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25 de fevereiro de 2009
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Turismo
O vento está a favor do Brasil

Com mais visitantes estrangeiros no país e uma quantidade
recorde de brasileiros viajando a lazer, o setor turístico
não dá bola para a crise e cresce 20%


Carolina Romanini e Renata Moraes

Benelux/Corbis/Latin Stock

Sol, calor e Carnaval
Ilha de Itamaracá, em Pernambuco: neste Carnaval, os hotéis das praias ensolaradas do Nordeste têm índice médio de ocupação de 90%

A economia brasileira pode encolher sob os efeitos da crise mundial, mas o turismo do país está na contramão da maré de pessimismo. O setor vive uma bonança como fazia tempos não se via. Enquanto o fluxo de viajantes no mundo sofre uma retração – a ONU prevê uma queda de 2% em 2009 –, o turismo brasileiro cresceu 20% nos últimos quatro meses. Na base dessa expansão está a alta do dólar. Cotada a 1,59 real no primeiro semestre de 2008, a moeda americana chegou a 2,50 reais em dezembro. A desvalorização da moeda nacional teve dois efeitos. Primeiro, tornou-se mais vantajoso para os turistas de outros países visitar o Brasil. No ano passado, o país recebeu 200.000 estrangeiros a mais do que em 2007. Uma evidência do aumento desse fluxo está nas cidades litorâneas de Santa Catarina. Nos últimos anos, nas temporadas de verão, 70% dos hóspedes dos hotéis da região eram brasileiros e 30%, argentinos e uruguaios. Neste Carnaval, a divisão ficou em 50% para cada grupo.

A segunda consequência da alta do dólar é que muitos brasileiros, em vez de tirar férias no exterior, preferem viajar pelo país. Nos últimos quatro meses, a procura por pacotes turísticos internacionais caiu 30%. Em contrapartida, a agência de viagens que comercializa 70% dos pacotes turísticos domésticos, a CVC, vendeu 17% a mais em dezembro e janeiro últimos do que no mesmo período em 2007-2008. O aquecimento do turismo interno se reflete também no setor aéreo. Em janeiro, o número de voos domésticos aumentou 10%, enquanto aqueles com destino ao exterior diminuíram 8%. "Muitos brasileiros trocaram de itinerário por causa do câmbio", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Álvaro Bezerra de Mello.

Os turistas brasileiros que não se preocupam com a conta do cartão de crédito certamente continuarão a ir para Paris, Milão ou Nova York. Mas, em qualquer país, é a classe média que movimenta o setor turístico. Nos Estados Unidos, a indústria do turismo só se consolidou quando a massa de trabalhadores conquistou poder aquisitivo para viajar a lazer, nos anos 50. No Brasil, as empresas turísticas sabem que não podem abrir mão dessa clientela. Os navios de cruzeiros, que se popularizaram nos últimos anos com o dólar baixo, tratam agora de fazer promoções para segurar os clientes. Transportam gratuitamente o terceiro passageiro de um grupo, dão descontos para pacotes familiares e estão com o câmbio congelado a 1,99 real. Isso garantirá que fechem o verão com um número recorde de passageiros desde que surgiram em peso na costa brasileira, há oito anos.

A Fundação Getulio Vargas realiza mensalmente uma pesquisa sobre hábitos de consumo dos brasileiros, com 2 000 entrevistas. Em dezembro de 2007, o estudo apontou que 34% da população pretendia viajar a lazer no primeiro semestre do ano seguinte. No levantamento feito em dezembro de 2008, com a crise a pleno vapor, 39% dos entrevistados declararam a intenção de viajar em 2009. A análise da pesquisa mostra que o crescimento do turismo no Brasil pode não estar atrelado apenas ao câmbio, mas também a mudanças no próprio conceito de viagem turística. Diz o economista Luiz Gustavo Barbosa, coordenador do Núcleo de Estudos em Turismo e Hotelaria da FGV: "Se antes viajar era sinônimo de praia e sol, nesta década aumentaram as opções: turismo cultural, gastronômico, ecoturismo, aventura. Essa variação, aliada à popularização do transporte aéreo e à expansão do crédito, fez com que o turismo se tornasse acessível a um número muito maior de pessoas".

O turismo se diversificou, mas a principal revoada de viajantes neste verão destina-se mesmo às praias ensolaradas do Nordeste. Neste Carnaval, seus hotéis têm índice médio de ocupação de 90%. Na Bahia, de dezembro do ano passado a fevereiro deste ano, esse índice chegou a 84% – contra 72% no mesmo período em 2007-2008. Entre os pacotes turísticos mais vendidos, a liderança continua com Porto Seguro, na Bahia. Seguem-se, pela ordem, Salvador, Natal, Fortaleza, Maceió e Porto de Galinhas, em Pernambuco. Não há crise que segure a animação dos turistas brasileiros.

 



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