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Segurança O Brasil terá
as primeiras prisões construídas e
Os presídios
brasileiros, habitados por Ao contrário da terceirização, em que a iniciativa privada recebe a prisão a ser administrada, na PPP a empresa parceira tem de construir o presídio do zero com recursos próprios ou financiados. O custo da obra é ressarcido aos poucos à iniciativa privada, diluído nas mensalidades que o estado paga pelo serviço de gestão do presídio. "Uma das vantagens do modelo é que o poder público não precisa fazer um grande investimento inicial em infraestrutura", diz Ângelo Roncalli de Ramos Barros, secretário de Justiça do Espírito Santo. O desempenho dos dois presídios terceirizados do estado (um terceiro está em fase de licitação), que nunca tiveram superlotação nem rebeliões, levou o governo do Espírito Santo a estudar a possibilidade de também adotar PPPs em suas prisões. Entre os fatores que explicam a eficiência da gestão privada, o principal é o fato de os empresários terem um motivo bastante objetivo para prestar um bom serviço aos presos e, ao mesmo tempo, manter a disciplina no presídio: proteger o próprio bolso. "Os prejuízos causados por uma rebelião, por exemplo, são pagos pela empresa e comida boa e assistência jurídica eficiente são alguns dos elementos capazes de manter os condenados tranquilos", diz Sandro Cabral, professor de administração da Universidade Federal da Bahia e autor de uma tese de doutorado sobre os aspectos econômicos da terceirização prisional. A empresa também pode perder a concessão do presídio caso não cumpra com alguns requisitos, como evitar fugas. Isso estimula os cuidados com a segurança e aumenta o esforço na revista dos visitantes, para coibir a entrada de celulares e armas. No Conjunto Penal de Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, por exemplo, os familiares e amigos não podem levar comida o tradicional "jumbo" aos presos. Em outras penitenciárias baianas, há casos de mães que chegam no dia da visita com um panelão de caruru, esconderijo perfeito para um revólver ou saquinhos com droga. Outra vantagem da terceirização é a agilidade com que os agentes penitenciários podem ser demitidos, caso sejam suspeitos de corrupção. Se fossem funcionários públicos, o processo demoraria mais de dois anos.
O argumento mais
sério contra a terceirização e, por consequência,
contra as PPPs em presídios é a aparente inconstitucionalidade
de entregar à iniciativa privada o papel de aplicar
a pena a um condenado. O argumento nesse sentido é
que, como se trata de uma atribuição do estado,
seria impróprio contratar agentes particulares para
fazê-lo. "Funções como essas devem
ser exercidas por funcionários públicos porque,
por lei, exige-se deles um comprometimento maior com sua atividade",
diz Sérgio Salomão Shecaira, presidente do Conselho
Nacional de Política Criminal e Penitenciária,
subordinado ao Ministério da Justiça. Como a
lei não proíbe textualmente a terceirização,
no entanto, as interpretações variam. No entendimento
de alguns juristas, a administração privada
é constitucional, desde que os agentes penitenciários
trabalhem sob as ordens de uma autoridade estatal. Assim,
o estado não abdica de seu monopólio do uso
da força. "O agente privado pode até ter
a chave do cadeado, mas todas as decisões em relação
ao preso são tomadas por um juiz ou, em menor escala,
pelo diretor do presídio", diz a promotora de
Justiça de São Paulo Deborah Kelly Affonso,
autora de uma dissertação de mestrado sobre
o assunto. Por essa razão, nas penitenciárias
terceirizadas costumam trabalhar três ou mais funcionários
públicos, em geral diretores e chefes de segurança,
cuja obrigação é controlar e fiscalizar
a atuação da empresa concessionária e
de seus empregados. "Quando um preso age com indisciplina,
cabe a nós, representantes do estado, decidir se é
o caso de mandá-lo para a solitária", exemplifica
o policial militar Richard Harrison Chagas dos Santos, diretor
da penitenciária de Joinville. Esse modelo, que será
mantido nas PPPs de Pernambuco e Minas Gerais, é semelhante
ao da França, onde quase 15% dos presídios são
administrados em conjunto por estado e iniciativa privada.
Nos Estados Unidos, o modelo é mais radical. Todos
os funcionários são da concessionária,
inclusive os diretores, e os prédios não pertencem
ao governo, nem serão repassados à esfera pública
no fim do contrato. Do total de presos americanos, 7% estão
sob a guarda de empresas privadas. Parece pouco, mas equivale
a uma população de mais de A tendência de terceirização foi revertida em dois estados brasileiros. No Ceará, a Justiça determinou o fim da gestão privada de três presídios, por causa de irregularidades nos contratos. No Paraná, seis prisões também foram retomadas pelo estado, em 2006, mas por uma idiossincrasia. "O governador resolveu, simplesmente, que o Paraná não deveria ter nada terceirizado", diz o secretário de Justiça, Jair Ramos Braga. Ele garante que as condições nos presídios até melhoraram depois que voltaram para a mão do estado pioneiro, em 1999, na terceirização carcerária. A realidade, no entanto, mostra que dificilmente o sistema público consegue ser mais eficiente. As diferenças são superlativas. Vizinho à Penitenciária Industrial de Joinville, há um presídio público. Lá, as visitas íntimas acontecem dentro das celas superlotadas. A penitenciária ao lado, terceirizada, dispõe de dez quartos específicos para os presos receberem suas mulheres, com banheiro, chuveiro quente, ventilador, rádio e total privacidade. Costuma-se dizer que o sistema prisional brasileiro é uma faculdade do crime: os detentos saem de lá piores do que entram. Quando se consegue impor disciplina e dar condições básicas, como estudo e trabalho, os condenados têm ao menos uma chance de escolher seu rumo ao voltar à sociedade.
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