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Saúde
Falta de ar e
de juízo
A maioria
dos brasileiros vítimas de asma
não se trata como deveria. É o que mostra
o maior levantamento sobre a doença

Paula Neiva
Fabiano Accorsi
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O
garoto Thor, com os
pais, Luciana e Plínio:
uma vida normal graças ao tratamento continuado
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Mal crônico
com forte componente genético, a asma é domável,
mas a maior parte de suas vítimas não se trata adequadamente.
A conclusão é da maior e mais minuciosa radiografia
da doença já feita na América Latina, o Airla
(sigla em inglês para Percepções e Realidade
sobre a Asma na América Latina). Patrocinado pelo laboratório
GlaxoSmithKline, o levantamento foi feito em onze países,
com 2.200 pessoas, e seus resultados foram apresentados na semana
passada, no Congresso Internacional de Pediatria, no México.
Os brasileiros estão entre os que mais descuidam do problema.
Dos cerca de 20 milhões de doentes, 57% não se tratam
como deveriam. As conseqüências desse pouco-caso podem
ser desastrosas. Deixada a seu próprio curso, a asma pode
levar a crises desesperadoras e até matar por asfixia. Um
dos erros típicos é circunscrever o tratamento aos
momentos de crise. Como o diabetes e a hipertensão, a asma
exige cuidados constantes.
A asma
é causada pela inflamação dos brônquios,
canais de passagem do ar, e pela contração exagerada
dos músculos localizados ao redor deles. As crises acontecem
quando o doente entra em contato com algum fator que aumenta ainda
mais a inflamação e a contração muscular.
Quando isso ocorre, o volume de ar transportado por esses canais
cai drasticamente. Vem a crise e, com ela, a sensação
de sufocamento. O que funciona como gatilho para as crises de um
doente não oferece necessariamente o mesmo perigo para outro
paciente. Mas os fatores desencadeantes mais comuns são:
stress, poluição, cheiros fortes, como os de perfume,
tinta ou cigarro, atividade física intensa, pêlos de
animais, poeira, vírus da gripe e variações
bruscas de temperatura. O estudante paulista Thor Assmann, de 11
anos, teve sua primeira crise há seis anos, depois de uma
gripe. Seu pai, o professor de educação física
Plínio Assmann, também é vítima do mal.
Os dois são exemplo de como a vida pode ser normal, apesar
da asma. "No começo, eu ficava assustadíssima: é
muito aflitivo ver a luta de um filho pelo ar", diz Luciana, mãe
de Thor. "Hoje sei que a asma é uma doença que requer
cuidados especiais, mas com a qual é possível conviver
muito bem." No caso do menino, a doença é mantida
sob controle por meio de medicamentos de uso diário e da
prática regular de esporte. Para Plínio, basta a ginástica
moderada.
Andre Schiliro
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Eduardo Marques/Tempo
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O
nadador Xuxa, garoto-propaganda de uma campanha para estimular
o tratamento da
asma, e seu tio, o aposentado Rogério Queiroz: vítimas
do problema
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A prática
regular de exercícios, sob a supervisão de especialistas,
ajuda a aumentar a capacidade respiratória, o que deixa os
pulmões fortalecidos para enfrentar as crises. O nadador
Fernando Scherer, o Xuxa, só começou a nadar por causa
da asma, que se manifestou quando ele contava 12 anos. Graças
à natação, Xuxa nunca mais teve um ataque de
falta de ar. Hoje, aos 29 anos, é o garoto-propaganda de
uma campanha da Sociedade Brasileira de Asmáticos, cujo slogan
é "Vida sem medo. Vida livre dos sintomas". O tio de Xuxa,
o advogado aposentado Rogério Queiroz, de 64 anos, está
entre os 5% de asmáticos que manifestam a doença depois
dos 50 anos. Queiroz ficou tão assustado com a severidade
das crises que resolveu antecipar a aposentadoria. "Tinha receio
de que o stress no trabalho agravasse as crises e de que as crises
prejudicassem o trabalho", diz ele. A última vez em que sentiu
a agonia da falta de ar foi há vinte dias. Nada, no entanto,
que lembre o início da doença. Graças à
vida sem stress, aos medicamentos e aos exercícios físicos
semanais, há três anos Queiroz não é
hospitalizado por causa da asma.
Existem
basicamente dois tipos de remédio para asma. Há os
de uso contínuo, usados para prevenir as crises. Eles podem
ser antiinflamatórios ou broncodilatadores de ação
prolongada. Há também os de uso emergencial, que dilatam
os brônquios rapidamente, administrados nos momentos de crise.
Além disso, os asmáticos devem evitar a exposição
aos fatores que deflagram a falta de ar e praticar exercícios
regularmente sempre com acompanhamento. "Os tratamentos disponíveis
hoje funcionam bem", diz o pneumologista Alberto Cukier, professor
da Universidade de São Paulo. "O maior desafio dos médicos
é manter a adesão do paciente à terapia prescrita."
Quando isso acontece, até 90% das crises podem ser evitadas.
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Os números da doença
A asma afeta 300
milhões
de pessoas no mundo
20
milhões delas no Brasil
30%
dos doentes têm mais de uma crise por semana
57%
dos
asmáticos brasileiros não controlam a
doença adequadamente
76
milhões de dólares são gastos anualmente
pelos cofres públicos brasileiros
com
as 400
000
internações
decorrentes da doença
é o
terceiro maior gasto da rede pública de saúde
com hospitalizações
Fontes:
Asthma Insights and Reality in Latin
America e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
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As
ameaças
A asma
é uma doença crônica causada pela
inflamação dos brônquios, que se
manifesta
sobretudo por chiado no peito e falta de ar. Entre os
principais fatores que desencadeiam as crises estão:
Stress
Variações bruscas
de temperatura
Exposição a elementos que
causam alergia, como poeira, talco, mofo ou cheiro de
perfume e de tinta
Exercícios físicos intensos e
sem supervisão
Fonte:
Alberto
Cukier, pneumologista do
Instituto do Coração, de São Paulo
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