|
Beleza O corte curtinho
de Victoria Beckham pode virar moda, mas
A ideia de que a natureza tem suas compensações e que, assoladas pela celulite, as mulheres pelo menos não sofrem com o desaparecimento dos cabelos como os homens é, infelizmente, baseada num pouco natural clamor por justiça. Hoje, calcula-se que metade das mulheres em algum momento da vida terá sintomas de calvície feminina, parte deles tratável e sem maiores consequências além de introduzir termos esdrúxulos no vocabulário como eflúvio telógeno, que é a queda temporária de cabelos que acontece, por exemplo, no pós-parto, e alopecia areata, nome dado à queda de tufos inteiros, igualmente temporária na maioria dos casos. Mais preocupante, a alopecia androgenética (que acomete com frequência os homens e, como o nome indica, está nos genes) não é reversível com tratamentos clínicos. A única alternativa é o transplante. Embora o efeito estético seja muito mais devastador em termos de imagem, mulheres geneticamente predispostas à calvície têm, pelo menos, uma vantagem sobre os homens: nelas a queda de cabelo é difusa e mais acentuada no topo da cabeça, o que possibilita transplantes bem mais discretos. Por que, afinal, as mulheres estão perdendo cabelo? "Houve uma grande alteração de hábitos femininos", responde o dermatologista Francisco Le Voci, especialista em transplante capilar do Hospital Albert Einstein. "Elas usam pílula anticoncepcional e têm vida sexual precoce, o que interfere no equilíbrio hormonal. Também sofrem mais stress no trabalho, fumam, consomem mais medicamentos, seguem dietas de emagrecimento mal balanceadas. E ao mesmo tempo abusam dos tratamentos químicos agressivos para deixar o cabelo liso, crespo, loiro, escuro. Tudo isso pode acabar acentuando uma tendência genética que a mulher já tem e que, em outros tempos, talvez não fosse ativada." Segundo Le Voci, o transplante capilar, especialidade desenvolvida tanto por dermatologistas quanto por cirurgiões plásticos, que há dez anos mal era cogitada pelas pacientes, hoje tem nas mulheres 10% a 15% do total de casos. "Em 1991 foi criada a técnica do transplante folículo a folículo. Com ela, passamos a ter uma cirurgia com resultado mais natural e com um aproveitamento muito maior da área doadora. Antes disso, eram usados grupos de dez a quinze folículos, o que deixava tufos na cabeça do paciente", explica o cirurgião plástico mineiro Marcelo Pitchon, especializado em transplante. Pitchon costuma fazer o transplante com fios longos (de até 15 centímetros), e não curtíssimos como a maioria dos médicos. "Embora os fios transplantados caiam em algumas semanas, com essa técnica a paciente pode ver o resultado que terá dali a um ano, um ano e meio", diz. Além da cirurgia, que exige tempo e habilidade dos médicos, com custo em torno de 15 000 reais, há uma série de tratamentos clínicos e tópicos para estimular o crescimento de cabelos. Entre eles o uso de antiandrogênicos (que bloqueiam a ação da testosterona; esse hormônio masculino, responsável pela energia e pelo vigor sexual, também faz coisas feias, como a miniaturização e o posterior desaparecimento do folículo capilar), ativadores da circulação, laser e até escovas vendidas pela televisão. "Tratamento de queda de cabelo é como receita de bolo. É a associação de vários ingredientes", afirma Le Voci. A dermatologista Andréia Moreira avisa, porém: "O uso de medicamentos pode até fazer nascer algum cabelo, mas não transforma ninguém em leão. E, se a pessoa parar sem indicação do médico, o efeito acabará".
|
|
VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter | ![]() |
|