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Aviação
Tem
jeito de shopping
Mas
é um aeroporto. Dezenas deles
estão sendo reformados num pacote
de obras que vai até 2007

Nahara
Bauchwitz
Divulgação
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| Aeroporto de Fortaleza: inaugurado em 1998,
está sendo adaptado ao conceito dos aero-shoppings |
Embarcar no Aeroporto de Congonhas, o mais
movimentado da América do Sul, já foi um martírio.
Salas de embarque apertadas, longas caminhadas a pé para
chegar às aeronaves e tráfego intenso de veículos
de carga ao lado dos aviões criavam dificuldades que alcançaram
o ponto caótico com as obras recentes de reforma. Montes
de entulho, barulho de britadeiras, lufadas de pó e congestionamentos
dentro da área de estacionamento levaram muita gente a pensar
duas vezes antes de viajar. Uma parte desses incômodos ainda
persiste, principalmente para quem vai com o próprio carro
até o aeroporto da capital paulista, mas a mudança
que se começa a ver do lado de dentro indica que o trauma
das obras pode ter valido a pena. Está funcionando em fase
experimental uma nova área de embarque, com oito pontes de
acesso direto aos aviões. Isso é parte de um conjunto
de mudanças que estarão concluídas em 2006
e que, ao final, terão transformado a fisionomia de um terminal
construído na década de 30 e que hoje recebe 12 milhões
de passageiros por ano.
Congonhas é a obra mais visível
de um pacote que há dois anos vem mudando o cenário
aeroportuário do país. Do aeroporto de Salvador, reinaugurado
em 2002, ao de Navegantes, passando por Porto Velho e Macaé,
mais de sessenta terminais contaram ou estão prestes a contar
com obras de modernização. Em muitos, o trabalho vem
resultando em terminais mais parecidos com shopping centers do que
com estações de embarque. O objetivo da Infraero,
a empresa que administra essas instalações, é,
de um lado, criar condições para atender à
demanda de passageiros dos próximos dez anos e, de outro,
alterar o próprio conceito de uso dos aeroportos. Em Porto
Alegre, Brasília e pelo menos mais quinze cidades, foram
embutidos no projeto conjuntos comerciais batizados de aero-shoppings.
Além dos tradicionais cafezinho, restaurante e lojas de conveniências,
encontram-se neles praças de alimentação, cabeleireiros,
franquias de grifes famosas e até cinemas. "Sem criar problemas
para os viajantes, procuramos incluir nesses shoppings instalações
que possam servir à comunidade", explica Mariangela Russo,
gerente de desenvolvimento mercadológico da Infraero. Fortaleza,
cuja modernização é mais antiga, também
está modificando seu shopping.
Chico Barros/Ag. Lumiar
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| O novo aeroporto do Recife: obras de arte
entre amplos espaços e duto subterrâneo de combustível
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Para os brasileiros, que estavam habituados
apenas com o free shop do embarque e desembarque internacional,
essa variedade comercial é uma novidade. Mas o conceito já
é conhecido há tempos no exterior. O aeroporto de
Frankfurt, na Alemanha, assim como o de Amsterdã, na Holanda,
tem supermercado no prédio. Em Cingapura, podem-se encontrar
piscina e sala de jogos. Não há dúvida de que
passageiros em conexão ou vitimados por atrasos de vôos
ficam bem servidos com os shoppings-aeroportos. Outra vantagem é
que o visual também melhora. No do Recife, cuja operação
parcial começou há um mês, janelões e
teto de vidro combinam com um elegante projeto paisagístico.
Obras do artista plástico Francisco Brennand e painéis
de outros artistas locais estão expostos pelo ambiente. O
pacote nacional inclui ainda obras de infra-estrutura com detalhes
tecnológicos invisíveis, como a construção,
na capital pernambucana, de um duto subterrâneo que leva combustível
até os aviões, dispensando os pesados e não
tão seguros caminhões-tanque. A adoção
das pontes que levam diretamente aos aviões, os chamados
fingers, é, para os passageiros, um dos itens de maior comodidade.
Claudio Rossi
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| A ponte de embarque em Congonhas: enfim, um
pouco de conforto para os passageiros |
Está incluída na lista de obras
a modernização de Viracopos, que deverá tornar-se
o maior portal aéreo do país. A 100 quilômetros
da capital paulista, Viracopos já teve uma fase de suas obras
inaugurada. Logo começa também a reforma do Santos
Dumont, que provisoriamente operará apenas os vôos
regionais e da ponte aérea entre Rio de Janeiro e São
Paulo. Orçadas em 4,5 bilhões de reais, todas essas
reformas atiçaram a cobiça de muitas construtoras
num momento de escassez de grandes obras e algumas licitações
desembocaram no conhecido roteiro de contestações.
Alguns casos já foram parar no Tribunal de Contas da União.
Só a longo prazo se poderá saber se nesses bastidores
se encontrarão a luminosidade e a beleza arquitetônica
que se vêem nos novos aeroportos.
Foto Antonio Milena
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