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Edição 1 697 - 25 de abril de 2001
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Bando de tigrões

No Texas, levando vida de bicho de
estimação, encontra-se a maior
população de tigres fora da Índia

 
Judy Walgren/People Weekly
Riggs com alguns de seus hóspedes: sessenta tigres, sendo quatro de Mike Tyson

Uns gostam de gatinhos. Outros, de gatões. Nos Estados Unidos, os loucos por um felino estão criando no quintal de casa cerca de 4 000 tigres, alguns para revenda, muitos na qualidade de bichões de estimação. A mania está tão disseminada que o Texas, Estado dos exageros por excelência, abriga atualmente a maior população de tigres fora da Índia – cerca de 2.000, um número e tanto considerando que se trata de um animal ameaçado de extinção, com uma população sobrevivente nos habitats calculada entre 5.000 e 7.000. "Os tigres exercem um grande fascínio, pois representam poder, beleza e mistério", tenta explicar Jay Riggs, em reportagem da revista People sobre o assunto. Riggs cria e cuida de mais de sessenta tigres (entre eles quatro do lutador Mike Tyson) em sua fazenda no Texas. "Freqüentemente recebo pessoas que dizem querer ter um tigre. Mas, quando ensinamos tudo o que é preciso para alimentá-los e abrigá-los, a maioria desiste", diz.

Compreensível, nas circunstâncias. Um tigre macho chega a pesar 350 quilos e a medir até 2,80 metros. Come, em média, 7 quilos de carne por dia e adora tomar banho, o que exige um lago, uma cachoeira ou uma banheira gigante à disposição. Sua urina é muito corrosiva e obriga a troca de grades e cercas com freqüência. Machos são extremamente agressivos quando encontram uma fêmea no cio. Elas, por sua vez, podem atacar se estão na companhia dos filhotes. Ambos se descontrolam quando têm fome ou dor. "Não recomendo a ninguém ter um animal desses em casa", diz a bióloga Katia Cassaro, do Zoológico de São Paulo, que já cuidou de um filhote que costumava acompanhá-la em casa e no escritório. "Quando fez 6 meses, ficou impossível. Escondia-se para esperar a gente passar e aí pulava na perna. Todo mundo andava com a canela roída", lembra. Na conta dos acidentes graves, o campeão Texas – onde a tradição de individualismo extremado tem impedido que se regulamente a criação de animais selvagens – registra uma dúzia de casos de mordidas, amputações e até morte: em 1999, uma menina de 10 anos foi morta a dentadas pelo tigre do padrasto.

Nada disso intimida os criadores de todos os quadrantes. "É um desafio, e sem desafios a vida não tem graça", resume o empresário Ulrich Jung, alemão naturalizado de 54 anos que mora em Bom Retiro, Santa Catarina, e cria em sua fazenda um tigre-de-bengala, "Wotan", hoje com 4 anos. Jung – o único mantenedor de tigre registrado no Ibama – conta que certa vez estava na biblioteca quando percebeu que seu felino, então pesando 100 quilos, se preparava para atacar. "Nessa hora, é preciso agir rápido", ensina. "Eu peguei um bastão, gritei em tom bravo e estendi o outro braço. Quando ele pulou, dei-lhe um golpe no focinho e ele me largou." "Wotan", o terceiro tigre de estimação de Jung (os outros dois já morreram), foi importado da Bélgica e mora em uma área cercada de 3 hectares, com cachoeira artificial, na fazenda do dono. Está com 270 quilos, mede 2,80 metros e come 5 quilos de carne por dia. Por enquanto.



   
   
   
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