BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2018

25 de julho de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Millôr
Claudio de Moura Castro
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Televisão
A ciência de enfeitiçar crianças

Hi-5 é exemplo de como a TV aprendeu a se
dirigir ao público infantil com precisão cirúrgica


Marcelo Marthe

 
Divulgação
Os cinco jovens cantantes e saltitantes de Hi-5: o segredo é repetir, repetir e repetir

O mais novo fenômeno infantil da TV atende pelo nome de Hi-5. Criada por uma emissora australiana no fim dos anos 90, a série musical faz sucesso em setenta países – inclusive no Brasil, onde acaba de produzir uma reviravolta no ranking dos canais para crianças. Graças à sua popularidade, no mês passado o Discovery Kids passou a liderar a audiência no nicho dos 4 aos 11 anos, até então dominado pelo concorrente Cartoon. A série já desperta o interesse da televisão aberta, à qual poderá chegar em 2008. E, a exemplo do que ocorre em outros lugares, não demorará a dar mote a discos e DVDs por aqui. Assim como High School Musical, telefilme da Disney que arrebatou os pré-adolescentes, Hi-5 tem um quê de moderninha. Só que a ação é muito simples. Gira em torno de um conjunto fictício que interage com bonecos e protagoniza esquetes com algum fundo educativo. O que chama atenção é como seus produtores dominam a ciência, por assim dizer, da comunicação com crianças bem novas. Nos anos 70, a produção americana Vila Sésamo já se valia das descobertas da neurologia e da psicologia a esse respeito. De lá para cá, o uso de tal conhecimento foi radicalizado em programas como Teletubbies, aquele dos bebês "fofinhos", e Barney e Seus Amigos, protagonizado por um dinossauro cor-de-rosa. Hi-5 atualiza a fórmula desses dois antecessores, que poderia ser resumida num só mandamento: repetir, repetir e repetir.

Embora atormente os adultos, o hábito de rever uma cena muitas vezes faz todo o sentido para as crianças em idade pré-escolar. "Como sua capacidade de compreensão é limitada, elas vão adquirindo confiança sempre que uma mesma cena é repisada", diz o neurologista pediátrico Erasmo Casella, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Isso explica por que as canções e histórias são tão reiteradas num programa como Hi-5. Também não é por acaso que os esquetes têm enredos curtos e circulares. O objetivo é manter a concentração das crianças. Além da repetição no programa em si, a grade do Discovery Kids ajuda a reforçar a impressão de que se está martelando a mesma tecla. Semanalmente, o canal exibe somente um episódio inédito de meia hora – e tome outras 48 horas e meia de reprises. Mas, ainda que a repetição seja uma importante ferramenta de aprendizado nessa fase, os especialistas recomendam que os pais imponham limites. "Em excesso, ela pode ser prejudicial ao desenvolvimento intelectual", diz o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo.

Na Austrália, os programas infantis são obrigados por lei a conter alguma dose de conteúdo educativo. Hi-5 atende a esse requisito. Como já lembrou sua criadora, Helena Harris (mentora também de uma pérola da programação infantil trash, Bananas de Pijamas), os movimentos de dança são concebidos para estimular as habilidades motoras e mentais das crianças. Mas o maior objetivo é mesmo o entretenimento. O que não significa que se abdique de um traço dos programas infantis atuais: a obsessão pelo politicamente correto. O elenco de Hi-5 (que chega ao Brasil em sua versão americana, também produzida na Austrália) é todo multicultural: tem uma negra, um hispânico e uma oriental, para contrabalançar com um casal de loiros caucasianos. E faz apologia da alimentação saudável. Enquanto cantam e dançam, os personagens dão lições sobre a importância de comer verduras. Os pais, portanto, devem ficar descansados. Hi-5 é meio sem-sal. Mas não faz mal a ninguém.

 

PÍLULAS DE DIVERSÃO

Divulgação


A neurologia e a psicologia explicam por que
programas como Hi-5, Teletubbies e Barney exercem tanta atração sobre o público infantil

REPETIÇÃO

A criança aprecia quando uma imagem, música ou frase é martelada à exaustão. Além de lhe dar prazer, isso facilita a absorção de conceitos em seu estágio de formação cerebral

ENREDOS SIMPLES

As narrativas são curtas e circulares. Como a criança se relaciona com a TV mais por meio de estímulos sensoriais que pela linguagem verbal, isso ajuda a prender sua atenção

CORES VIVAS

Trata-se de outro estímulo sensorial importante. O colorido tem a função de transmitir alegria e conforto

INTERATIVIDADE

Os programas são pontuados por pausas para que se possam imitar o gestual e as canções dos personagens.
Por estar desenvolvendo sua cognição e coordenação motora, a criança sente-se estimulada por isso

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |