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Edição 1 697 - 25 de abril de 2001
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Caros e racionados

Fila em Paris é para comprar
produtos de luxo

Monica Schmidt, de Paris

 
AFP
Fila na Louis Vuitton: no máximo três bolsinhas por freguês

No frio de rachar, a fila dobra o quarteirão. Quem pensou em pobres esperando a sopa, em adolescentes atrás de ingressos para um show de rock ou até numa cena do velho bloco soviético errou. Estamos na finíssima Avenida Champs-Élysées, em Paris, e as pessoas de pé na calçada são turistas abonados aguardando a vez de comprar mimos na Louis Vuitton (preço médio de uma bolsinha: 700 dólares). O pior é que nem vão poder gastar à vontade. Premidas entre a demanda que não pára de crescer e a necessidade de preservar o caráter exclusivo de seus produtos, butiques como a Louis Vuitton e suas colegas Gucci e Hermès implantaram o racionamento. Na LV, são três peças por pessoa, e não adianta choramingar. "Aumentamos nossas vendas em 35% no ano passado, mas não temos interesse em fabricar em grande escala. Comprometeria a qualidade, nossa maior preocupação", pontifica Jean Baptiste Debains, gerente de produtos da empresa, que contratou os serviços de quatro novas oficinas na França e considera que chegou ao limite de produção.

Na Hermès, o racionamento atinge gravatas e echarpes. Na Gucci, praticamente tudo. "Sim, nós restringimos as compras", confirma, sem mais detalhes, o porta-voz da marca em Paris, Tomaso Galli. Como todas as grifes caras e muitcedil;ão", pontifica Jean Baptiste Debains, gerente de produtos da empresa, que contratou os serviços de quatro novas oficinas na França e considera que chegou ao limite de produção.

Na Hermès, o racionamento atinge gravatas e echarpes. Na Gucci, praticamente tudo. "Sim, nós restringimos as compras", confirma, sem mais detalhes, o porta-voz da marca em Paris, Tomaso Galli. Como todas as grifes caras e muito desejadas, a Gucci orienta seus vendedores a abrir o olho para possíveis sacoleiras, sobretudo japonesas, visadas devido ao hábito de comprar o que podem para revender com lucro em seu país. "O critério é deles. Mas, se uma cliente com jeito suspeito compra vinte bolsas do mesmo modelo, o mais provável é que não esteja comprando todas para si mesma", diz Galli. Japoneses e, principalmente, japonesas são maioria nas filas de luxo de Paris, onde um produto de grife custa quase a metade do que é cobrado em Tóquio. "Se não levar uma bolsa para minha mulher e outra para minha filha, não serei bem recebido em casa", brinca o turista Tatsuya Ono, enquanto espera pacientemente sua vez no caixa lotado da Louis Vuitton na Champs-Élysées. "As japonesas são as maiores fashion victims do mundo", esnoba Delphine Pilarski, gerente de vendas da butique. "Elas decidiram que nossa marca é chique, e pronto – o monograma LV virou símbolo de luxo e status." Prova disso foi o enorme sucesso da megaloja (1.200 metros quadrados) que a LV abriu em Tóquio em novembro passado: na primeira semana, 13.000 pessoas passaram por lá. Mas com aqueles precinhos tão baratos de Paris...

   
 
   
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