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25 de julho de 2007
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Religião
O preço do pecado

A Igreja americanapaga 660 milhões
dedólares a vítimas de padres pedófilos


Diogo Schelp

 

Damian Dovarganes/AFP
O americano Lee Bashforth mostra foto sua com o padre que o molestou

A indenização é recorde, mas o número de vítimas também. Na segunda-feira passada, a Arquidiocese de Los Angeles aceitou pagar 660 milhões de dólares como parte de um acordo para pôr fim ao processo judicial movido por mais de 500 vítimas de abusos sexuais praticados por padres. A quantia é a maior já paga por uma única diocese desde que os processos por abusos sexuais envolvendo o clero católico se transformaram numa crise para a Igreja nos Estados Unidos, nos anos 90. Até agora, a Igreja americana já desembolsou 1,5 bilhão de dólares em indenizações. Apesar da dinheirama envolvida, o acordo não significa que uma pedra foi colocada sobre o assunto. Há mais de 400 processos contra a Igreja por abuso sexual ainda em andamento em outras cidades americanas, a maioria em Boston, San Diego e Kansas City. Por outro lado, o acordo foi feito a tempo de evitar que o cardeal Roger Mahony, arcebispo de Los Angeles, fosse obrigado a explicar num tribunal, no dia seguinte, por que deixou de denunciar às autoridades os padres pedófilos, embora estivesse informado dos pecados cometidos por detrás da sacristia.

Com a indenização, as vítimas se comprometeram a desistir dos processos que correm na Justiça contra a Arquidiocese de Los Angeles. Num ato complementar de expiação, o cardeal Mahony pediu desculpas às vítimas diante das câmeras de televisão. "Gostaria que a vida das vítimas fosse como uma fita de vídeo, para poder voltar e apagar todos esses anos de misérias e sofrimento", disse. Em acordos anteriores, a Arquidiocese de Los Angeles já havia pago 114 milhões de dólares. Para arcar com todas as indenizações, Mahony diz que será preciso vender algumas propriedades, resgatar investimentos e pedir dinheiro emprestado. Do total a ser recebido pelas vítimas de Los Angeles, cerca de um terço será pago por uma seguradora especializada em abusos sexuais. Metade das dioceses americanas contribui para um fundo de indenizações. Essa reserva é necessária porque, como as vítimas só têm coragem de denunciar os estupros depois de adultas, a maioria dos crimes já prescreveu ou os padres pedófilos morreram. Por isso, os processos são movidos diretamente contra as dioceses, por negligência e omissão.


Monica Almeida/The New York Times
O cardeal Mahonypede desculpas:o acordo evitou ida ao tribunal


Entre as centenas de denúncias que levaram ao acordo da semana passada, a principal envolve o padre Clinton Hagenbach, morto em 1987. Hagenbach vivia rodeado de garotos de 5 a 16 anos. Ele tinha o hábito de, a cada dia, levar um deles à sacristia, onde lhe dava dinheiro e bebidas alcoólicas. Em seguida, obrigava-o a fazer sexo. "Como a Igreja Católica exige o celibato, a vida sexual dos padres acaba sendo rodeada de segredo", disse a VEJA o americano David Clohessy, diretor da Rede de Sobreviventes de Abuso de Padres, com sede em Chicago. "Praticamente todos têm o que esconder, do seminarista ao bispo, e isso explica por que um acoberta o outro." Hagenbach foi transferido sete vezes de paróquia, provavelmente para afastá-lo de determinados garotos. Na prática, esse tipo de solução apenas aumenta o número de vítimas.

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