Novas suspeitas

Cientista criador da ovelha Dolly admite a
possibilidade de erro em sua experiência

Na semana passada surgiram novas dúvidas sobre a clonagem de Dolly, a mais espetacular experiência científica do ano passado. Em uma palestra na Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, o criador da ovelha, o pesquisador escocês Ian Wilmut, admitiu em público pela primeira vez a possibilidade de haver cometido um erro capaz de comprometer todo o trabalho. "Existe de fato uma possibilidade de termos nos enganado", declarou ele. A discussão em torno da credibilidade da pesquisa feita por Wilmut e sua equipe no Instituto Roslin, em Edimburgo, na Escócia, já se arrasta há algum tempo. No mês passado, dois pesquisadores publicaram uma carta na revista americana Science duvidando do sucesso da clonagem. Chamavam a atenção para o fato de ninguém ter conseguido até hoje produzir outro animal com a mesma técnica. Em resposta ao artigo, Wilmut disse considerar uma tarefa "aborrecida" repetir a experiência e garantiu ser uma questão de tempo outros laboratórios chegarem a resultados semelhantes. Agora, o pai de Dolly mostra-se bem menos convicto em relação aos resultados obtidos por sua equipe.

O ponto central da discussão é a célula que forneceu a matriz genética para a clonagem de Dolly. Utilizando material que estava congelado havia três anos, os especialistas do Instituto Roslin isolaram uma célula mamária da ovelha doadora e a fundiram ao núcleo de um óvulo não fertilizado de outra ovelha. Desse processo surgiu um embrião que, implantado no útero de uma mãe de aluguel, deu origem a Dolly. Seria o primeiro clone de um animal adulto. As dúvidas começaram a surgir quando se descobriu que a ovelha doadora estava grávida. Havia, portanto, células embrionárias na corrente sanguínea do animal. Por descuido, os pesquisadores podem ter utilizado uma delas para construir sua ovelha. Nesse caso, é possível que Dolly seja clone de um embrião e não de um animal adulto. A clonagem de embrião é um procedimento já bem conhecido há duas décadas. Outro complicador é que a "mãe" de Dolly morreu três anos antes da experiência. Por isso o material genético estava guardado no freezer. Isso inviabiliza a principal contraprova da experiência, que consistiria em retirar um pedaço do tecido do animal doador e enxertá-lo em seu clone. Se não houvesse rejeição, ficaria comprovado que ambos possuem a mesma composição genética. Para tentar acabar com a polêmica, Wilmut anunciou que pretende contratar laboratórios independentes para fazer testes genéticos em Dolly.




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