Edição 1868 . 25 de agosto de 2004

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Cidades
Só falta o mar

Inventada em Paris, a praia no
centro da cidade espalhou-se
pela Europa neste verão


Flavia Varella, de Paris


Divulgação
Saint-Quentin, França: piscina e banho de sol em pleno centro histórico

Fechar durante um mês todas as pistas de uma avenida por onde passam diariamente 50.000 carros. Espalhar areia, palmeiras e duchas no coração da metrópole. Colocar espreguiçadeiras, guarda-sóis e cabines listradas de azul e branco num cenário de cartão-postal. Quando deu essas ordens pela primeira vez, o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, foi chamado de exibicionista, perdulário e inconseqüente. Na semana passada, quando a terceira edição do Paris Plage, a praia efêmera montada na beira do Rio Sena, se aproximava do fim (ela "fecha" no dia 20), Delanoë comemorava o sucesso de sua maluquice: o movimento neste verão superou em 30% os 3 milhões de freqüentadores do ano passado e está sendo imitado em boa parte da Europa. A idéia de transformar uma cidade sem mar num balneário foi encampada por Milão, Berlim, Budapeste, Praga e Bruxelas.


AP
Berlim: bares com areia, espreguiçadeiras e restos do muro à beira do Rio Spree

Na França, mais de vinte cidades montaram suas praias artificiais para as férias de julho e agosto. Algumas cobram entrada, outras não, e o modelo é quase sempre o mesmo: tanques ou grandes extensões de areia, mais cadeiras e guarda-sóis, duchas e borrifadores, quadras de esportes, paredes de escalada, cama elástica, ginástica e tai chi chuan. Algumas cidades inovam com piscinões, como em Saint-Quentin, perto de Paris, ou com um percurso em que jatos multidirecionais, túneis e muros jorram água, como em Clermont Ferrand, no centro da França. Paris acrescentou um toque inusitado com uma barraca-biblioteca em que livros são emprestados mediante um pequeno depósito. Os freqüentadores são, na maioria, moradores – calcula-se que apenas 10% a 15% sejam turistas.

O cenário normalmente é a beira de um rio de águas impróprias para o banho. A "praia" de Budapeste foi instalada ao longo de 1,5 quilômetro às margens do Danúbio. A de Praga, no Rio Vltava, e a de Bruxelas diante de um canal. "Além de criar uma opção de lazer para quem não sai de férias, a prefeitura aproveitou para valorizar um bairro que era tido como feio e perigoso", disse a VEJA a responsável pelo Bruxelles Les Bains, Nadège Williame. A prefeitura de Berlim deixou que os donos de bares ao longo do Rio Spree criassem suas próprias praias com muita areia, espreguiçadeiras e redes. Em Milão, não há vista para rio algum, mas o panorama é espetacular: a Milano Beach Rumble fica ao lado do Parque Sempione e em frente ao monumental Arco da Paz. "O projeto de praia urbana deu certo porque houve uma efetiva mudança do ambiente, com guarda-sóis, palmeiras e cabines. As pessoas se sentem num balneário. E vêm com suas geladeirinhas, maiôs e toalhas de banho", disse Jean-Christophe Choblet, cenógrafo do Paris Plage. No ano que vem, com certeza, tem mais.

 
 
 
 
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