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25 de julho de 2007
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Cinema
Profissionais do segredo

Um ótimo filme mostra como foi capturado o agente
do FBI que durante 22 anos espionou para os russos


Isabela Boscov

 
Divulgação
Phillippe e Cooper, como caçador e presa: dissimular para viver, e viver para dissimular

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Trailer do filme

A certa altura de sua carreira, Robert Hanssen, principal analista de assuntos soviéticos do FBI, foi encarregado de chefiar uma força-tarefa destinada a encontrar a origem, dentro da agência, de um vazamento contínuo de segredos americanos para o bloco comunista e, depois do fim deste, para a Rússia. A missão não teve sucesso – pelo simples motivo de que o traidor que o FBI desejava identificar não era outro que não o próprio Hanssen. Durante 22 anos, ele passou informações confidenciais para o inimigo, num fluxo que, no volume e no calibre dos dados, constitui a maior brecha na segurança interna dos Estados Unidos em toda a sua história. Em fevereiro de 2001, finalmente, Hanssen foi desmascarado – e é da operação de espionagem interna montada pelo FBI para provar sua culpa que trata o excelente Quebra de Confiança (Breach, Estados Unidos, 2007), que estréia nesta sexta-feira no país.

O filme flagra Hanssen no momento em que a engrenagem para capturá-lo começa a funcionar. Primeiro, com sua promoção para um posto de prestígio mas sem acesso a dados cruciais, o que visava ao mesmo tempo a aplacar sua vaidade e colocá-lo numa posição na qual, para continuar seu trabalho secreto, ele teria de se expor mais. Depois, com a designação de um ordenança acima de qualquer suspeita para trabalhar junto com ele. Eric O'Neill, um rapaz de 20 e poucos anos que se destacava entre os recrutas do FBI e aspirava a se tornar agente, foi escolhido por ser inteligente, ambicioso e discreto. Foi, também, informado apenas de parte da verdade sobre Hanssen: seus hábitos sexuais incomuns, os quais gostava de compartilhar on-line, e que poderiam trazer constrangimentos ao birô. Pouco a pouco, O'Neill vai se dando conta de que há muito mais do que isso em jogo ali – e pouco a pouco, também, vai entrando no mundo irreal, paranóico e algo monstruoso dos profissionais da desconfiança.

Hanssen foi condenado à prisão perpétua em maio de 2002, mas seu julgamento não ajudou a responder a uma pergunta primordial: por que ele fez o que fez? O agente era dono de uma inteligência brilhante. Era também um patriota que desprezava os regimes socialistas, um católico fervoroso, um pai e marido devotado. Nos 22 anos em que contra-espionou, amealhou lucros proporcionalmente modestos – 1,4 milhão de dólares, em boa parte depositados em contas russas, que nunca pôde acessar. Magnificamente interpretado por Chris Cooper, ele exprime no filme uma resposta hipotética a essa indagação. A chave de suas ações estaria numa combinação complexa de narcisismo, sentimento de inferioridade e atração quase sensual pelo segredo. É dessa mistura perturbadora que o jovem O'Neill (Ryan Phillippe) prova em si mesmo no decorrer de sua convivência com Hanssen – e que, de acordo com seu próprio relato, fornecido ao cineasta Billy Ray, o levou a romper toda a ligação com a agência apesar do imenso sucesso de sua participação.

Quebra de Confiança é apenas o segundo trabalho de Billy Ray na direção. Mas, tomado em conjunto com o primeiro – O Preço de uma Verdade, sobre o caso também real de um jornalista da prestigiosa The New Republic que durante anos forjou reportagens de grande impacto –, mostra que ele tem talento excepcional para investigar personagens que vivem em razão de dissimular e se inventar para consumo público. Talvez por isso, justamente, Ray seja também um ótimo diretor de atores. Obter desempenhos ricos e inteligentes como o de Chris Cooper ou o de Laura Linney, no papel da agente que arma a rede em que Hanssen será capturado, não chega a ser surpresa, já que esses são atores habitualmente impecáveis. Impressiona, porém, a atuação que ele tira do quase sempre insípido Phillippe – o qual, como seu personagem, deve ter descoberto facetas que nunca havia suspeitado em si mesmo.

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