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Estados Unidos
Missão cumprida na Europa
Bush prepara a maior redução de
tropas
no exterior desde o fim da Guerra Fria
Novos inimigos, novas estratégias. Na
semana passada, o presidente George W. Bush anunciou que, nos próximos
dez anos, vai mandar de volta para os Estados Unidos 70.000
soldados estabelecidos na Europa e na Ásia, de um total de
200.000 espalhados pelo globo. A decisão
faz parte de uma reorganização das forças militares
americanas que começou com o colapso da União Soviética,
em 1991. Durante o período da Guerra Fria, os EUA contavam
no exterior com forte contingente militar. O objetivo era conter
ameaças como uma possível invasão soviética
com tanques a partir do leste europeu ou um ataque terrestre da
Coréia do Norte contra a Coréia do Sul. No auge das
tensões entre o mundo capitalista, liderado pelos Estados
Unidos, e os países comunistas, encabeçados pela União
Soviética, os americanos chegaram a concentrar 300.000
soldados na Alemanha Ocidental. Depois do fim do perigo vermelho,
esse contingente foi diminuído para 73.000.
Com os cortes anunciados por Bush, o número deverá
cair pela metade. A infra-estrutura militar americana na Coréia
do Sul e no Japão também vai sofrer reduções.
Para Bush, não faz mais sentido concentrar
exércitos nessas regiões. As guerras deste início
de século exigem tropas que possam ser acionadas rapidamente
para lutar em qualquer parte do planeta. O Pentágono ainda
se preocupa com as ditaduras comunistas da China e da Coréia
do Norte, mas é o terrorismo internacional o maior inimigo.
"Na guerra contra o terror, a polícia e os serviços
secretos podem ser mais eficientes que as divisões de infantaria
americanas estacionadas na Europa", disse a VEJA Lutz Holländer,
especialista militar do Instituto Alemão para Relações
Internacionais e Segurança, de Berlim. O secretário
de Defesa americano, Donald Rumsfeld, planeja montar pequenas bases
militares em países como a Bulgária e a Romênia,
mais próximos de regiões politicamente instáveis
como os Bálcãs e o Cáucaso. Essa deverá
ser a nova função das forças americanas no
exterior: a solução de conflitos locais, como a guerra
do Kosovo.
O concorrente de Bush nas eleições
presidenciais dos EUA, John Kerry, disse na semana passada que o
programa de redução de tropas enfraquece as relações
com aliados históricos. A cooperação militar
costuma servir de contrapeso para equilibrar situações
de desgaste diplomático entre dois países. O governo
da Alemanha também lamentou a decisão dos americanos
de diminuir o número de soldados no país. A preocupação
dos alemães tem um fundo mais econômico que diplomático:
as bases dos Estados Unidos dão emprego a mais de 15.000
civis e sustentam cidades inteiras. Os que se sentem prejudicados,
no entanto, são minoria. Uma pesquisa recente de opinião
mostrou que 49% da população alemã é
a favor da diminuição da força militar americana
no país. Agora que o medo de uma invasão comunista
desapareceu, a presença dos antigos protetores começa
a incomodar.
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