|
|
Televisão
Liberdade, enfim
Uma
nova tecnologia promete livrar
os
espectadores da escravidão dos
horários da TV
A maioria
dos espectadores de televisão é escrava dos horários
das emissoras. Mesmo a posse de um videocassete não costuma
ser mais que uma alforria parcial: são poucos os que se dispõem
a programar o aparelhinho dia após dia, para gravar suas
atrações prediletas. Agora, uma nova tecnologia que
começa a se popularizar pelo mundo, inclusive no Brasil,
promete uma libertação total. O DVR sigla em
inglês para gravador de vídeo digital permite
que o espectador crie uma programação personalizada,
misturando as atrações de diversos canais. O pioneiro
dessa inovação é o TiVo, serviço surgido
em 1999 e que virou até verbo nos Estados Unidos. Quando
alguém diz que "TiVou" um programa, quer dizer, por exemplo,
que programou seu aparelho para gravar todos os episódios
de um seriado ao longo do mês. O TiVo ainda não chegou
ao Brasil, mas equipamentos similares despontam no mercado. Desde
o começo deste ano, a operadora de TV por satélite
Sky oferece um sistema do gênero. A novidade chegará
aos assinantes de cabo em novembro, quando a TVA deverá lançar,
a princípio na cidade de São Paulo, o seu serviço
de DVR.
Nos Estados
Unidos, 9,5 milhões de pessoas possuem DVRs e seu uso já
produz mudanças comportamentais. Como tem sempre à
disposição os programas que lhe interessam, o espectador
vê mais televisão. Além disso, a audiência
dos canais tende a se pulverizar, pois as pessoas podem selecionar
o melhor de cada um deles. Pesquisas indicam que os pais passaram
a ficar mais tempo diante da TV com os filhos, pois agora se pode
assistir aos programas infantis em horários alternativos.
Além de gerar novos hábitos, o DVR impõe desafios
aos canais. Conceitos como o de horário nobre, por exemplo,
tornam-se fumaça, já que cada espectador é
capaz de inventar o seu. Também implica mudanças na
maneira como a TV se financia por meio da publicidade. Como se pode
pular os comerciais o TiVo tem até uma tecla para
isso , os canais e anunciantes terão de encontrar novas
formas de atingir o público.
Mas os
recursos do DVR vão muito além (veja quadro).
Pode-se programá-lo para gravar qualquer atração
com um mês de antecedência. Ao contrário dos
velhos videocassetes, não é complicado: basta selecionar
o programa num menu na tela do televisor. Se o espectador se atrasar
para ver um jogo, pode recuperá-lo do início, mesmo
com a partida em curso. Ao atender o telefone durante a novela,
é só dar pausa e voltar a vê-la mais tarde,
do ponto em que havia parado. O aparelho memoriza ainda os gostos
do espectador. Por exemplo: se a pessoa é fã do seriado
Sex and the City, o DVR rastreia e grava tudo o que for relacionado
ao programa. No Brasil, a novidade ainda engatinha. Estima-se que
a Sky, que cobra 1.500 reais pelo aparelho e 20 reais mensais pelo
serviço, contabilize cerca de 2.000 usuários. A tendência
inexorável, no entanto, é que os preços caiam
e a tecnologia se difunda, como ocorreu com o vídeo e depois
com o DVD.
|