|
|
Diogo
Mainardi
A irmandade chavista
"Os
intelectuais e artistas brasileiros não perdem ocasião
para assinar manifestos.
Pena que
não tenham pensado em assinar
um manifesto pedindo uma CPI sobre
o assassinato de Celso
Daniel, prefeito
de Santo André"
Sessenta
e oito intelectuais e artistas brasileiros assinaram o manifesto
"Se fosse venezuelano, eu votaria em Chávez". Os nomes de
sempre: Oscar Niemeyer, Celso Furtado, Antonio Candido, Leonardo
Boff, Chico Buarque, Augusto Boal, João Pedro Stédile,
Beth Carvalho. Não sei se os venezuelanos consideram Beth
Carvalho uma intelectual ou uma artista. Também não
sei quantos votos seu apoio rendeu a Hugo Chávez.
Os intelectuais
e artistas brasileiros não perdem ocasião para assinar
manifestos. O decano da categoria é Oscar Niemeyer. Assinou
praticamente todos os manifestos que surgiram nos últimos
anos. Do que condena a guerra no Iraque ao que repudia a autonomia
do Banco Central. Do que defende o MST ao que pede a reabertura
das investigações sobre o assassinato de Toninho do
PT, prefeito de Campinas. Pena que os intelectuais e artistas brasileiros
não tenham pensado em assinar um manifesto pedindo uma CPI
sobre o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André.
Esperemos que seus pares venezuelanos tomem essa iniciativa.
Oscar Niemeyer,
Chico Buarque e João Pedro Stédile assinaram um manifesto
de solidariedade a José Dirceu, abalado pelo caso de corrupção
em seu ministério. Os mesmos Oscar Niemeyer, Chico Buarque
e João Pedro Stédile assinaram um manifesto de solidariedade
a Cuba, depois que o regime de Fidel Castro mandou matar uns miseráveis
que roubaram um barco para tentar fugir do país.
Os intelectuais
brasileiros formam uma espécie de irmandade. Entre os signatários
do manifesto de apoio a Chávez, encontram-se tanto Carlos
Heitor Cony, agraciado com uma aposentadoria milionária pela
Comissão de Anistia, quanto Marcelo Lavenère, presidente
da mesma comissão. Outros dois intelectuais que manifestaram
apoio a Chávez foram Fernando Morais e Guilherme Fontes,
respectivamente autor e diretor de Chatô. Guilherme
Fontes, por causa do filme, passou os últimos tempos defendendo-se
de acusações de irregularidades no uso de verbas públicas.
Fernando Morais passou os últimos tempos defendendo seu padrinho
político, Orestes Quércia, de acusações
semelhantes.
Um dos
mais entusiasmados signatários do manifesto chavista foi
o bispo Tomás Balduino. Ele pregou "a mística bolivariana",
por sua "coragem de enfrentar o império americano", da mesma
maneira que pregou, no passado, a invasão de terras produtivas
e o saque a supermercados. Tomás Balduino foi um dos promotores
do fracassado plebiscito da dívida externa. Ultimamente,
passou a recolher adesões para um plebiscito contra a Alca.
Muitas das personalidades que assinaram o manifesto chavista assinaram
também, um ano atrás, uma carta aberta a Lula, alertando-o
contra a Alca e seu projeto neoliberal, que condena o Brasil a pagar
juros apenas "para saciar credores insaciáveis". Preocupados
com os rumos da cultura, os intelectuais e artistas aproveitaram
para lembrar o presidente de que a nação não
pode "entregar ao mercado a formação de sua juventude".
Lula continuou a pagar juros aos credores. Em compensação,
intelectuais e artistas ganharam cargos públicos e projetos
de lei para o controle de imprensa e cinema.
Se eu fosse
venezuelano, votaria contra os brasileiros.
|