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Edição 1 697 - 25 de abril de 2001
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Farmacinha ruim

Governo proíbe a venda de
mercurocromo e Merthiolate


Fotos J. Miranda


Por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, todos os medicamentos à base de mercúrio devem ser retirados do mercado em dois meses. São ao todo 24 produtos de dezessete laboratórios. Entre eles estão dois anti-sépticos tradicionalíssimos: o mercurocromo e o Merthiolate, feito a partir de um sal de mercúrio, o tiomersal. Absorvido em excesso, o metal pode provocar danos cerebrais irreversíveis. Mas que ninguém entre em pânico por ter a vida toda cuidado de arranhões e pequenos cortes com mercurocromo ou Merthiolate: a quantidade de mercúrio encontrada nos medicamentos é por si só muito pequena para levar à contaminação. A medida segue a tendência mundial de reduzir ao máximo o contato com uma substância a que a maioria das pessoas está exposta cotidianamente. Pequenas doses de mercúrio são encontradas em alimentos, cosméticos e até no amálgama usado para obturar os dentes. É a combinação desses vários fatores que pode causar intoxicação. Como há formas mais eficientes de tratar ferimentos do que o mercurocromo e o Merthiolate, o veto desses anti-sépticos não resultará em maiores transtornos. Para limpar ferimentos leves, água e sabão são o melhor caminho. Se o machucado for um pouco mais grave, há a água oxigenada e a tintura de iodo.

Vários estudos demonstram que o poder do mercurocromo e do Merthiolate é, de fato, muito restrito. Eles pouco funcionam como bactericidas. Servem mais para evitar a proliferação dos microorganismos. Em 1998, o FDA, a agência americana de controle de remédios e alimentos, baniu-os do mercado. No Brasil, já faz dez anos que os centros cirúrgicos e ambulatórios deixaram de usá-los. O mercurocromo é utilizado desde o início do século XX. O tiomersal, encontrado também em várias vacinas e em soluções nasais e oftalmológicas, chegou às farmácias do país com o nome de Merthiolate na década de 50. A marca é tão consagrada pelos brasileiros que o seu fabricante, o laboratório Eli Lilly, não pretende tirá-la do mercado. Mudará o princípio ativo – sai o tiomersal, entra o cloreto de benzalcônio, uma substância com propriedades similares às do mercúrio – , mas o nome do medicamento continuará o mesmo.




   
   
   
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