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Caros e racionados
Fila
em Paris é para comprar
produtos de luxo
Monica Schmidt,
de Paris
AFP
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| Fila
na Louis Vuitton: no máximo três bolsinhas por freguês |
No frio de
rachar, a fila dobra o quarteirão. Quem pensou em pobres esperando
a sopa, em adolescentes atrás de ingressos para um show de rock
ou até numa cena do velho bloco soviético errou. Estamos
na finíssima Avenida Champs-Élysées, em Paris, e
as pessoas de pé na calçada são turistas abonados
aguardando a vez de comprar mimos na Louis Vuitton (preço médio
de uma bolsinha: 700 dólares). O pior é que nem vão
poder gastar à vontade. Premidas entre a demanda que não
pára de crescer e a necessidade de preservar o caráter exclusivo
de seus produtos, butiques como a Louis Vuitton e suas colegas Gucci e
Hermès implantaram o racionamento. Na LV, são três
peças por pessoa, e não adianta choramingar. "Aumentamos
nossas vendas em 35% no ano passado, mas não temos interesse em
fabricar em grande escala. Comprometeria a qualidade, nossa maior preocupação",
pontifica Jean Baptiste Debains, gerente de produtos da empresa, que contratou
os serviços de quatro novas oficinas na França e considera
que chegou ao limite de produção.
Na Hermès,
o racionamento atinge gravatas e echarpes. Na Gucci, praticamente tudo.
"Sim, nós restringimos as compras", confirma, sem mais detalhes,
o porta-voz da marca em Paris, Tomaso Galli. Como todas as grifes caras
e muitcedil;ão",
pontifica Jean Baptiste Debains, gerente de produtos da empresa, que contratou
os serviços de quatro novas oficinas na França e considera
que chegou ao limite de produção.
Na Hermès,
o racionamento atinge gravatas e echarpes. Na Gucci, praticamente tudo.
"Sim, nós restringimos as compras", confirma, sem mais detalhes,
o porta-voz da marca em Paris, Tomaso Galli. Como todas as grifes caras
e muito desejadas, a Gucci orienta seus vendedores a abrir o olho para
possíveis sacoleiras, sobretudo japonesas, visadas devido ao hábito
de comprar o que podem para revender com lucro em seu país. "O
critério é deles. Mas, se uma cliente com jeito suspeito
compra vinte bolsas do mesmo modelo, o mais provável é que
não esteja comprando todas para si mesma", diz Galli. Japoneses
e, principalmente, japonesas são maioria nas filas de luxo de Paris,
onde um produto de grife custa quase a metade do que é cobrado
em Tóquio. "Se não levar uma bolsa para minha mulher e outra
para minha filha, não serei bem recebido em casa", brinca o turista
Tatsuya Ono, enquanto espera pacientemente sua vez no caixa lotado da
Louis Vuitton na Champs-Élysées. "As japonesas são
as maiores fashion victims do mundo", esnoba Delphine Pilarski,
gerente de vendas da butique. "Elas decidiram que nossa marca é
chique, e pronto o monograma LV virou símbolo de luxo e
status." Prova disso foi o enorme sucesso da megaloja (1.200
metros quadrados) que a LV abriu em Tóquio em novembro passado:
na primeira semana, 13.000 pessoas passaram
por lá. Mas com aqueles precinhos tão baratos de Paris...
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