Edição 1868 . 25 de agosto de 2004

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Polícia
Só o começo

PF prende doleiros e agora
tenta identificar os clientes


Reprodução/Ag. O Globo
Claramunt, o principal


A Polícia Federal mergulhou nas entranhas de um dos maiores escândalos financeiros do país. Numa enorme operação de combate à lavagem de dinheiro, a PF prendeu 64 doleiros e apreendeu dezenas de computadores e milhares de documentos em sete Estados. Não se sabe ainda os segredos que podem emergir do material, mas há uma lista de brasileiros que, desde então, está autorizada a perder o sono. A maioria dos doleiros começou a vida lucrando com a compra e venda de moeda estrangeira, mas a partir dos anos 90 alguns se transformaram em simulacros de banqueiros especializados em esconder dinheiro no exterior. Criaram empresas, abriram contas bancárias e operavam como instituições financeiras clandestinas.


Maurício De Souza/Hoje em Dia/Ag. O Globo
Uma operação de apreensão de documentos: missão difícil


De 1999 a 2002, estima-se que eles transferiram ao exterior 13 bilhões de dólares. A polícia agora vai tentar descobrir os donos dessa fortuna. Não é uma missão fácil. Em meio a mais de 50.000 operações já identificadas, muitas são legítimas, mas as maiores estão ligadas a algum crime. O esquema funcionava como uma câmara de compensação bancária. Um cliente que necessitasse remeter dinheiro para fora do país fazia a encomenda ao doleiro, que recebia a quantia em reais no Brasil e creditava no exterior os dólares correspondentes. A polícia já sabe que foi assim que sumiu parte do dinheiro do TRT de São Paulo e dos dólares que abasteceram as contas na Suíça em nome de um tal de Paulo Maluf. Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, um megadoleiro paulista preso na semana passada, teve seus computadores apreendidos. Seus arquivos, acredita a polícia, são os mais preciosos.

 

 
 
 
 
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