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Olhos e ouvidos do
Brasil
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| Cartaz
da campanha de VEJA: olhos bem abertos |
Como tem
feito desde que se solidificaram as mais variadas suspeitas contra ele,
do fabuloso enriquecimento na carreira política à sociedade
com fraudadores do dinheiro público, o senador Jader Barbalho refugiou-se
na retórica. No discurso em que tentou mas não conseguiu
explicar as suspeitas cada vez mais substanciais de seu envolvimento com
renomados fraudadores da Sudam, Jader se apresentou como vítima
da "má imprensa" e acusou VEJA de mover-lhe uma campanha. Como
sempre, o senador nada revelou que autorizasse uma mudança de opinião
sobre sua conduta. De substancioso em seu discurso só mesmo o trecho
em que cita o jurista baiano Rui Barbosa falando das incompreensões
de que costumam ser vítimas os homens públicos.
Foi positivo,
no entanto, que citasse Rui Barbosa. Cabe lembrar aqui que o pai intelectual
da primeira Constituição republicana brasileira, de 1891,
produziu outras frases bem mais adequadas ao papel de VEJA no episódio
e à situação de Jader Barbalho. Sobre a imprensa,
disse Rui: "A imprensa é a vista da nação. Por ela
é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto
e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam,
colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam,
mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se
acautela do que a ameaça". Não por acaso a citação
acima é um lema constante de VEJA, que, ao longo de sua história,
desvendou inúmeros casos de corrupção e outros desmandos
dos poderosos. Ao senador Jader Barbalho cai bem outra citação
de Rui: "De tanto ver triunfar as nulidades / De tanto ver prosperar a
desonra / De tanto ver crescer a injustiça / De tanto ver agigantarem-se
os poderes nas mãos dos maus / O homem chega a desanimar-se da
virtude / A rir-se da honra / A ter vergonha de ser honesto". Veja reportagens
sobre a Sudam, o
governo
e o Senado.
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