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JUROS
Uma redução simbólica
Com a queda da taxa básica dos juros, nada
muda para quem toma empréstimo em banco

Leandra
Peres
Adiminuição
da Selic, a taxa básica de juros, de 26,5% para 26% terá
impacto quase nulo sobre a economia no curto prazo. Isolada, a redução
da Selic anunciada pelo Banco Central na semana passada diminui
em apenas 26 centavos preço de um chiclete
a conta de juros de um correntista que usar 1.000 reais do limite
do cheque especial por vinte dias. Quem fizer um crediário
de 800 reais para pagar em doze prestações poderá
comprar um cafezinho e talvez um pão de queijo com os 2,52
reais economizados (veja
quadro). As empresas, que hoje pagam juros médios
de 82,9% ao ano, continuarão com uma carga no patamar de
82%. E isso apenas se os bancos repassarem integralmente o meio
ponto porcentual da redução da Selic às taxas
que cobram de seus clientes. "O impacto na economia é menor
porque o mercado financeiro já acreditava na redução
e havia incorporado essa expectativa às previsões",
explica o economista-chefe do Unibanco, Alexandre Schwartsman. Ou
seja, a queda nos juros só fará diferença se
o Banco Central repetir ou aumentar a dose nos próximos meses.
Examinar
a redução da semana passada apenas por seus resultados
imediatos é um equívoco. Embora ínfima, a queda
da Selic tem valor simbólico. A decisão do Comitê
de Política Monetária (Copom), órgão
que define a taxa, foi interpretada como um sinal de que o Banco
Central considera a inflação controlada e que, portanto,
chegou a hora de baixar os juros. "Daqui em diante o sinal é
de queda, e acredito que vamos chegar ao fim do ano em plena recuperação",
diz o diretor do Banco Itaú, Sérgio Werlang. A comparação
é entre 2003 e 1999. No início daquele ano, o governo
elevou os juros para 45%, com o objetivo de conter a ameaça
inflacionária causada pela mudança do sistema cambial,
mas em junho a Selic já estava em 22%, o que possibilitou
um crescimento de 4,36% em 2000.
A confirmação de que os juros vão continuar
a cair depende da divulgação dos índices de
preços nas próximas semanas. A razão da cautela
é o perigo de uma redução rápida de
juros. Em entrevista ao jornal Valor Econômico na semana
passada, o ex-presidente do Banco Central de Israel e atual presidente
da Merrill Lynch International, Jacob A. Frenkel, ressaltou que
a pressa agora pode fazer renascer o vírus da inflação.
A Federação do Comércio de São Paulo
não espera muito do Papai Noel neste ano. O desempenho do
setor varejista em 2003 deve manter-se igual ou, no máximo,
1% superior ao registrado em 2002. É assim porque o impacto
da mexida nos juros leva em torno de seis meses para ter efeito.
O governo é o único que se beneficia imediatamente
da queda da Selic. Se a atual taxa for mantida nos próximos
doze meses, o Tesouro Nacional economizará 2,2 bilhões
de reais em pagamento de juros. Parece muito, mas na prática
é também um ganho módico. Apenas no mês
passado a dívida aumentou 16,35 bilhões de reais.
A dívida pública interna é afetada por outros
fatores, como a desvalorização cambial e a inflação.
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