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Internet
Abre-te, Google
As previsões mais otimistas falharam,
mas o lançamento de ações do site
ainda foi um sucesso
Reuters
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| Page, um dos criadores do Google, abre o pregão
na Nasdaq: ações do "bem" |
Desde a explosão da bolha da internet,
há quatro anos, nenhum evento era tão aguardado no
mercado de alta tecnologia como a abertura de capital do Google,
o site de busca mais popular da rede. Criada seis anos atrás
por dois estudantes da Universidade Stanford, a empresa tornou-se
uma jóia invejada, com faturamento anual da ordem de 1,5
bilhão de dólares. Mas o processo de capitalização
do Google, concluído na última quinta-feira com a
estréia de suas ações na Nasdaq, a bolsa americana
do setor de tecnologia, ficou a meio caminho do sucesso total (veja
quadro). Em julho, a empresa anunciou a expectativa de que suas
ações, na oferta inicial ao público, fossem
comercializadas por um preço entre 108 e 135 dólares.
Às vésperas do leilão, o mercado deu sinais
de que não responderia como esperado. E assim foi. O Google
teve de baixar o valor inicial de aquisição de suas
ações para uma faixa entre 85 e 95 dólares
e foi o valor mais baixo que acabou prevalecendo. Um fiasco
não aconteceu porque os papéis tiveram uma recuperação
na prova de fogo da chegada à bolsa. Foram vendidos a 100
dólares no fechamento do pregão, e deram à
companhia um valor de 27 bilhões de dólares.
Assim como inovaram no campo tecnológico,
os criadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, tentaram inovar
no processo de abertura de capital da empresa. Criaram um sistema
de oferta de ações pela internet e adotaram um método
conhecido como leilão holandês tudo isso, em
tese, para reduzir a influência dos grandes bancos nos rumos
da venda e dar mais chances aos pequenos e médios investidores,
democratizando o acesso às ações. A resposta,
como já dito, não foi a que se esperava até
porque veio à tona que a empresa, cujo lema é "faça
o bem", cometeu alguns deslizes em sua história.
A menos de duas semanas do leilão,
revelou-se que o Google emitiu um lote de ações para
seus funcionários de forma irregular, falha que a empresa
admitiu e corrigiu. Em seguida, a Playboy americana publicou
uma entrevista com Page e Brin. A entrevista foi feita em abril,
dias antes de o Google apresentar seu pedido formal de abertura
de capital às autoridades americanas, e nada tem de bombástica.
O problema é que a legislação americana obriga
as companhias a guardar um período de silêncio durante
esse processo. Mais uma vez, a empresa teve de vir a público
se explicar e ainda pode ser penalizada por infringir a regra.
Apesar dos tropeços, e de as projeções
mais otimistas não terem se realizado, a abertura de capital
do Google foi festejada pelo mercado de alta tecnologia. Com a venda
de 19,6 milhões de ações, o Google fez a oferta
pública mais bem-sucedida do setor desde o ano 2000. A pergunta
que os analistas se fazem agora é como a empresa se sairá
na passagem de sua fase "romântica" para a realidade de uma
empresa aberta.
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