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Edição 1 697 - 25 de abril de 2001
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VÍDEO

Divulgação Warner
Nos Braços...: ganhador do Oscar


Nos Braços de Estranhos – Histórias do Kindertransport
(Into the Arms of Strangers: Stories of the Kindertransport, Estados Unidos/Inglaterra, 2000. Warner) – Nos meses que antecederam o início da II Guerra Mundial, milhares de famílias judias da Alemanha e da Áustria tomaram uma decisão drástica: na impossibilidade de fugir à perseguição nazista, enviariam ao menos seus filhos para um lugar seguro. Só a Inglaterra se dispôs a acolher os pequenos refugiados. Cerca de 10.000 crianças foram colocadas sob a guarda de totais estranhos, com os quais mal conseguiam se comunicar, já que a maioria delas não falava inglês. Esse episódio dramático, que por muito tempo ficou relegado às notas de rodapé da História, é o tema do documentário Nos Braços de Estranhos, premiado com o Oscar deste ano. Num trabalho cuidadoso de reconstituição, os produtores localizaram vários dos sobreviventes do Kindertransport, como ficou conhecido o programa. O resultado é um retrato arrasador da tragédia da guerra, sob um ponto de vista pouco explorado: o das crianças.

 

DISCOS

Pussy Cats, Harry Nilsson (BMG) – No Brasil, Harry Nilsson (1941-1994) é famoso apenas pelas canções Everybody's Talking (tema do filme Perdidos na Noite, estrelado por Jon Voight e Dustin Hoffman) e Without You, balada que anos atrás ganhou uma versão piegas de Mariah Carey. Mas ele foi um dos grandes nomes da música pop americana dos anos 60. Cantor e compositor de mão-cheia, tinha entre seus admiradores todos os integrantes dos Beatles. O mais chegado deles era John Lennon, que em 1974 produziu Pussy Cats. Gravado durante bebedeiras homéricas da dupla, o disco foi marcado pela tragédia: Nilsson estourou as cordas vocais no meio do processo e nunca mais recuperou a boa forma. Mesmo combalido, ele brilha em rocks áridos e baladas. Destaque para as regravações de Subterranean Homesick Blues, de Bob Dylan, e Many Rivers to Cross, de Jimmy Cliff.

Breezin', George Benson (WEA) – Esse foi o disco que apresentou o guitarrista americano de jazz às grandes platéias. Até meados dos anos 70, George Benson era admirado pela sonoridade límpida e pelo estilo "cantado" de tirar as notas da guitarra. Ele também brilhou nos álbuns Circle in the Round e Miles in the Sky, do trompetista Miles Davis. Breezin', de 1976, marcou sua guinada em direção à música pop. O disco é repleto de canções palatáveis, em que Benson exibe a destreza habitual nas seis cordas (principalmente na faixa-título) e assume a persona de cantor romântico na balada This Masquerade. A mudança de rumo rendeu vendas milionárias e outro álbum essencial, Give Me the Night, produzido por Quincy Jones. Relançado por ocasião de suas bodas de prata, Breezin' ganhou outras três belas canções: Down Here on the Ground, mais puxada para a soul music, o funk Shark Bite e uma versão de This Masquerade que havia saído apenas em compacto.

 

TELEVISÃO

Divulgação GNT
Rockefellers: magnatas em série


Os Rockefellers
(quarta a sexta, às 20h30, no GNT) – Esta série em três episódios narra a trajetória da família que se tornou sinônimo de fortuna e poder no século XX. Produzido pela TV pública americana, o programa enfoca os Rockefeller não só pelo prisma dos negócios. Para expor as tensões e diferenças de estilo entre cada geração do clã, sua intimidade foi vasculhada. O ponto de partida é o patriarca John D. Rockefeller (1839-1937), que começou do nada e, aos 40 anos, dominava o mercado mundial de petróleo. A narrativa, pontuada por depoimentos de historiadores, passa pelas atividades filantrópicas da família e por sua relação de amor e ódio com a opinião pública. Mostra, entre outros aspectos, os dissabores da carreira política de Nelson Rockefeller, que foi vice-presidente nos anos 70.

Montgomery Clift em Cena (segunda a quinta, às 22h, no Telecine Classic) – Um dos grandes astros do cinema nos anos 50, o americano Montgomery Clift (1920-1966) arrancava suspiros com sua estampa de bonitão e um ar de charmosa timidez. Para além desses dotes, no entanto, ele transmitia emoção como poucos na tela e soube escolher seus trabalhos a dedo. Os quatro clássicos reunidos neste ciclo são prova disso. O melhor deles é o melodrama Um Lugar ao Sol (segunda). Na fita do diretor George Stevens, Clift vive um operário ambicioso que recorre a um expediente extremo para se livrar da namorada grávida (Shelley Winters) e ficar com uma ricaça (Elizabeth Taylor). Em Tarde Demais (terça) e Rio Violento (quarta), forma pares românticos antológicos com Olivia de Havilland e Lee Remick, respectivamente. Rodado nos anos 60, sob a direção de John Huston, Freud – Além da Alma (quinta) traz um Clift já abatido pelo alcoolismo – mas, ainda assim, brilhante no papel do pai da psicanálise quando jovem.

 

LIVRO

 
Angelo Maciel
Paes: poemas breves e repletos de bom humor  

Socráticas, de José Paulo Paes (Companhia das Letras; 95 páginas; 17 reais) – Essa obra póstuma contém as mesmas características que fizeram de José Paulo Paes – morto em 1998, aos 72 anos – um dos mais destacados poetas brasileiros contemporâneos. Rigor estético, espírito crítico, humor e o gosto pela brevidade, suas marcas registradas, combinam-se nos poemas do livro. Por vezes, eles não ultrapassam duas palavras. O Piolho, de Aristóteles a Freud, por exemplo, resume-se ao dístico "catarse: / catar-se". Paes tratava qualquer tema de forma bem-humorada. Não poupava nem mesmo a religião. Isso fica claro no poema Promissória ao Bom Deus, um dos melhores do livro, em que o autor revela seu modo peculiar de encarar os Dez Mandamentos. Embora a ironia seja o tom predominante, alguns textos não disfarçam a sensação de que a morte estava próxima – Paes havia tempos lutava contra sérios problemas de saúde. O exemplo mais pungente é Dúvida, que encerra o livro. "Não há nada mais triste / do que um cão em guarda / ao cadáver do seu dono / Eu não tenho cão / Será que ainda estou vivo?", questiona Paes, que morreu um dia depois de escrever tais versos.

 

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.

   
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