Edição 1868 . 25 de agosto de 2004

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Estados Unidos
Missão cumprida na Europa

Bush prepara a maior redução de tropas
no exterior desde o fim da Guerra Fria


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Novos inimigos, novas estratégias. Na semana passada, o presidente George W. Bush anunciou que, nos próximos dez anos, vai mandar de volta para os Estados Unidos 70.000 soldados estabelecidos na Europa e na Ásia, de um total de 200.000 espalhados pelo globo. A decisão faz parte de uma reorganização das forças militares americanas que começou com o colapso da União Soviética, em 1991. Durante o período da Guerra Fria, os EUA contavam no exterior com forte contingente militar. O objetivo era conter ameaças como uma possível invasão soviética com tanques a partir do leste europeu ou um ataque terrestre da Coréia do Norte contra a Coréia do Sul. No auge das tensões entre o mundo capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e os países comunistas, encabeçados pela União Soviética, os americanos chegaram a concentrar 300.000 soldados na Alemanha Ocidental. Depois do fim do perigo vermelho, esse contingente foi diminuído para 73.000. Com os cortes anunciados por Bush, o número deverá cair pela metade. A infra-estrutura militar americana na Coréia do Sul e no Japão também vai sofrer reduções.

Para Bush, não faz mais sentido concentrar exércitos nessas regiões. As guerras deste início de século exigem tropas que possam ser acionadas rapidamente para lutar em qualquer parte do planeta. O Pentágono ainda se preocupa com as ditaduras comunistas da China e da Coréia do Norte, mas é o terrorismo internacional o maior inimigo. "Na guerra contra o terror, a polícia e os serviços secretos podem ser mais eficientes que as divisões de infantaria americanas estacionadas na Europa", disse a VEJA Lutz Holländer, especialista militar do Instituto Alemão para Relações Internacionais e Segurança, de Berlim. O secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, planeja montar pequenas bases militares em países como a Bulgária e a Romênia, mais próximos de regiões politicamente instáveis como os Bálcãs e o Cáucaso. Essa deverá ser a nova função das forças americanas no exterior: a solução de conflitos locais, como a guerra do Kosovo.

O concorrente de Bush nas eleições presidenciais dos EUA, John Kerry, disse na semana passada que o programa de redução de tropas enfraquece as relações com aliados históricos. A cooperação militar costuma servir de contrapeso para equilibrar situações de desgaste diplomático entre dois países. O governo da Alemanha também lamentou a decisão dos americanos de diminuir o número de soldados no país. A preocupação dos alemães tem um fundo mais econômico que diplomático: as bases dos Estados Unidos dão emprego a mais de 15.000 civis e sustentam cidades inteiras. Os que se sentem prejudicados, no entanto, são minoria. Uma pesquisa recente de opinião mostrou que 49% da população alemã é a favor da diminuição da força militar americana no país. Agora que o medo de uma invasão comunista desapareceu, a presença dos antigos protetores começa a incomodar.

 
 
 
 
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