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Bando de tigrões
No
Texas, levando vida de bicho de
estimação, encontra-se a maior
população de tigres fora da Índia
Judy Walgren/People Weekly
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| Riggs
com alguns de
seus hóspedes: sessenta
tigres, sendo quatro
de Mike Tyson |
Uns
gostam de gatinhos. Outros, de gatões. Nos Estados Unidos, os loucos
por um felino estão criando no quintal de casa cerca de 4 000 tigres,
alguns para revenda, muitos na qualidade de bichões de estimação.
A mania está tão disseminada que o Texas, Estado dos exageros
por excelência, abriga atualmente a maior população
de tigres fora da Índia cerca de 2.000, um número
e tanto considerando que se trata de um animal ameaçado de extinção,
com uma população sobrevivente nos habitats calculada entre
5.000 e 7.000. "Os tigres exercem um grande fascínio, pois representam
poder, beleza e mistério", tenta explicar Jay Riggs, em reportagem
da revista People sobre o assunto. Riggs cria e cuida de mais de
sessenta tigres (entre eles quatro do lutador Mike Tyson) em sua fazenda
no Texas. "Freqüentemente recebo pessoas que dizem querer ter um
tigre. Mas, quando ensinamos tudo o que é preciso para alimentá-los
e abrigá-los, a maioria desiste", diz.
Compreensível, nas circunstâncias. Um tigre macho chega a
pesar 350 quilos e a medir até 2,80 metros. Come, em média,
7 quilos de carne por dia e adora tomar banho, o que exige um lago, uma
cachoeira ou uma banheira gigante à disposição. Sua
urina é muito corrosiva e obriga a troca de grades e cercas com
freqüência. Machos são extremamente agressivos quando
encontram uma fêmea no cio. Elas, por sua vez, podem atacar se estão
na companhia dos filhotes. Ambos se descontrolam quando têm fome
ou dor. "Não recomendo a ninguém ter um animal desses em
casa", diz a bióloga Katia Cassaro, do Zoológico de São
Paulo, que já cuidou de um filhote que costumava acompanhá-la
em casa e no escritório. "Quando fez 6 meses, ficou impossível.
Escondia-se para esperar a gente passar e aí pulava na perna. Todo
mundo andava com a canela roída", lembra. Na conta dos acidentes
graves, o campeão Texas onde a tradição de
individualismo extremado tem impedido que se regulamente a criação
de animais selvagens registra uma dúzia de casos de mordidas,
amputações e até morte: em 1999, uma menina de 10
anos foi morta a dentadas pelo tigre do padrasto.
Nada disso intimida os criadores de todos os quadrantes. "É um
desafio, e sem desafios a vida não tem graça", resume o
empresário Ulrich Jung, alemão naturalizado de 54 anos que
mora em Bom Retiro, Santa Catarina, e cria em sua fazenda um tigre-de-bengala,
"Wotan", hoje com 4 anos. Jung o único mantenedor de tigre
registrado no Ibama conta que certa vez estava na biblioteca quando
percebeu que seu felino, então pesando 100 quilos, se preparava
para atacar. "Nessa hora, é preciso agir rápido", ensina.
"Eu peguei um bastão, gritei em tom bravo e estendi o outro braço.
Quando ele pulou, dei-lhe um golpe no focinho e ele me largou." "Wotan",
o terceiro tigre de estimação de Jung (os outros dois já
morreram), foi importado da Bélgica e mora em uma área cercada
de 3 hectares, com cachoeira artificial, na fazenda do dono. Está
com 270 quilos, mede 2,80 metros e come 5 quilos de carne por dia. Por
enquanto.
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