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25 de junho de 2008
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Internacional
Agora, fogem de Raúl

Apesar das reformas do irmão-sucessor,
aumenta o êxodo cubano para os EUA


Thomaz Favaro

Michael Armand/AP
Balseros na grande escapada de 1994

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Raúl Castro, irmão de Fidel e seu sucessor, promoveu nos últimos meses algumas reformas econômicas destinadas a aliviar as agruras do dia-a-dia. Itens de consumo banais no restante do mundo estão agora acessíveis também na ilha. Os cubanos foram autorizados a se hospedar em hotéis, a comprar eletrodomésticos e aparelhos celulares. Como diz o ditado, muito pouco, muito tarde. As mudanças e o afastamento de Fidel (el comandante-en-jefe tornou-se irrelevante a ponto de bater boca publicamente com Caetano Veloso) não foram suficientes para convencer a população a esperar para ver no que vai dar. O número de cubanos que tentam fugir está no seu ponto mais alto desde 1994. Naquele ano, estrangulado pela crise econômica, Fidel liberou a emigração. No total, 37 000 pessoas tentaram chegar aos Estados Unidos por mar. De acordo com a Guarda Costeira americana, 3.846 cubanos lançaram-se ao mar nos últimos oito meses em direção à costa da Flórida, a 160 quilômetros de distância. Cerca de 40% deles foram interceptados no caminho.

"As tímidas reformas feitas por Raúl Castro não vão alterar a curto prazo a falta de perspectivas para os jovens cubanos", disse a VEJA o americano Andy Gomez, do Instituto de Estudos Cubanos da Universidade de Miami. O salário médio de um cubano é de 15 dólares por mês. Esse é o salário mínimo por duas horas de trabalho na Flórida. O movimento atual – que está sendo chamado de êxodo silencioso – tem características próprias. As fugas do passado ocorreram em embarcações precárias, algumas vezes simples bóias de borracha, ou dependeram de barcos de resgate enviados por organizações humanitárias. O percurso atual é feito em lanchas motorizadas. São viagens agenciadas por cubanos exilados em Miami, donos de um lucrativo tráfico de fugitivos. O preço médio por imigrante é de 10.000 dólares.

A fuga também deixou de ser uma viagem direta aos Estados Unidos. Com o aumento do controle americano no Estreito da Flórida, um em cada três balseros prefere a travessia mais longa até a Península de Yucatán, no México. Ao desembarcarem, os fugitivos seguem por terra em direção ao norte do país. Ao contrário de outros imigrantes clandestinos vindos da América Latina, os cubanos não precisam atravessar o deserto nem burlar a vigilância policial. Graças a uma lei do governo Clinton que prevê asilo a todo habitante da ilha que pise em território americano – a Lei do Pé Seco –, ele só precisa se apresentar às autoridades na fronteira e receber o visto de residência nos Estados Unidos.

 



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