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25 de julho de 2007
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Medicina
Isso cheira a
doença de Alzheimer

A perda de olfato pode ser o primeiro
sinal do surgimento do distúrbio


Paula Neiva

Divulgação
Tio Junior, personagem de Os Sopranos: Alzheimer na TV


Um estudo relativamente simples, publicado na edição deste mês da revista científica Archives of General Psychiatry, lança luz sobre uma zona de sombra da doença de Alzheimer: o diagnóstico precoce. Hoje, metade dos casos da doença – que causa perda de memória e mudanças bruscas de comportamento – é detectada em estágio avançado. Coordenado por pesquisadores das universidades da Pensilvânia e Rush, nos Estados Unidos, o trabalho mostrou uma estreita associação entre a perda da capacidade de sentir cheiros familiares, como os de canela, banana ou limão, e o aparecimento da doença alguns anos mais tarde. Para chegar à relação entre a perda olfativa e o risco de desenvolver a doença, os médicos acompanharam cerca de 600 pessoas com mais de 54 anos, por cinco anos. No início do estudo, os participantes passaram por testes neurológicos e cognitivos, repetidos anualmente, além de um exame que avaliou a percepção deles para doze odores. Para cada um dos cheiros, eram dadas quatro opções de resposta. A média de acertos foi de nove questões. Aqueles que ficaram abaixo dessa marca mostraram-se até 50% mais suscetíveis ao aparecimento de Alzheimer ou a perdas cognitivas em ritmo mais acelerado. O estudo fornece ainda pistas importantes que podem predizer o ritmo de evolução da doença. A esse trabalho vem se somar outro, divulgado no início do mês por pesquisadores americanos que identificaram uma variante do gene GAB2. Como a presença dela pode aumentar o risco de desenvolver Alzheimer, eis aí mais uma potencial forma de identificação precoce da doença.

Diagnosticar e tratar a doença de Alzheimer, o principal tipo de demência entre pessoas com mais de 60 anos, é hoje um dos maiores desafios da neurologia. Incurável, o distúrbio incapacita o paciente para as funções básicas do dia-a-dia. Em estágios mais avançados, ele nem sequer reconhece seu próprio reflexo no espelho. Cerca de 25 milhões de pessoas no mundo são vítimas da doença – 1 milhão delas no Brasil. Com o aumento da expectativa de vida, prevê-se que, em menos de três décadas, o número total de pacientes chegará a 80 milhões. A doença está de tal forma disseminada que já acomete personagens de seriados televisivos, como o Tio Junior, de Os Sopranos, e Ellis Grey, de Grey's Anatomy.

Na tentativa de desacelerar o ritmo dessa progressão, os pesquisadores se empenham para afinar os critérios atuais de diagnóstico da doença (o protocolo seguido pelos médicos é de 1984). Dele consta apenas uma avaliação clínica feita em consultório, que inclui histórico familiar e um teste de cognição. Um estudo elaborado por uma junta de médicos europeus e americanos, divulgado nesta semana na revista científica Lancet Neurology, defende a inclusão de exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, capazes de flagrar a atividade e a anatomia cerebrais. Os médicos sugerem, ainda, a inclusão de marcadores biológicos e genéticos para detectar os riscos de ocorrência do mal – o que já é feito em alguns hospitais americanos.



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