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VÍDEO
DISCOS Breezin', George Benson (WEA) Esse foi o disco que apresentou o guitarrista americano de jazz às grandes platéias. Até meados dos anos 70, George Benson era admirado pela sonoridade límpida e pelo estilo "cantado" de tirar as notas da guitarra. Ele também brilhou nos álbuns Circle in the Round e Miles in the Sky, do trompetista Miles Davis. Breezin', de 1976, marcou sua guinada em direção à música pop. O disco é repleto de canções palatáveis, em que Benson exibe a destreza habitual nas seis cordas (principalmente na faixa-título) e assume a persona de cantor romântico na balada This Masquerade. A mudança de rumo rendeu vendas milionárias e outro álbum essencial, Give Me the Night, produzido por Quincy Jones. Relançado por ocasião de suas bodas de prata, Breezin' ganhou outras três belas canções: Down Here on the Ground, mais puxada para a soul music, o funk Shark Bite e uma versão de This Masquerade que havia saído apenas em compacto.
TELEVISÃO
Montgomery Clift em Cena (segunda a quinta, às 22h, no Telecine Classic) Um dos grandes astros do cinema nos anos 50, o americano Montgomery Clift (1920-1966) arrancava suspiros com sua estampa de bonitão e um ar de charmosa timidez. Para além desses dotes, no entanto, ele transmitia emoção como poucos na tela e soube escolher seus trabalhos a dedo. Os quatro clássicos reunidos neste ciclo são prova disso. O melhor deles é o melodrama Um Lugar ao Sol (segunda). Na fita do diretor George Stevens, Clift vive um operário ambicioso que recorre a um expediente extremo para se livrar da namorada grávida (Shelley Winters) e ficar com uma ricaça (Elizabeth Taylor). Em Tarde Demais (terça) e Rio Violento (quarta), forma pares românticos antológicos com Olivia de Havilland e Lee Remick, respectivamente. Rodado nos anos 60, sob a direção de John Huston, Freud Além da Alma (quinta) traz um Clift já abatido pelo alcoolismo mas, ainda assim, brilhante no papel do pai da psicanálise quando jovem.
LIVRO
Socráticas, de José Paulo Paes (Companhia das Letras; 95 páginas; 17 reais) Essa obra póstuma contém as mesmas características que fizeram de José Paulo Paes morto em 1998, aos 72 anos um dos mais destacados poetas brasileiros contemporâneos. Rigor estético, espírito crítico, humor e o gosto pela brevidade, suas marcas registradas, combinam-se nos poemas do livro. Por vezes, eles não ultrapassam duas palavras. O Piolho, de Aristóteles a Freud, por exemplo, resume-se ao dístico "catarse: / catar-se". Paes tratava qualquer tema de forma bem-humorada. Não poupava nem mesmo a religião. Isso fica claro no poema Promissória ao Bom Deus, um dos melhores do livro, em que o autor revela seu modo peculiar de encarar os Dez Mandamentos. Embora a ironia seja o tom predominante, alguns textos não disfarçam a sensação de que a morte estava próxima Paes havia tempos lutava contra sérios problemas de saúde. O exemplo mais pungente é Dúvida, que encerra o livro. "Não há nada mais triste / do que um cão em guarda / ao cadáver do seu dono / Eu não tenho cão / Será que ainda estou vivo?", questiona Paes, que morreu um dia depois de escrever tais versos.
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