entanto, é que os preços caiam e a tecnologia se difunda, como ocorreu com o vídeo e depois com o DVD.

 



 
 
 
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