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Cidades
Só falta o mar
Inventada em Paris, a praia no
centro da cidade espalhou-se
pela Europa neste verão

Flavia Varella, de Paris
Divulgação
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| Saint-Quentin, França: piscina e banho
de sol em pleno centro histórico |
Fechar durante um mês todas as pistas
de uma avenida por onde passam diariamente 50.000
carros. Espalhar areia, palmeiras e duchas no coração
da metrópole. Colocar espreguiçadeiras, guarda-sóis
e cabines listradas de azul e branco num cenário de cartão-postal.
Quando deu essas ordens pela primeira vez, o prefeito de Paris,
Bertrand Delanoë, foi chamado de exibicionista, perdulário
e inconseqüente. Na semana passada, quando a terceira edição
do Paris Plage, a praia efêmera montada na beira do Rio Sena,
se aproximava do fim (ela "fecha" no dia 20), Delanoë comemorava
o sucesso de sua maluquice: o movimento neste verão superou
em 30% os 3 milhões de freqüentadores do ano passado
e está sendo imitado em boa parte da Europa. A idéia
de transformar uma cidade sem mar num balneário foi encampada
por Milão, Berlim, Budapeste, Praga e Bruxelas.
AP
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| Berlim: bares com areia, espreguiçadeiras
e restos do muro à beira do Rio Spree |
Na França, mais de vinte cidades montaram
suas praias artificiais para as férias de julho e agosto.
Algumas cobram entrada, outras não, e o modelo é quase
sempre o mesmo: tanques ou grandes extensões de areia, mais
cadeiras e guarda-sóis, duchas e borrifadores, quadras de
esportes, paredes de escalada, cama elástica, ginástica
e tai chi chuan. Algumas cidades inovam com piscinões, como
em Saint-Quentin, perto de Paris, ou com um percurso em que jatos
multidirecionais, túneis e muros jorram água, como
em Clermont Ferrand, no centro da França. Paris acrescentou
um toque inusitado com uma barraca-biblioteca em que livros são
emprestados mediante um pequeno depósito. Os freqüentadores
são, na maioria, moradores calcula-se que apenas 10%
a 15% sejam turistas.
O cenário normalmente é a beira
de um rio de águas impróprias para o banho. A "praia"
de Budapeste foi instalada ao longo de 1,5 quilômetro às
margens do Danúbio. A de Praga, no Rio Vltava, e a de Bruxelas
diante de um canal. "Além de criar uma opção
de lazer para quem não sai de férias, a prefeitura
aproveitou para valorizar um bairro que era tido como feio e perigoso",
disse a VEJA a responsável pelo Bruxelles Les Bains, Nadège
Williame. A prefeitura de Berlim deixou que os donos de bares ao
longo do Rio Spree criassem suas próprias praias com muita
areia, espreguiçadeiras e redes. Em Milão, não
há vista para rio algum, mas o panorama é espetacular:
a Milano Beach Rumble fica ao lado do Parque Sempione e em frente
ao monumental Arco da Paz. "O projeto de praia urbana deu certo
porque houve uma efetiva mudança do ambiente, com guarda-sóis,
palmeiras e cabines. As pessoas se sentem num balneário.
E vêm com suas geladeirinhas, maiôs e toalhas de banho",
disse Jean-Christophe Choblet, cenógrafo do Paris Plage.
No ano que vem, com certeza, tem mais.
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