Farmacinha ruim
Governo
proíbe a venda de
mercurocromo
e Merthiolate
Fotos J. Miranda
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Por determinação da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária, todos os medicamentos à base de mercúrio
devem ser retirados do mercado em dois meses. São ao todo 24 produtos
de dezessete laboratórios. Entre eles estão dois anti-sépticos
tradicionalíssimos: o mercurocromo e o Merthiolate, feito a partir
de um sal de mercúrio, o tiomersal. Absorvido em excesso, o metal
pode provocar danos cerebrais irreversíveis. Mas que ninguém
entre em pânico por ter a vida toda cuidado de arranhões
e pequenos cortes com mercurocromo ou Merthiolate: a quantidade de mercúrio
encontrada nos medicamentos é por si só muito pequena para
levar à contaminação. A medida segue a tendência
mundial de reduzir ao máximo o contato com uma substância
a que a maioria das pessoas está exposta cotidianamente. Pequenas
doses de mercúrio são encontradas em alimentos, cosméticos
e até no amálgama usado para obturar os dentes. É
a combinação desses vários fatores que pode causar
intoxicação. Como há formas mais eficientes de tratar
ferimentos do que o mercurocromo e o Merthiolate, o veto desses anti-sépticos
não resultará em maiores transtornos. Para limpar ferimentos
leves, água e sabão são o melhor caminho. Se o machucado
for um pouco mais grave, há a água oxigenada e a tintura
de iodo.
Vários estudos demonstram que o poder do mercurocromo e do Merthiolate
é, de fato, muito restrito. Eles pouco funcionam como bactericidas.
Servem mais para evitar a proliferação dos microorganismos.
Em 1998, o FDA, a agência americana de controle de remédios
e alimentos, baniu-os do mercado. No Brasil, já faz dez anos que
os centros cirúrgicos e ambulatórios deixaram de usá-los.
O mercurocromo é utilizado desde o início do século
XX. O tiomersal, encontrado também em várias vacinas e em
soluções nasais e oftalmológicas, chegou às
farmácias do país com o nome de Merthiolate na década
de 50. A marca é tão consagrada pelos brasileiros que o
seu fabricante, o laboratório Eli Lilly, não pretende tirá-la
do mercado. Mudará o princípio ativo sai o tiomersal,
entra o cloreto de benzalcônio, uma substância com propriedades
similares às do mercúrio , mas o nome do medicamento
continuará o mesmo.

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