Edição 1868 . 25 de agosto de 2004

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Internet
Abre-te, Google

As previsões mais otimistas falharam,
mas o lançamento de ações do site
ainda foi um sucesso


Reuters
Page, um dos criadores do Google, abre o pregão na Nasdaq: ações do "bem"

Desde a explosão da bolha da internet, há quatro anos, nenhum evento era tão aguardado no mercado de alta tecnologia como a abertura de capital do Google, o site de busca mais popular da rede. Criada seis anos atrás por dois estudantes da Universidade Stanford, a empresa tornou-se uma jóia invejada, com faturamento anual da ordem de 1,5 bilhão de dólares. Mas o processo de capitalização do Google, concluído na última quinta-feira com a estréia de suas ações na Nasdaq, a bolsa americana do setor de tecnologia, ficou a meio caminho do sucesso total (veja quadro). Em julho, a empresa anunciou a expectativa de que suas ações, na oferta inicial ao público, fossem comercializadas por um preço entre 108 e 135 dólares. Às vésperas do leilão, o mercado deu sinais de que não responderia como esperado. E assim foi. O Google teve de baixar o valor inicial de aquisição de suas ações para uma faixa entre 85 e 95 dólares – e foi o valor mais baixo que acabou prevalecendo. Um fiasco não aconteceu porque os papéis tiveram uma recuperação na prova de fogo da chegada à bolsa. Foram vendidos a 100 dólares no fechamento do pregão, e deram à companhia um valor de 27 bilhões de dólares.

Assim como inovaram no campo tecnológico, os criadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, tentaram inovar no processo de abertura de capital da empresa. Criaram um sistema de oferta de ações pela internet e adotaram um método conhecido como leilão holandês – tudo isso, em tese, para reduzir a influência dos grandes bancos nos rumos da venda e dar mais chances aos pequenos e médios investidores, democratizando o acesso às ações. A resposta, como já dito, não foi a que se esperava – até porque veio à tona que a empresa, cujo lema é "faça o bem", cometeu alguns deslizes em sua história.

A menos de duas semanas do leilão, revelou-se que o Google emitiu um lote de ações para seus funcionários de forma irregular, falha que a empresa admitiu e corrigiu. Em seguida, a Playboy americana publicou uma entrevista com Page e Brin. A entrevista foi feita em abril, dias antes de o Google apresentar seu pedido formal de abertura de capital às autoridades americanas, e nada tem de bombástica. O problema é que a legislação americana obriga as companhias a guardar um período de silêncio durante esse processo. Mais uma vez, a empresa teve de vir a público se explicar – e ainda pode ser penalizada por infringir a regra.

Apesar dos tropeços, e de as projeções mais otimistas não terem se realizado, a abertura de capital do Google foi festejada pelo mercado de alta tecnologia. Com a venda de 19,6 milhões de ações, o Google fez a oferta pública mais bem-sucedida do setor desde o ano 2000. A pergunta que os analistas se fazem agora é como a empresa se sairá na passagem de sua fase "romântica" para a realidade de uma empresa aberta.

 

 

 
 
 
 
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