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Edição 2101

25 de fevereiro de 2009
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Cinema
Feita para o close-up

Do rosto vincado e infinitamente interessante da
atriz Melissa Leo, Rio Congelado tira sua força


Isabela Boscov

Divulgação

EM DESESPERO DE CAUSA
Melissa como Ray, a mãe que vira contrabandista de gente: a vida inteira passa neste mapa de rugas e marcas


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Trailer

Com uma carreira construída quase que só de pequenas participações em produções independentes, a atriz americana Melissa Leo é um rosto desconhecido da maioria da plateia – e um rosto ao mesmo tempo fechado e mutável, vincado por marcas profundas e infinitamente interessante, cuja expressividade é o principal alicerce sobre o qual se sustenta Rio Congelado (Frozen River, Estados Unidos, 2008), desde sexta-feira em cartaz no país. No filme muito bem escrito e dirigido pela estreante Courtney Hunt, um desses dramas que servem como lembrete para que não se reclame da vida sem boa razão, Melissa é Ray, funcionária em meio período de uma loja de bugigangas, mãe de um menino de 15 anos e de outro de 5. E também, como se depreende da primeira e belíssima cena, mulher de um homem que acaba de sumir com o dinheiro que ela economizara para trocar seu trailer caindo aos pedaços por um melhor. O marido provavelmente vai voltar, quando sair de seu transe de apostador compulsivo. Mas Ray sabe que ele voltará sem o dinheiro, e tarde demais: dentro de alguns dias, o depósito que ela deu para o novo trailer será embolsado pelo vendedor por quebra de contrato.

AS INDICAÇÕES
• Atriz - Melissa Leo
Roteiro original

Rodando ansiosa pela cidadezinha gélida em que mora, vizinha à fronteira com o Canadá, Ray descobre que o marido abandonou o carro na rua e que Lila, uma jovem mohawk que mora na reserva indígena ao lado, se apossou dele sem maior cerimônia. A partir de um encontro inicial belicoso, Ray e Lila firmam uma parceria, transportando imigrantes ilegais por sobre o rio que separa os Estados Unidos do Canadá e que, no inverno, se torna transitável – ao menos para motoristas de sangue frio ou em completo desespero de causa, como as duas mulheres. Além do rosto de Melissa e da figura vulnerável e meio aturdida de Misty Upham, que interpreta Lila, este é o contraponto que torna o filme uma experiência tão capaz de se apropriar da atenção e das emoções do espectador: o contraste entre a intensidade desse desespero e a aspereza das duas mulheres, entre o desejo materno de proteger os filhos que move as duas e os riscos insensatos que elas correm, e entre a pungência da história e a austeridade com que ela é encenada. Rio Congelado, é verdade, tem chances próximas de zero de ganhar os Oscar a que concorre, de atriz e roteiro. Mas que uma produção tão pequena sequer conste das indicações é testemunho da força que diretora e intérprete foram capazes de imprimir a ela.

Trailer

Video



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