Edição 1868 . 25 de agosto de 2004

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Saúde
Barricada contra a dor

Não há cura para a artrose, que
atinge 15 milhões de brasileiros.
Mas é possível controlar seu avanço


Paula Neiva

Doença associada à velhice, a artrose começa a mudar de perfil. Nos consultórios médicos é cada vez mais comum a presença de pacientes ao redor dos 45 anos que reclamam de dores nas articulações – e não apenas a partir dos 65 anos, como acontecia até pouco tempo atrás. No centro dessa mudança estão, para variar, os maus hábitos da vida moderna. Obesidade, sedentarismo, exercícios de alto impacto sem orientação adequada e movimentos repetitivos aceleram o processo de desgaste das cartilagens articulares, o que, no estágio mais avançado da artrose, pode levar à destruição total da articulação e provocar deformidades e dores terríveis. Tudo isso, somado ao aumento da expectativa de vida, faz com que os especialistas prevejam uma "epidemia de articulações desgastadas" nos próximos anos. Só no Brasil calcula-se que haja atualmente 15 milhões de doentes – a estimativa é que, em duas décadas, esse número dobre. A boa notícia é que a medicina tem avançado muito na criação de remédios mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

A mais nova arma contra a artrose acaba de chegar ao Brasil. Trata-se de um medicamento que combina dois compostos encontrados naturalmente nas cartilagens, a glicosamina e a condroitina. Essas substâncias são essenciais para a renovação das cartilagens e para manter a sua elasticidade e resistência. Ao aumentar a oferta de glicosamina e condroitina no organismo, o novo remédio promete baixar o ritmo de progressão da doença – o que nenhum outro medicamento contra artrose consegue fazer com pouquíssimos efeitos colaterais. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maiores as chances de sucesso. A combinação das substâncias revelou-se eficiente também no combate à dor – o que acena com a possibilidade de reduzir a ingestão de analgésicos e antiinflamatórios. O consumo freqüente desses medicamentos pode provocar reações adversas graves, como úlceras e insuficiência renal, principalmente em pacientes mais velhos. No Brasil, o novo remédio é vendido sob dois nomes comerciais, Artrolive, do laboratório Aché, e Condroflex, do Zodiac.

As articulações mais atingidas pela doença são as dos joelhos, mãos, quadris e coluna. No caso da dona-de-casa paulista Olga Lopes, de 53 anos, a artrose de coluna se manifestou há cerca de cinco anos, sob a forma de um leve incômodo ao caminhar. Três meses atrás, as dores se tornaram insuportáveis. "Quando eu andava, sentia como se minha perna estivesse sendo rasgada", diz Olga. Feito o diagnóstico, hoje ela controla a doença com o novo medicamento, dieta para perder peso e exercícios físicos para manter a saúde das articulações.

 



Olga: "Quando eu andava, sentia como se minha perna estivesse sendo rasgada"
 
 
 
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