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Edição 1 697 - 25 de abril de 2001
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Olhos e ouvidos do Brasil


Cartaz da campanha de VEJA: olhos bem abertos

Como tem feito desde que se solidificaram as mais variadas suspeitas contra ele, do fabuloso enriquecimento na carreira política à sociedade com fraudadores do dinheiro público, o senador Jader Barbalho refugiou-se na retórica. No discurso em que tentou mas não conseguiu explicar as suspeitas cada vez mais substanciais de seu envolvimento com renomados fraudadores da Sudam, Jader se apresentou como vítima da "má imprensa" e acusou VEJA de mover-lhe uma campanha. Como sempre, o senador nada revelou que autorizasse uma mudança de opinião sobre sua conduta. De substancioso em seu discurso só mesmo o trecho em que cita o jurista baiano Rui Barbosa falando das incompreensões de que costumam ser vítimas os homens públicos.

Foi positivo, no entanto, que citasse Rui Barbosa. Cabe lembrar aqui que o pai intelectual da primeira Constituição republicana brasileira, de 1891, produziu outras frases bem mais adequadas ao papel de VEJA no episódio e à situação de Jader Barbalho. Sobre a imprensa, disse Rui: "A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça". Não por acaso a citação acima é um lema constante de VEJA, que, ao longo de sua história, desvendou inúmeros casos de corrupção e outros desmandos dos poderosos. Ao senador Jader Barbalho cai bem outra citação de Rui: "De tanto ver triunfar as nulidades / De tanto ver prosperar a desonra / De tanto ver crescer a injustiça / De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus / O homem chega a desanimar-se da virtude / A rir-se da honra / A ter vergonha de ser honesto". Veja reportagens sobre a Sudam, o governo e o Senado.

 

 
 
   
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