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25 de julho de 2007
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Ciência
A vantagem está no fôlego

Em sua evolução, a espécie humana se tornou
bípede para despender menos energia ao andar


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Quadro: O teste da esteira

Nos últimos 100 anos, cientistas formularam diversas teorias para explicar por que o ser humano, ao contrário dos outros grandes primatas, se tornou bípede em determinada fase de sua evolução. Uma das teorias mais aceitas diz que, ao usarem apenas os pés para andar, os machos podiam utilizar as mãos para carregar alimento mais facilmente para as fêmeas e sua prole. Em seu livro O Último Neandertal, o antropólogo Ian Tattersall, do Museu de História Natural de Nova York, defende a tese de que, ao trocar a selva pela savana, o homem se beneficiou da posição ereta para se proteger do calor – os raios solares incidiam diretamente apenas sobre sua cabeça, e não sobre todo o dorso, como ocorria com os quadrúpedes. Uma pesquisa divulgada na semana passada lança novos subsídios para explicar as origens do bipedalismo, considerado um marco decisivo na separação do ser humano dos outros ramos de primatas. No estudo, cientistas de três universidades americanas, da Califórnia, do Arizona e de Washington, mostram que um fator determinante para que o homem tenha passado a andar apenas com os pés foi que, dessa forma, ele despendia menos energia. Com a força extra, tinha mais disposição física para enfrentar ambientes naturais hostis e conseguir alimentos.

Para provarem sua hipótese, os cientistas realizaram testes numa esteira ergométrica com quatro pessoas e cinco chimpanzés – os animais que têm código genético mais parecido com o dos seres humanos. Os chimpanzés foram treinados para andar na esteira com as mãos e os pés – como é característico da espécie – e também apenas com os pés, o que às vezes fazem desajeitadamente em seu habitat. Os dois grupos participaram do teste com máscaras para medir a quantidade de oxigênio consumida durante o exercício. Resultado: os seres humanos despenderam apenas um quinto da energia gasta pelos chimpanzés (veja o quadro abaixo). Os chimpanzés gastaram energia equivalente ao andar de forma bípede ou quadrúpede. Isso se explica pelo fato de os seres humanos terem quadris mais largos e membros inferiores mais longos, o que facilita a caminhada. A pesquisa significa um avanço no estudo da evolução dos hominídeos. Ajuda a esclarecer por que certas alterações foram positivas para a adaptação da espécie ao ambiente. "Agora sabemos que essas transformações, evidenciadas pelos fósseis, possibilitaram ao homem se movimentar gastando menos energia e tiveram um papel decisivo na evolução do bipedalismo", celebrou o antropólogo David Raichlen, da Universidade do Arizona, um dos responsáveis pela pesquisa.

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