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Edição 2105

25 de março de 2009
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No céu a trabalho e a passeio

O anúncio de que o ambientalista James Lovelock
fará um voo suborbital aos 90 anos mostra que viajar
ao espaço já não exige treinamento de superatleta


Carolina Romanini

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Nesta reportagem
Quadro: Turista espacial versus astronauta da Nasa

Quando o cosmonauta russo Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a viajar ao espaço, há quase meio século, o mundo se espantou com a proeza e o transformou em herói. O mesmo ocorreu oito anos depois, em 1969, com os três astronautas americanos que chegaram à Lua. O treinamento a que se submeteram aqueles pioneiros das viagens cósmicas era uma maratona de resistência impensável para um cidadão comum. Os tempos mudaram. Na terça-feira da semana passada, o ônibus espacial Discovery, da Nasa, a agência espacial americana, atracou na Estação Espacial Internacional, onde permanecerá por oito dias. Essa é a 28ª expedição da agência à estação. Desta vez, a missão é entregar um novo conjunto de painéis solares. Viajar ao espaço, e até morar fora da Terra por meses a fio, como ocorre com as equipes que trabalham na estação, tornou-se uma empreitada que não causa mais alarde. Nem mesmo é preciso ser astronauta.

Hoje, é possível se hospedar na Estação Espacial como turista, juntando-se aos astronautas que viajam no ônibus espacial ou na nave russa Soyuz. Para isso, há dois caminhos. O primeiro é viajar no papel de astronauta amador. Passa-se por treinamento semelhante ao dos astronautas de carreira e pagam-se de 10 a 15 milhões de dólares pela viagem. O segundo caminho, como mostra o quadro, é submeter-se a um treinamento apenas simbólico – e desembolsar 35 milhões de dólares, como já fizeram seis milionários, cinco dos Estados Unidos e um sul-africano, desde 2001. O turista nessa situação permanece em média dez dias no espaço, observa o trabalho na estação, tira muitas fotografias e acena para a família nas transmissões de TV.

O turismo espacial está prestes a ganhar um personagem que mostra como ele poderá se banalizar. O inglês James Lovelock, um dos mais respeitados ambientalistas da atualidade, pretende ser o primeiro a voar pela Virgin Galactic, companhia inglesa criada pelo empresário Richard Branson para realizar excursões ao cosmo. A viagem está prevista para dezembro. Detalhe: Lovelock completará 90 anos em julho. Evidentemente, não precisará se submeter a treinamento algum. Os voos da Virgin Galactic serão suborbitais. Durante duas horas, o passageiro vai viajar ao espaço na nave SpaceShipTwo, permanecer por cinco minutos em gravidade zero e voltar à Terra. Lovelock foi convidado para fazer a viagem inaugural e não pagará nada por ela. A partir de 2010, a Virgin promete levar turistas ao espaço por 200 000 dólares o bilhete. Foi-se o tempo em que só militares bem treinados e de compleição física irrepreensível visitavam a imensidão do cosmo.



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