BUSCA

Revistas
Notícias
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado









REVISTAS
VEJA
Edição 2018

25 de julho de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Millôr
Claudio de Moura Castro
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Estilo
Feio é bonito

Recém-chegados ao Brasil, os Crocs são
esquisitos e desengonçados. E todo mundo adora


Laura Ming

Fotos Marcelo Soalheiro/Byte Beach, Matthew Staver/Landov e Ron Sachs-Pool/Getty Images
Cada um na sua: Ana Maria no estilo praia, Brin no estilo conferência e Bush no estilo Bush

À primeira vista, ele é feio de doer. Aliás, à segunda também: arredondado e de aparência pesada como um tamanco holandês, cheio de furinhos, preso atrás por uma alça que deixa o calcanhar de fora, tudo isso em cores, de preferência, berrantes. São os Crocs, nome do calçado de verão que virou mania nos Estados Unidos e na Europa e, agora, começa a pôr o pé no Brasil. Expoentes do conceito "o feio pode ser bonito" – por sinal, slogan de uma de suas campanhas –, que popularizou feiosos estilosos como as sandálias Birkenstock e as botas Ugg, os Crocs são vistos nos pés de homens (muitos), mulheres (menos) e crianças (provavelmente seu maior público). Médicos e outros profissionais que trabalham em hospitais adotaram em massa, embora o tamanquinho não seja tão à prova de sujeira quanto parece. Atores de uma certa idade e muita autoconfiança, como Jack Nicholson, Al Pacino e Harvey Keitel, usam; as atrizes Teri Hatcher e Drew Barrymore, também. Sergey Brin, um dos donos do Google, ostentou Crocs vermelhos em uma conferência. George W. Bush conseguiu provavelmente a mais hedionda combinação: bermudão, tamancos pretos e meias idem, enfeitadas com o brasão da Presidência. No Rio de Janeiro, a apresentadora Ana Maria Braga desfilou à beira-mar com Crocs laranja que comprou em Portugal. "Inventamos uma nova categoria de calçado", orgulha-se o americano Lyndon Hanson, um dos três sócios da Crocs Inc., que neste ano espera vender 20 milhões de pares e faturar 300 milhões de dólares.

Os Crocs nasceram na canadense Foam Creations, dona da patente de uma resina não-plástica, a Croslite, antiderrapante e extremamente leve – o Beach, campeão de vendas, pesa 170 gramas, 30 menos que uma Havaianas, sucesso mundial do estilo desencanado que agora enfrenta a concorrência dos tamancos. Destinavam-se a velejadores, caso de Hanson e seus dois amigos, Scott Seamans e George Boedecker, que assim os conheceram, gostaram deles e passaram a fabricá-los sob licença no estado do Colorado. Em dois anos, batizaram a coisa de Croc (pela semelhança, dizem, com um crocodilo), compraram a Foam Creations e fizeram história. Hoje, a Crocs Inc. vale 1 bilhão de dólares e fabrica trinta modelos, que vão dos chinelos de dedo às sapatilhas. Mas o carro-chefe continua a ser o clássico Beach, que custa, em média, 30 dólares. Para atuar no Brasil, a empresa montou uma fábrica em Sorocaba, interior de São Paulo, onde pretende produzir 2 milhões de calçados por ano. Por enquanto, seus cerca de 100 pontos-de-venda oferecem modelos feitos na China, no Canadá ou no México, a preços que vão de 90 a 120 reais – aí certamente as Havaianas não precisam se preocupar com a concorrência. "Chegamos com cores discretas. Mas o brasileiro é alegre e vai se render aos coloridos", acredita Andrew Schmitt, diretor da Crocs para a América Latina.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |