Recém-chegados
ao Brasil, os Crocs são
esquisitos e desengonçados. E todo mundo adora
Laura Ming
Fotos Marcelo Soalheiro/Byte
Beach, Matthew Staver/Landov e Ron Sachs-Pool/Getty Images
Cada um na sua: Ana Maria no
estilo praia, Brin no estilo conferência e Bush no estilo
Bush
À primeira vista, ele
é feio de doer. Aliás, à segunda também:
arredondado e de aparência pesada como um tamanco holandês,
cheio de furinhos, preso atrás por uma alça
que deixa o calcanhar de fora, tudo isso em cores, de preferência,
berrantes. São os Crocs, nome do calçado de
verão que virou mania nos Estados Unidos e na Europa
e, agora, começa a pôr o pé no Brasil.
Expoentes do conceito "o feio pode ser bonito" por
sinal, slogan de uma de suas campanhas , que popularizou
feiosos estilosos como as sandálias Birkenstock e as
botas Ugg, os Crocs são vistos nos pés de homens
(muitos), mulheres (menos) e crianças (provavelmente
seu maior público). Médicos e outros profissionais
que trabalham em hospitais adotaram em massa, embora o tamanquinho
não seja tão à prova de sujeira quanto
parece. Atores de uma certa idade e muita autoconfiança,
como Jack Nicholson, Al Pacino e Harvey Keitel, usam; as atrizes
Teri Hatcher e Drew Barrymore, também. Sergey Brin,
um dos donos do Google, ostentou Crocs vermelhos em uma conferência.
George W. Bush conseguiu provavelmente a mais hedionda combinação:
bermudão, tamancos pretos e meias idem, enfeitadas
com o brasão da Presidência. No Rio de Janeiro,
a apresentadora Ana Maria Braga desfilou à beira-mar
com Crocs laranja que comprou em Portugal. "Inventamos uma
nova categoria de calçado", orgulha-se o americano
Lyndon Hanson, um dos três sócios da Crocs Inc.,
que neste ano espera vender 20 milhões de pares e faturar
300 milhões de dólares.
Os Crocs nasceram na canadense
Foam Creations, dona da patente de uma resina não-plástica,
a Croslite, antiderrapante e extremamente leve o Beach,
campeão de vendas, pesa 170 gramas, 30 menos que uma
Havaianas, sucesso mundial do estilo desencanado que agora
enfrenta a concorrência dos tamancos. Destinavam-se
a velejadores, caso de Hanson e seus dois amigos, Scott Seamans
e George Boedecker, que assim os conheceram, gostaram deles
e passaram a fabricá-los sob licença no estado
do Colorado. Em dois anos, batizaram a coisa de Croc (pela
semelhança, dizem, com um crocodilo), compraram a Foam
Creations e fizeram história. Hoje, a Crocs Inc. vale
1 bilhão de dólares e fabrica trinta modelos,
que vão dos chinelos de dedo às sapatilhas.
Mas o carro-chefe continua a ser o clássico Beach,
que custa, em média, 30 dólares. Para atuar
no Brasil, a empresa montou uma fábrica em Sorocaba,
interior de São Paulo, onde pretende produzir 2 milhões
de calçados por ano. Por enquanto, seus cerca de 100
pontos-de-venda oferecem modelos feitos na China, no Canadá
ou no México, a preços que vão de 90
a 120 reais aí certamente as Havaianas não
precisam se preocupar com a concorrência. "Chegamos
com cores discretas. Mas o brasileiro é alegre e vai
se render aos coloridos", acredita Andrew Schmitt, diretor
da Crocs para a América Latina.