Edição 1808 . 25 de junho de 2003

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JUROS
Uma redução simbólica

Com a queda da taxa básica dos juros, nada
muda para quem toma empréstimo em banco


Leandra Peres

Notícias diárias sobre economia

Adiminuição da Selic, a taxa básica de juros, de 26,5% para 26% terá impacto quase nulo sobre a economia no curto prazo. Isolada, a redução da Selic anunciada pelo Banco Central na semana passada diminui em apenas 26 centavos – preço de um chiclete – a conta de juros de um correntista que usar 1.000 reais do limite do cheque especial por vinte dias. Quem fizer um crediário de 800 reais para pagar em doze prestações poderá comprar um cafezinho e talvez um pão de queijo com os 2,52 reais economizados (veja quadro). As empresas, que hoje pagam juros médios de 82,9% ao ano, continuarão com uma carga no patamar de 82%. E isso apenas se os bancos repassarem integralmente o meio ponto porcentual da redução da Selic às taxas que cobram de seus clientes. "O impacto na economia é menor porque o mercado financeiro já acreditava na redução e havia incorporado essa expectativa às previsões", explica o economista-chefe do Unibanco, Alexandre Schwartsman. Ou seja, a queda nos juros só fará diferença se o Banco Central repetir ou aumentar a dose nos próximos meses.

Examinar a redução da semana passada apenas por seus resultados imediatos é um equívoco. Embora ínfima, a queda da Selic tem valor simbólico. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão que define a taxa, foi interpretada como um sinal de que o Banco Central considera a inflação controlada e que, portanto, chegou a hora de baixar os juros. "Daqui em diante o sinal é de queda, e acredito que vamos chegar ao fim do ano em plena recuperação", diz o diretor do Banco Itaú, Sérgio Werlang. A comparação é entre 2003 e 1999. No início daquele ano, o governo elevou os juros para 45%, com o objetivo de conter a ameaça inflacionária causada pela mudança do sistema cambial, mas em junho a Selic já estava em 22%, o que possibilitou um crescimento de 4,36% em 2000.

A confirmação de que os juros vão continuar a cair depende da divulgação dos índices de preços nas próximas semanas. A razão da cautela é o perigo de uma redução rápida de juros. Em entrevista ao jornal Valor Econômico na semana passada, o ex-presidente do Banco Central de Israel e atual presidente da Merrill Lynch International, Jacob A. Frenkel, ressaltou que a pressa agora pode fazer renascer o vírus da inflação. A Federação do Comércio de São Paulo não espera muito do Papai Noel neste ano. O desempenho do setor varejista em 2003 deve manter-se igual ou, no máximo, 1% superior ao registrado em 2002. É assim porque o impacto da mexida nos juros leva em torno de seis meses para ter efeito.

O governo é o único que se beneficia imediatamente da queda da Selic. Se a atual taxa for mantida nos próximos doze meses, o Tesouro Nacional economizará 2,2 bilhões de reais em pagamento de juros. Parece muito, mas na prática é também um ganho módico. Apenas no mês passado a dívida aumentou 16,35 bilhões de reais. A dívida pública interna é afetada por outros fatores, como a desvalorização cambial e a inflação.

 
 
 
 
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